Acorda, menina! Enquanto você dormia, Ana Maria Braga já produziu um programa, deu um beijo no marido, viajou para o Rio de Janeiro, apresentou um novo reality show, se informou lendo jornais, riu com memes na internet, atendeu fãs, encontrou um novo estilo e comeu pratos deliciosos. A energia de uma ariana vai muito além do que sonha nossa vã filosofia e ‘Namaria’ é a prova viva do fato - e bota viva nisso! Mesmo consolidada como Rainha das Manhãs diante do Mais Você e por toda sua trajetória no horário, a apresentadora aceitou o desafio de enfrentar a pressão das três cozinhas do Chef de Alto Nível e se tornar a cara do reality show culinário que estreou em 2025 na TV Globo. Conhecedora exímia da culinária, de alta gastronomia ou do mais simples dia a dia, Ana Maria chega agora ao segundo ano no comando do reality com ainda mais fôlego. “Adoro fazer coisas novas, sou uma pessoa muito curiosa. Acho que uma das coisas mais importantes na vida é continuar aprendendo. O reality me tira da rotina, que já não é muito rotineira, e isso me deixa ainda mais motivada”, afirma a apresentadora em conversa exclusiva com a Quem.
Em um cenário imponente e sob uma rotina que a faz chorar e vibrar com o sonho de cozinheiros profissionais, este ano a apresentadora não se limita a olhar: agora ela também degusta, avalia e se envolve com o que chega à mesa. “Trabalho com televisão e gastronomia há tantos anos, mas isso não significa que eu saiba tudo, pelo contrário. Aprendo muito ali dentro”, afirma. Para ela, quanto mais desafiador, melhor. “Gosto de trabalhar, de produzir, de gente, de me surpreender. Não sirvo para ficar parada, não”, garante. Diante das câmeras ela é uma referência, sempre transparente, conectada a milhões de brasileiros por meio de uma das personalidades mais queridas da TV. Fora dos estúdios, Ana é aquela mesma mulher que nos faz pensar que estamos ao lado de uma velha amiga, mas faz questão de manter sua privacidade preservada.
“Existe uma diferença muito grande entre ser espontânea e achar que todo mundo precisa saber de tudo. Sou a mesma pessoa dentro e fora da televisão, mas não preciso mostrar tudo o que acontece comigo”, pontua ela, que mantém como valor inegociável na vida o respeito mútuo e a paz do seu lar. Essa clareza sobre si mesma reflete diretamente em como ela enxerga a própria maturidade, o amor e o papel que ocupa na sociedade. Em uma indústria dominada por regras invisíveis, a comunicadora recusa qualquer mordaça do tempo ou cobrança estética implacável. “Acho muito ruim essa ideia de que a mulher tem um prazo de validade. Quem decidiu isso? Eu não concordo. Quero me sentir bem como mulher”, afirma.
Essa mesma plenitude ela vivencia no casamento com o jornalista Fábio Arruda, com quem divide a rotina de trabalho e os momentos de calmaria longe dos holofotes. Depois de ter percorrido uma trajetória marcada por grandes vitórias, perdas e recomeços de saúde e carreira, a apresentadora celebra a dádiva de um afeto desarmado do peso do seu status público: “Tive a felicidade de encontrar uma pessoa que me olha como mulher, não como a Ana Maria Braga. A gente se admira, se respeita, se ama.” Uma das figuras mais autênticas da TV, ela admite que também gosta das redes sociais, acompanha de forma moderada e entende que as ferramentas mudaram a forma como o público consome o conteúdo, mesmo a curiosidade humana se mantendo a mesma com o passar do tempo. Ainda assim, Ana não se deixa moldar pelo algoritmo e não tem intenção nenhuma de “viralizar”, como acontece algumas vezes - isso, ela explica, é uma consequência natural da sua personalidade. “Gosto também de me divertir no programa, de rir, de brincar, e muitas dessas coisas acontecem sem querer mesmo”, explica. Com mais de 50 anos de carreira, Ana Maria reflete sobre a trajetória, a responsabilidade de ser uma referência, o papel como mãe, comunicadora e mulher, além dos desejos para manter aquilo que ela mais valoriza: a vida. “Eu não fico pensando na morte e já decidi que vou viver até os 110 anos. Tenho muita coisa para fazer ainda”, garante.
