ANÁLISE: O tamanho do desafio de Lula no 2º turno

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Fonte da notícia: Valor Valor

Um placar de 47% a 45,1% no primeiro turno pode parecer próximo o suficiente para deixar o prognóstico eleitoral totalmente em aberto. Mas além do ânimo que passar em primeiro lugar coloca na campanha de Flávio Bolsonaro (PL), há diferenças matemáticas e políticas que tornam o caminho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rumo à reeleição em 25 de outubro muito mais difícil do que o da vitória em 2022.

Lula ficou na frente no primeiro turno da eleição de 2022 com 48,4% dos votos válidos, ante 43,2% de Jair Bolsonaro, o que tornava necessário que ele obtivesse mais 1,6 ponto percentual do eleitorado no segundo turno para conquistar a maioria e fosse eleito presidente pela terceira vez.

Em termos absolutos, 9,89 milhões de pessoas haviam escolhido “outros candidatos” — diferentes de Lula e Jair — no primeiro turno de 2022. A maior parte desses votos havia sido dada para Simone Tebet (4,9 milhões) e para Ciro Gomes (3,6 milhões).

Isso significava que Lula precisava conquistar pouco mais de 19% desses “votos em disputa” (desses outros candidatos), para obter a maioria do eleitorado, tendo como premissa que ele não perderia seus próprios eleitores entre o primeiro e o segundo turno. E o que ocorreu na prática foi que Lula conseguiu conquistar 31% desses “votos em disputa” (3 milhões de votos a mais), bem menos do que a fatia abocanhada por Jair Bolsonaro, e ainda assim foi eleito presidente, com 50,9% dos votos válidos na ocasião.

Mas o cenário de 2026 é completamente diferente. Em 2022, os “outros candidatos”, que se apresentavam como alternativa para quem não gostava nem de Lula e nem de Bolsonaro, tinham perfil de centro e centro esquerda, o que tornava a necessidade de conquistar os 19% do eleitorado algo bastante factível.

Tebet, inclusive, apoiou formalmente Lula no segundo turno. Esse não é o caso agora.

Em primeiro lugar, o total de 9,3 milhões de “votos em disputa” deste segundo turno é proporcionalmente menor do que o visto em 2022, 7,8% dos votos válidos agora, ante 8,4% dos votos válidos há quatro anos. Além disso, o perfil dos candidatos de terceira via é majoritariamente de direta, como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), além de Augusto Cury (Avante), mais próximo do centro.

Mas o principal é fator contra a reeleição é que Lula tem um ponto de partida mais baixo, de 45,1% dos votos válidos (53,8 milhões), ante 48,4% (57,3 milhões) na eleição passada. Por causa disso, Lula precisa conquistar uma fatia muito maior dos votos em disputa para sair vencedor: 63% do total.

Ou seja, precisa conquistar mais que o dobro dos "votos em disputa" ante os 31% que conseguiu há quatro anos, e de um eleitorado mais à direita do que aquele que estava em jogo em 2022. Na prática, para ter sucesso Lula vai ter que conseguir algo ainda mais difícil: ir além dos “votos em disputa” e tentar virar votos que foram para Flavio Bolsonaro no primeiro turno.

Em eleições presidenciais, isso só ocorreu uma vez, em 2006, quando Geraldo Alckmin perdeu eleitores entre o primeiro e segundo turno. O que pode dar esperança a Lula é que alguns desses eleitores votaram nele em 2022, quando teve 60,3 milhões de votos na segunda etapa.

Mas está claro o tamanho do desafio para a campanha do petista.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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