Grupo americano com uma das sonoridades mais reconhecíveis do indie rock, em álbuns como “No Pocky for Kitty” (1991), “Foolish” (1994) e “Here's where the strings come in” (1995), o Superchunk se apresentou pela última vez no Rio de Janeiro em 2000, no Ballroom (extinta casa no bairro do Humaitá, depois transformada em supermercado).
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Este sábado, eles voltam à cidade para show no Agyto (na Lapa) e depois partem para São Paulo, onde tocam domingo no Cine Joia. Em 26 anos, pouca coisa parece ter mudado para eles.
— Depois de termos feito “Wild loneliness” (álbum de 2022), gravado em casa na pandemia e mais acústico, queríamos fazer um disco de punk rock de verdade (“Songs in the key of Yikes”, do ano passado) — conta o cantor, guitarrista e fundador da banda, Mac McCaughan, de 58 anos. — Estamos felizes que as pessoas que nos ouvem há muito tempo ainda nos queiram ver tocando. Esperamos que as novas músicas ressoem com nossos fãs da mesma forma que as antigas... mas talvez de uma maneira diferente porque as pessoas têm outras idades agora.
Se o Superchunk acabou criando uma marca registrada, Mac diz que não foi intencional.
— A gente só pegava coisas de outras bandas que a gente gostava, como Buzzcocks, Sonic Youth e Hüsker Dü — minimiza ele, que chega ao Brasil ao vivo com Jim Wilbur (guitarra, que entrou para a banda em 1990, um ano depois de ela ter começado), Laura King (bateria, desde 2023) e Betsy Wright (baixo, substituindo a fundadora Laura Ballance, aposentada das turnês por problemas de saúde).
— Algumas pessoas entraram e saíram, mas acho que o fato de todos nós adorarmos tocar essa música e viajar pelo mundo para fazer shows é o que realmente mantém todos felizes — diz Mac McCaughan. — Adoramos viajar, especialmente lugares como o Brasil, tão longe de onde moramos, e ver as pessoas, comprar discos, comer a comida e fazer shows.
O americano, por sinal, conhece bem a música brasileira. É notório fã da cantora e compositora Joyce Moreno e do álbum “Toalha da saudade” (1976), do sambista baiano Batatinha.
— Ouvi esse disco pela primeira vez em 2015 na casa de um amigo em São Paulo, e procurei por ele durante um tempo, até que finalmente o encontrei através de outro amigo aqui no Brasil. Toquei até algumas músicas dele ontem à noite (na quinta-feira) quando estava discotecando em São Paulo — revela. — Tem um artista brasileiro moderno, Thiago Nassif, de que eu gosto muito. E ainda ouço principalmente Chico Buarque, Joyce e Gal Costa. Ouvi um disco ontem pela primeira vez, que eu nunca tinha ouvido antes, que era do Quinteto Ternura, fazendo uma versão de “Baby” e agora estou procurando esse disco.
Executivo de gravadora
O Superchunk hoje é quase um hobby para Mac. Seu trabalho em tempo integral é como executivo da Merge, gravadora que criou com a baixista Laura Ballance para lançar os discos da sua banda e que obteve sucesso ao revelar grupos como Arcade Fire, Neutral Milk Hotel e Magnetic Fields.
— Estamos lançando ótimos discos este ano, de Ibibio Sound Machine, The Tubs e o Fruit Bats, tem muita música boa vindo por aí. A Merge é uma empresa muito movimentada. Quando estou no Brasil, na Europa ou em algum lugar em turnê, é difícil participar de todas as reuniões e tudo mais, mas temos uma equipe incrível na que mantém tudo funcionando — conta ele, admitindo, no entanto, que, nesses tempos de música por streaming, “é ótimo que as pessoas possam descobrir coisas novas, mas é muito difícil para o artista e a gravadora ganharem dinheiro”.