Ana Maria Braga Globo/Fábio Rocha Como se sente chegando para a segunda temporada de Chef de Alto Nível? O público gostou de te assistir em um novo ambiente, novo programa. Como tem sido para você essa experiência? Estou muito feliz com essa segunda temporada! Adoro fazer coisas novas, sou uma pessoa muito curiosa. Acho que uma das coisas mais importantes na vida é continuar aprendendo. O reality me tira da rotina, que já não é muito rotineira, e isso me deixa ainda mais motivada. Desde a experiência de vir “morar” no Rio de Janeiro por algumas semanas até entrar naquela estrutura gigantesca do programa, tudo é muito estimulante. A estrutura, aliás, continua me surpreendendo, mesmo já conhecendo a dinâmica do reality. Trabalho com televisão e gastronomia há tantos anos, mas isso não significa que eu saiba tudo, muito pelo contrário. Aprendo muito ali dentro. Nesta temporada, as histórias dos participantes, os desafios que eles enfrentam e as entregas a cada prova estão me emocionando cada vez mais. Aliás, preciso confessar uma coisa, nesta edição tenho chorado muito! A gente acaba se envolvendo com as pessoas, com os sonhos delas, com tudo o que acontece. Eu adoro isso. Gosto de trabalhar, de produzir, de gente, de me surpreender. Não sirvo para ficar parada, não. Na nova temporada você também vai provar os pratos, além de já ter se aproximado mais dos participantes pelo quadro no Mais Você. As pessoas já te conhecem por "chamar os cachorros", passar por debaixo da mesa e avaliar um prato como ninguém. O que podemos esperar desse papel agora no reality show? Ah, mas vou provar mesmo! Eu gosto de comer bem, gosto de descobrir sabores. Agora, tem uma coisa, não adianta você fazer um prato maravilhoso de olhar, todo cheio de enfeite, e na hora que eu ponho na boca não ter gosto de nada. Comida tem que ser gostosa, né? Eu respeito muito a técnica, o conhecimento de quem está ali cozinhando, mas acho que a gastronomia também tem que dar prazer. Não sei mentir. Se eu gostar, vou falar. Se achar que faltou alguma coisa, também vou falar. Agora, chamar os cachorros não é uma coisa que eu planejo. Acontece quando a comida merece. Não dá para combinar com os cachorros antes, né? No Chef de Alto Nível, você transita entre a gastronomia profissional e a cozinha afetiva do dia a dia. O que você percebe que a alta gastronomia muitas vezes tenta buscar, mas que só a "comida com alma" consegue entregar? Uma coisa não exclui a outra. Você pode fazer uma comida muito sofisticada, com uma técnica maravilhosa, e ela ter alma. Da mesma forma, pode fazer um arroz com feijão que não tenha graça nenhuma. O que faz diferença é o cuidado que você coloca naquilo. Sabe quando você come uma coisa e aquilo te leva para algum lugar? Você lembra da sua mãe, da sua avó, de uma viagem, de uma pessoa de quem gostava muito. Isso é maravilhoso. A comida tem essa capacidade de mexer com a memória da gente. Eu acho que o grande cozinheiro é aquele que consegue fazer você sentir alguma coisa, além de simplesmente matar a fome. Como a cozinha e esse afeto que ela traz marcaram sua vida em casa, com sua família? Você é do tipo que sempre reuniu todo mundo para uma mesa farta? Tem alguma lembrança da sua infância nesse sentido que te marca? Venho do interior, de São Joaquim da Barra, de uma família com uma educação muito rígida, mas em que a convivência tinha uma importância enorme. A comida faz parte disso, de você se sentar à mesa, conversar, ouvir as histórias das pessoas. Eu sempre gostei muito dessa coisa de reunir gente. Acho que uma das maiores demonstrações de carinho é você preparar alguma coisa para alguém. Não precisa ser um banquete. Às vezes, uma comida muito simples, feita com cuidado, tem um valor muito maior. Tem uma coisa interessante, quando você se lembra de uma refeição especial, normalmente não lembra só do que comeu. Lembra de quem estava sentado com você, da conversa, da risada. Isso é o que fica. Você construiu uma carreira consolidada e histórica na TV. Hoje, ao assumir projetos como o Chef de Alto Nível, o que ainda faz seu olho brilhar e o que te move a buscar novos formatos em vez de apenas gerenciar o sucesso que já tem? Sou feliz produzindo, simples assim. Outro dia fiquei pensando nessa história de aposentadoria, porque vivem me aposentando por aí. Aí comecei a