Anac notifica Portela e Liesa por homem 'voando' em drone na comissão de frente: 'Proibido'

 

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A Agência Nacional de Aviação Civil noticiou a Portela e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) depois de a agremiação de Oswaldo Cruz e Madureira colocar um componente da comissão de frente "voando" num drone. A performance levantou a Marquês de Sapucaí no domingo, primeiro dia de desfiles do Grupo Especial.

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Em nota, a Anac ressaltou que é proibido transportar pessoas, animais e artigos perigosos usando drones. "O equipamento não foi desenvolvido para essa finalidade e pode causar acidentes, inclusive, fatais", acrescentou. Procuradas pelo GLOBO, a Liesa disse não ter sido notificada, até o momento, e a Portela ainda não se manifestou.

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A agência detalhou que a norma RBAC-E nº 94, além de proibir o transporte de pessoas, determina que o operador de drones respeite uma distância mínima de 30 metros horizontais — "o piloto não pode, em hipótese alguma, colocar vidas em risco", ressaltou. A Anac ponderou que a existência de uma barreira mecânica "suficiente forte" para isolar e proteger outras pessoas poderia suprir a falta dessa distância mínima. "Entretanto, não foi o que se viu na Marquês de Sapucaí", pontuou.

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Após o desfile, a Anac disse ter oficiado a escola e a Liesa e solicitado o apoio no reforço às instruções relacionadas à proibição do uso de drones tripulados. A agremiação também foi cobrada a fornecer informações adicionais à autoridade brasileira que estabelece regras para o uso de aeronaves do tipo.

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"A Agência também solicitou que a escola informe o modelo do equipamento utilizado, número de série, comprovação de registro do equipamento junto à Anac, dados do piloto remoto da aeronave. A Portela tem dez dias para encaminhar as informações", destacou a Anac.

Depois de um desfile "caótico", com problemas no último carro alegórico e uma chegada conturbada à dispersão, Portela confirmou que o carnavalesco André Rodrigues pediu demissão. A saída foi em comum acordo. O substituto ainda não foi anunciado.

'Voo' na Sapucaí

A Portela entrou na Avenida com o enredo “O mistério do príncipe do Bará — a oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, um recorte conduzido por uma fábula do Batuque, religião afro-brasileira de culto aos orixás, popular na região Sul do país. A escola apostou em uma comissão de frente que conta a história do Batuque em um ambiente 3D. Um dos destaques foi o homem voando com o auxílio de um equipamento especial.

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A fábula que inspira o enredo traz dois personagens principais, o Negrinho do Pastoreio e o Bará (Exú), principal orixá do culto do Batuque. Segundo o carnavalesco André Rodrigues, esses personagens contaram um para o outro partes da negritude, a identidade negra, normalmente pouco identificada com o Sul do Brasil.

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A escola apostou no universo 3D em sua Comissão de Frente.

— Estamos trazendo o Batuque através de um ambiente 3D, para que que todo mundo possa se sentir dentro da comissão de frente — revelou Cláudia Mota, coreógrafa da escola em conjunto com o marido Edifranc Alves.

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Os 29 bailarinos entraram na Sapucaí preenchendo o espaço com um grande elemento cênico branco que fará uma imersão "como se fosse um livro".

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Ficha técnica

Presidente: Junior Escafura

Carnavalesco: André Rodrigues

Intérprete: Zé Paulo Sierra

Mestre-sala e porta-bandeira: Marlon Lamar e Squel Jorgea

Mestre de bateria: Vitinho

Rainha de bateria: Bianca Monteiro

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Letra do samba enredo da Portela em 2026

"O mistério do Príncipe do Bará - a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande"

É Bará, É Bará, ôô!

Quem rege a sua coroa, Bará?

É o rei de Sapaktá

Aláfia do destino no Ifá!

Tem mistério que incandeia

Pro batuque começar

Sou mistério que incandeia

Pra Portela incorporar

Vai, Negrinho vai fazer libertação

Resgatar a tradição

Onde a África assenta

Ô, corre gira, vem revelar

O reino de Ajudá

O pampa é terra negra em sua essência

Alupo, meu Senhor, Alupô!

Vai ter xirê no toque do tambor

Alumia o Cruzeiro chave de encruzilhada

É macumba de Custódio no romper da madrugada

Curandeiro, feiticeiro

Batuqueiro precursor

Pôs a nata no gongá (ô, iaiá!)

Fundamento em seu terreiro

Resiste a fé no orixá

Da crença no mercado

Ao rito do Rosário

Ainda segue vivo o seu legado

Portela tu és o próprio trono de Zumbi

Do samba, a majestade em cada ori

Yalorixá de todo axé

Enquanto houver um pastoreio

A chama não apagará

Não há demanda que o povo preto não possa enfrentar

Ae Oni Bará! Ae Babá Lodê!

A Portela reunida carregada no dendê

Sob o céu do Rio Grande

Tem reza pra abençoar

O príncipe herdeiro da coroa de Bará!

Composição: Valtinho Botafogo / Raphael Gravino / Gabriel Simões / Braga / Cacau Oliveira / Miguel Cunha / Dona Madalena.

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