A lista dos 26 jogadores convocados para os amistosos da seleção brasileira contra Japão e Cingapura, nos dias 14 e 17 de novembro, mostra que o técnico Carlo Ancelotti deu sequência na ideia de promover uma renovação no esquadrão canarinho. Além de ter chamado cinco atletas que defenderão o Brasil pela primeira vez (Jonathan Jesus, André Luiz, Marlon Gomes, Alisson Santana e Allan), o italiano diminuiu ainda mais a média de idade no elenco: 29,6 anos na Copa do Mundo, 24,4 na última Data Fifa e 22 anos na convocação atual.
Outro número que frisa a ideia de renovação na seleção brasileira é que 15 dos 26 convocados tem idade de até 23 anos. Desses, dez estiveram nos amistosos contra Austrália e Índia.
Um indício de que Carlo Ancelotti começa a encontrar, dentro da proposta de rejuvenescimento, uma base para agregar aos nomes de maior experiência (Gabriel Magalhães, Bruno Guimarães, Vini Jr., Raphinha e o lesionado Marquinhos, que não foi convocado) que tendem a liderar o time canarinho até as Eliminatórias da Copa do Mundo, que tendem a começar em setembro de 2027, e principalmente a Copa América de 2028.
— Mais do que focar na qualidade do oponente, temos que focar no que temos que fazer, no que queremos, o projeto de renovação da equipe, de buscar uma nova geração, esse é o momento ideal para fazer isso. Começamos na Data Fifa de outubro, estamos continuando nessa Data Fifa, há jovens que podem estar no futuro da Seleção.
Essa convocação está equilibrada, muito jovem, temos nove jogadores em idade olímpica. Então, é uma seleção muito projetada no futuro — explicou Ancelotti.
Entre os jovens que parecem já gozar de prestígio com Ancelotti neste ciclo pós-Copa estão o goleiro Pedro Morisco, os zagueiros Arthur Dias, Jair Cunha e Vitor Reis, e o meio-campista Gabriel Bontempo. Além disso, a tendência é que nomes como Wesley, Endrick, Estêvão e Rayan figurem constantemente entre os convocados por Ancelotti, mesmo que não tenham tanto espaço ou não vivam o melhor dos momentos em suas respectivas equipes.
É o caso, por exemplo, do atacante do Chelsea. Desde a chegada de Xabi Alonso ao clube inglês, Estêvão foi titular em apenas duas oportunidades e, de 990 minutos possíveis, esteve em campo em somente 172.
— Estêvão é um jogador para o futuro. Tem jogadores atuando melhor que ele, porque ele não tem jogado.
Vai ser bom para ele estar conosco, e esperamos que possa mostrar toda sua qualidade. Pensamos que ele será útil para a seleção e daremos oportunidade de ele fazer sua progressão normal para um jovem de 19 anos como ele — disse o técnico italiano.
— Endrick e Estêvão deveriam ter minutos não pelo momento, mas para suas evoluções como jogadores. Mas também chegam frescos e podem fazer boas atuações pela Seleção — seguiu o treinador.
Precaução com o Brasileirão Além da renovação, Carlo Ancelotti também teve como objetivo nesta convocação causar o menor impacto possível nas equipes que ainda têm disputas em aberto no Campeonato Brasileiro.
Junto da diretoria da CBF, a comissão técnica adotou o critério de convocar apenas um jogador por equipe que atua no Brasil. De acordo com o diretor Rodrigo Caetano, todos os clubes concordaram com a medida.
Esse foi, inclusive, um argumento utilizado pelo italiano para não ter convocado o centroavante Gabigol, que está em alta pelo Santos. Como gostou do que viu de Gabriel Bontempo na última Data Fifa, Ancelotti optou por convocar o meio-campista de 21 anos novamente.
— Gabriel Barbosa é um jogador que estamos avaliando e olhando em todos os jogos. jogou muito bem contra o Palmeiras, mas não estava na lista larga, então não poderia ser chamado.
Mas teríamos que seguir o critério, e o jogador do Santos é o Gabriel Bontempo — afirmou Ancelotti. Os únicos clubes que fugiram desse critério foram Flamengo e Palmeiras.
Disputando, ponto a ponto, o título do Brasileirão, os rivais não tiveram nenhum convocado.
O Globo