imaginar o que eu faria se parasse de trabalhar. Fico em casa e vou ler meus livros, cuidar das minhas plantas, fazer ginástica e depois? Aí vou para a praia. Tomo sol, ando na areia, dou uns mergulhos e depois? Eu preciso de movimento, de ideias, e principalmente, de desafios. Gosto de acordar sabendo que tenho alguma coisa para fazer. Enquanto eu tiver saúde e vontade, quero continuar trabalhando. Graças a Deus tenho as duas coisas. Ana Maria Braga Globo/Fábio Rocha O público sente que te conhece há décadas porque você sempre trouxe muita humanidade para as manhãs. A impressão que dá é que sempre vemos você da maneira mais transparente possível na TV. Mas existe alguma parte sua que você protege? Eu sou muito verdadeira e quem trabalha comigo sabe disso. Se você me perguntar algo, a tendência é que eu responda, mas ser verdadeira não significa que eu tenha que transformar toda a minha vida num assunto público. Eu tenho minha casa, minha família, meus momentos. As pessoas que fazem parte da minha vida também têm direito à privacidade delas. Acho que existe uma diferença muito grande entre ser espontânea e achar que todo mundo precisa saber de tudo. Eu sou a mesma pessoa dentro e fora da televisão, mas não preciso mostrar tudo o que acontece comigo. Com o passar dos anos e o acúmulo de tantas vivências, o que deixou de ser prioridade para você e o que se tornou inegociável na sua vida pessoal? Uma coisa que aprendi é não perder tempo com bobagem. Eu costumo fazer uma pergunta quando acontece alguma coisa que parece muito grave. Que diferença isso vai fazer na minha vida daqui a 1 ano? Daqui a 1 mês? Daqui a 24 horas? Porque tem coisa que, na hora, parece o fim do mundo, se perde o sono, mas depois de alguns dias a gente nem lembra mais. Então, para que gastar tanta energia? Hoje eu valorizo muito a minha saúde, minha paz, minha família, meu trabalho e as pessoas de quem gosto. Um tema inegociável, o respeito. Você pode não concordar comigo, pensar de uma forma completamente diferente, mas precisa existir respeito. A vida pública costuma cercar a pessoa de muita gente, mas também impõe certos isolamentos. Em que momentos você encontra o seu silêncio e quem é a Ana quando as câmeras desligam completamente? Gosto muito da minha casa, das minhas coisas, da minha família. Minha rotina é bastante intensa porque eu não chego aqui na Globo e vou direto apresentar o programa, eu participo de tudo, da construção do Mais Você. Então, quando termino na emissora, tenho minhas coisas para resolver na minha casa, com meu marido, com minha família e ali eu estou onde quero estar, na tranquilidade do meu lar. Em casa leio muito, cozinho, jogo videogame, cuido das minhas plantas, faço ginástica, namoro, enfim, uma vida normal. A forma de fazer televisão e de se conectar com a audiência mudou drasticamente ao longo dos anos. O que você aprendeu sobre se manter relevante sem perder a própria identidade? Eu não acho que a essência tenha mudado tanto assim. Mudaram as ferramentas, a velocidade da informação, a maneira como as pessoas recebem as notícias, mas o que interessa ao ser humano continua sendo mais ou menos a mesma coisa. Quando comecei a fazer televisão, pensava muito na minha mãe, nas vizinhas da minha cidade, nas pessoas do interior. Eu queria que elas entendessem aquilo que eu estava falando. Continuo pensando assim. Se alguém vem ao programa explicar uma coisa complicada, eu pergunto. Não tenho vergonha de perguntar. Porque pode ter mquita gente em casa que também não sabe. Agora, com as redes sociais, a gente tem uma resposta muito mais rápida do público e isso ajuda. Não me moldo pelo algoritmo, eu entendo as ferramentas, mas não sou dependente delas nas minhas decisões. Ser o "ponto de apoio" diário de milhões de brasileiros é uma responsabilidade nobre, mas também pode ser pesada. De onde você tira energia nos dias em que também precisa de acolhimento? Agradeço muito a Deus todos os dias, de verdade. Quando acordo, a primeira coisa que penso é que ganhei mais um dia e aí a gente tem duas opções: optar por um dia de cara amarrada, reclamando de tudo, ou ser positiva, e levar o dia bem. Eu sempre opto pela alegria de um belo dia. Isso não significa que eu não tenha problemas, que não fique triste, que não tenha preocupações, mas percebo que, quando começo a