Amor não basta? Casais sofrem pressão por reinventar a relação

 

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Efeito colateral das relações duradouras: tédio e sensação de sufocamento. Mesmo havendo amor, o repeteco da rotina, somado às oportunidades que se apresentam lá fora, sugerem que o tempo está sendo desperdiçado. Então vem a proposta que não se faz sem um trincar de dentes: e se a gente abrisse o casamento?

Eu não teria o altruísmo, não sou tão evoluída, mas defendo a abertura das relações amorosas em um outro contexto, sem risco de terminar em facadas: um casamento em que você, mulher, sai para encontrar um amigo do grupo da maratona e você, homem, sai com uma amiga do curso de francês, sem provocar taquicardia no “conge” que não foi convidado.

Eu era recém-casada, lá nos anos 80 do século passado, e saía para almoçar com um amigo hétero e solteiro, que, por sinal, é meu amigo até hoje. A mãe do meu amigo um dia perguntou para o filho: o marido dela não se importa? Não, ele não se importava, aliás, meu marido também tinha uma amiga hétero e solteira com quem fazia happy hours de vez em quando. Sem um pingo de ciúme, fomos felizes desse jeito “anormal” para quase todo o sempre.

Quarenta anos atrás, era incomum você ser casado e sair em privacidade com uma pessoa do sexo oposto. Hoje, você e sua turma sabem que este é um assunto pra lá de mofado, mas ainda tem muita gente que ainda diz “mulher minha não sai com amigo hétero nem a pau”. Também na versão “marido meu que sair com amiga solteira é um homem morto”. O tempo das cavernas voltou com tudo, é tendência deste outono-inverno.

A verdade é que não há relação amorosa tão satisfatória como a que temos com nossos amigos. Pessoas ligeiras descobrem isso já aos 30 anos. Aos 40, os mais lentos descobrem também. Aos 50, ninguém nem discute a respeito, mas talvez se façam de sonsos, para não tumultuar a paz familiar. Se for o seu caso, sugiro que trinque os dentes e lance logo a proposta: “então, vamos abrir esse casamento?”.

E vá passar o fim de semana na serra com a sua turma da praia, aquela que não se reúne há uma década. Organize um feriadão no litoral com seus amigos do colégio, sem falarem em política, por precaução. Convide seu best para assistir ao espetáculo “Remix”, da Deborah Colker, e depois estiquem em um bar. Apareça com um espumante no apartamento de uma amiga querida de anos atrás, com quem você só vinha interagindo através de curtidas no Instagram. Não importa se você é um homem casado e ela uma mulher solteira, ou vice-versa. Se são héteros, se são gays ou que consoante os defina na sigla LGBTQIA+. O sexo não foi chamado para essa conversa. Simplesmente desgrude-se de seu par constante, divirta-se com suas amizades excitantes e seja fiel a elas até que a morte os separe.