trabalhar, encontro as pessoas, dou bom-dia, sorrio, muita coisa vai ficando mais leve. Ana Maria Braga Globo/Fábio Rocha Sua ligação com o público é muito forte e as pessoas te enxergam como uma extensão delas, como quem se preocupa com elas, se conecta e está ali para representá-las também. Como você avalia esse lugar que ocupa? Quais interações com o público que te marcaram mais até hoje? Essa conexão me emociona muito. Porque eu entro na casa das pessoas há décadas, todos os dias. Tem gente que me acompanha desde o começo, tem gente que cresceu comigo, tem gente muito jovem que me conheceu pelas redes sociais. O que mais me deixa feliz, porém, é a confiança. Encontro com as pessoas e elas vem me contar histórias muito pessoais, de doença, de superação. Eu sempre escuto e o que eu puder dar de esperança com as minhas experiências eu dou. É uma troca muito legitima e verdadeira. O público sempre espera pelos seus conselhos no final de cada programa. Gosta desse posto de conselheira? Se você pudesse dar um conselho para seu público agora, qual seria? Não gosto muito dessa coisa de ser conselheira, porque parece que eu sei tudo, e não sei. A grande verdade é que eu aprendo todos os dias. O Pensamento do Dia, por exemplo, é uma reflexão, e muitas vezes faz muito sentido para quem ouve aquela mensagem naquele dia específico. Não diria um conselho, mas uma mudança de comportamento que eu enxergo que pode ajudar: as pessoas buscarem enxergar a vida de maneira mais leve, mais feliz. Obviamente que isso não vai resolver tudo, mas pode facilitar a enfrentar as dificuldades de outra forma. Não dá para abrir o olho e achar que o dia vai ser péssimo, tem que mudar o pensamento, que é muito poderoso. Começar o dia com um bom dia, pode mudar as horas restantes de forma muito gratificante. Você se tornou uma figura extremamente querida pelas gerações mais novas na internet por seus conselhos, visuais icônicos, pela espontaneidade que gerou muitos memes. Essa quebra da formalidade na TV é também pensada ou simplesmente o resultado de não se levar tão a sério? Imagine uma pessoa séria e rígida com o trabalho, essa sou eu. Não me atraso, estudo muito, leio todos os jornais, assisto os programas, porque tudo isso faz parte do meu trabalho. Gosto também de me divertir no programa, de rir, de brincar, e muitas dessas coisas acontecem sem querer mesmo. Não planejo nada para me tornar um meme. Inclusive, se eu tentasse planejar isso, provavelmente não teria nenhuma graça. Você gosta de usar as redes sociais? Costuma ver o que falam sobre você e a reação quando algum momento engraçado viraliza ou uma fala repercute? Gosto, mas não fico o dia inteiro olhando. Priorizo as notícias, vejo o que está acontecendo no nosso país e no mundo para estar informada. As redes sociais têm coisas ótimas, pessoas engraçadíssimas, histórias, assuntos que podem virar pauta do programa. Vejo o que falam de mim e em geral me divirto muito. Antes da câmera ligar, existe a Ana Maria gestora, que lidera equipes e decisões de negócios há anos. Qual é a principal lição de liderança que você aprendeu gerindo sua própria marca? Respeito. Acho que essa é uma das coisas mais importantes. Você pode ser o presidente de uma empresa, pode ter o cargo que for, mas precisa respeitar as pessoas que trabalham com você. Já tive que tomar decisões difíceis na minha vida, que exigiram conversas sérias e profundas, mas que foram feitas com dignidade, olhando para o olho da pessoa. Eu sou uma pessoa muito exigente e para entregar um programa diário ao vivo, há décadas, preciso ter uma equipe preparada para dar suporte. A credibilidade é construída durante muitos anos e pode ser comprometida por uma informação mal apurada. Então, eu cobro mesmo, mas tem gente comigo há mais de duas décadas e isso confirma muita coisa sobre a relação que construí ao longo desses anos. Ana Maria Braga Globo/Fábio Rocha Criar filhos construindo uma carreira tão intensa e exposta é um desafio gigante. Qual foi a conversa ou a lição mais marcante que você e seus filhos tiveram sobre essa dinâmica de ter uma mãe famosa? Sempre procurei dar aos meus filhos uma educação honesta, como a que recebi dos meus pais. Uma coisa que sempre fiz questão de deixar clara é que eles são responsáveis pelas próprias vidas. Claro que sou mãe, que me preocupo, que quero saber se estão bem. Eles, porém, não podem viver em função de quem eu sou, do meu trabalho ou da minha imagem pública. Cada um tem que construir o próprio caminho. Acho que o mais importante que uma mãe pode fazer é dar uma boa formação, ensinar valores e depois permitir que os filhos façam suas escolhas. Porque a vida é deles, não é minha. Como a sua forma de exercer a maternidade mudou conforme seus filhos cresceram e a família se expandiu? O que a Ana mãe de hoje diria para a Ana mãe do início da carreira? Quando os filhos são pequenos, você decide muita coisa por eles. Decide o que vão comer, onde vão estudar, como vai ser a rotina. Depois eles crescem, se casam, têm filhos, constroem suas famílias. Aí você precisa entender que não pode continuar decidindo por eles. Eu não tenho ingerência sobre a vida dos meus filhos. Posso conversar, posso dar minha opinião se me perguntarem, posso ajudar. A decisão, porém, é deles. Acho que a Ana de hoje diria para aquela mãe mais jovem que ela precisa confiar na educação que deu aos filhos. Porque chega uma hora em que você precisa deixar que eles usem aquilo que aprenderam. Você já chegou a falar sobre a maneira que sua filha, Mariana, cria seus netos e como ela, assim como você, fez as próprias escolhas na vida. Como é sua interação com seus netos hoje, o que já pode dividir e ensinar para eles? Adoro meus netos, adoro estar com eles, acompanhar o crescimento, ouvir as coisas que falam. Criança tem uma maneira muito particular de olhar para o mundo, né? A gente aprende muito com isso. Agora, a Mariana é a mãe. Ela tem a maneira dela de educar, as convicções dela, e eu respeito. Não acho que avó tenha que ficar interferindo na educação dos netos. Meu papel é outro. É dar carinho, estar presente, compartilhar experiências. Se alguma coisa que aprendi na vida puder servir para eles, maravilhoso. Cada um precisa ter a oportunidade de descobrir o mundo do seu jeito. Sua filha se separou recentemente e chegou a falar sobre essa fase publicamente. Você teve a oportunidade de conversar com ela sobre esse momento? Como tem sido a relação entre vocês agora? A Mariana é uma mulher adulta, tem a vida dela, os filhos dela, as escolhas dela. Eu sou mãe, vou ser mãe a vida inteira, mas isso não me dá o direito de interferir nas decisões que ela toma. Dei aos meus dois filhos a mesma educação, procurei ensinar o que considero importante, e agora a responsabilidade pela vida deles é deles. Não tenho ingerência sobre o relacionamento da Mariana, assim como não tenho sobre o do Pedro. É a vida dela, não é a minha. O que existe entre nós é uma relação de mãe e filha, de amor, de respeito, e isso não muda. Você é uma mulher que se refez e se transformou muito diante de adversidades. As pessoas, principalmente outras mulheres, te enxergam como um exemplo. Olhando para trás, para o que você já superou, o que diria que aprendeu nas fases mais difíceis? Aprendi que quase tudo na vida tem solução. Às vezes, quando acontece uma coisa muito ruim, você acha que não vai conseguir sair daquela situação, mas precisa acreditar que existe um caminho. Tem uma coisa que faço muito, que é parar e pensar no que aconteceu, no que eu poderia ter feito diferente, no que posso aprender com aquilo. Porque, se você passa por uma experiência difícil e não aprende nada, corre o risco de repetir os mesmos erros. Não acho que eu seja exemplo para ninguém. Tenho a minha história, com meus acertos e meus erros. Se alguma coisa que vivi puder ajudar outra pessoa a encontrar esperança, fico muito feliz. Existir sob o rótulo de "mulher forte" pode ser exaustivo. Como é para você lidar com os dias em que a vulnerabilidade pesa e o público espera essa força de você? As pessoas confundem muito ser forte com não ter problemas. Todo mundo tem problemas. Eu tenho, você tem, a pessoa que está em casa assistindo tem. A diferença está na maneira como você lida com eles. Não adianta ficar alimentando uma coisa ruim o tempo inteiro, porque aquilo vai tomando conta de você. Eu procuro olhar para o problema, entender o que posso fazer e buscar uma solução. Às vezes demora, às vezes dói, às vezes você erra, mas faz parte da vida. Não tenho obrigação de estar feliz o tempo inteiro, mas também não quero passar a vida inteira lamentando as coisas que aconteceram comigo. Ter tratado o câncer te fez olhar de uma forma diferente para a vida e a saúde? De que forma isso te impactou e afetou sua perspectiva no mundo? Quando você passa por uma experiência dessas, aprende a dar um valor enorme para a vida. Eu acordo todos os dias e agradeço por estar viva e não é uma coisa que digo da boca para fora, é porque eu realmente sinto isso. Cada dia é um presente, mas não quero transformar a minha vida em um episódio da doença, já passou. Quando alguém me procura com um diagnóstico de câncer, eu converso e procuro dar esperança, mas sempre deixo muito claro que quem vai tratar a doença é o médico. Ana Maria Braga Globo/Fábio Rocha Sei que é ariana, um signo conhecido pela personalidade forte e também por não levar desaforo para casa. Também vemos um pouco dessa sua faceta no dia a dia, você se considera uma representante fiel do signo? Ah, eu sou ariana de primeiro de abril, então imagina. Sou muito determinada, muito direta e falo o que tem que ser dito, não faço rodeios. Respeito as pessoas, mesmo quando pensam diferente, mas tenho meu temperamento. A televisão cobra uma estética implacável, especialmente de mulheres conforme amadurecem. Como foi o seu processo interno para transitar pelas mudanças físicas do tempo sem se curvar às pressões da indústria? Gosto de me cuidar, sempre gostei. Gosto de roupa, de cabelo, de me sentir bonita, de olhar no espelho e gostar do que estou vendo. Não acho que exista idade para isso e tem uma coisa que considero muito importante: a mulher precisa gostar dela mesma. Não pode ficar esperando que outra pessoa diga que ela é bonita, que está bem, que pode fazer determinada coisa. Eu faço exercícios, cuido da alimentação, procuro dormir bem. Quero ter saúde para continuar trabalhando, viajando, vivendo a minha vida. Também quero me sentir bem como mulher. Não vejo por que a idade deveria impedir isso. Acho muito ruim essa ideia de que a mulher tem um prazo de validade. Quem decidiu isso? Eu não concordo. Você já está casada com o Fábio Arruda há mais de um ano. Como tem sido a vida nesse período? Eu sou muito feliz, muito mesmo. O Fábio tem um senso de humor maravilhoso, é muito inteligente, muito perspicaz. Uma coisa fundamental na nossa relação é a confiança. Nós convivemos durante quase cinco anos antes de casar. Tivemos tempo de nos conhecer, de entender como cada um funciona. Eu confio nele e ele confia em mim. Quando existe isso, muita coisa que poderia virar problema simplesmente não vira. Eu acho que a confiança é a base de qualquer relacionamento. Você e o Fábio trabalham bastante, muitas vezes juntos, e parece ser uma característica que liga os dois. Isso fortalece o relacionamento? Agora, quando não estão no modo trabalho, o que gostam de fazer juntos como casal? A gente trabalha junto, convive o tempo inteiro e se dá muito bem. O Fábio é um grande parceiro. Nós gostamos das mesmas coisas, temos opiniões muito parecidas. Temos uma sintonia muito gostosa. A gente conversa, ri, trabalha, faz planos. Eu gosto muito dessa parceria. Com toda a bagagem de vida, independência financeira e emocional que você conquistou, como muda a forma de viver o amor e o companheirismo hoje em comparação com a juventude? Quando conheci o Fábio, eu já sabia que não queria uma relação em que não existisse confiança e a gente além de se amar muito, tem esse sentimento mútuo de confiança e parceria. Eu tive a felicidade de encontrar uma pessoa que me olha como mulher, não como Ana Maria Braga. A gente se admira, se respeita, se ama. Acho que encontrar alguém que você ama e que ama você de volta é um privilégio enorme. Se você pudesse resumir o principal aprendizado sobre a vida que a sua trajetória te ensinou até aqui, qual seria? O principal aprendizado é que você não pode deixar de acreditar na vida. Já passei por muita coisa, já tive momentos maravilhosos, já tive problemas muito sérios, já errei, já recomecei e continuo aqui, querendo fazer coisas, querendo aprender, querendo viver. Eu não fico pensando na morte e já decidi que vou viver até os 110 anos. Tenho muita coisa para fazer ainda. Quero continuar trabalhando, quero estar com a minha família, com o Fábio, quero viajar, conhecer gente, descobrir coisas novas. Ana Maria Braga Globo/Fábio Rocha
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