Americana especialista em contrainteligência que desertou e se juntou ao Irã pode ser 'arma secreta' contra os EUA
Uma "arma secreta" do Irã na guerra contra EUA e Israel, iniciada em 28 de fevereiro, pode ser "made in USA".
Uma veterana da Força Aérea dos Estados Unidos que se tornou espiã iraniana está causando grandes dores de cabeça para os principais chefes de inteligência ocidentais.
Monica Witt, de 46 anos, foi uma condecorada especialista em contrainteligência nas Forças Armadas dos EUA por mais de uma década antes de ser aliciada pela Guarda Revolucionária Islâmica.
Ela desertou em 2013, compartilhando com entusiasmo a notícia de que seu visto iraniano havia sido aprovado com seu contato em 28 de agosto, acompanhada de um emoji sorrindo.
"Estou me despedindo e indo embora! Voltando para casa!", escreveu a texana.
As habilidades de Monica podem ser um diferencial para que o regime de Teerã resista à Operação Fúria Épica, de Donald Trump. Chefes da inteligência acreditam que ela possa estar orientando a estratégia militar iraniana usando seu conhecimento privilegiado das operações americanas e israelenses, de acordo com reportagem no "Sun".
Quem é Monica Witt?
Nascida em El Paso (Texas, EUA) em 1979, Monica se alistou na Força Aérea aos 18 anos, após a morte da sua mãe e do rompimento de laços familiares. Ela ascendeu na hierarquia como "analista de linguagem criptológica", trabalhando em missões de vigilância eletrônica e recebendo diversas honrarias.
A americana estudou farsi (ou persa, a língua mais comum no Irã) na Califórnia, foi enviada para a Arábia Saudita em 2002 e, posteriormente, passou quase seis meses no Iraque em 2005, durante uma das fases mais sangrentas da guerra, onde começou a estudar seriamente o Islã.
A deserção de Monica foi vista como uma das maiores traições da história recente dos EUA, por causa do seu acesso a informações altamente sensíveis sobre agentes americanos estacionados no Irã e os seus métodos de vigilância.
Cartaz de 'Procura-se' para Monica Witt
Reprodução/FBI
No Irã, de acordo com o FBI (polícia federal dos EUA), Monica é conhecida como Fatemah Zahra ou Narges Witt.
Sua mudança radical se acelerou em 2012, quando ela viajou para Teerã para a Conferência Internacional sobre o Hollywoodismo (sobre a influência do cinema ocidental sobre sociedades islâmicas), um evento posteriormente ligado pelas autoridades americanas à Guarda Revolucionária Islâmica.
Lá, ela conheceu agentes e começou a planejar a deserção, construindo um relacionamento com seu contato, Marzieh Hashemi. Durante a viagem, Monica apareceu na TV estatal iraniana elogiando o Islã, dizendo que havia lido o Alcorão para "me ajudar a melhor enfrentar o inimigo". Ela acrescentou que então "percebeu que, apesar do que os militares americanos nos disseram, o Islã não é uma religião violenta e agressiva".
De volta aos EUA, Monica adotou o uso do hijab (véu islâmico), converteu-se ao islamismo e começou a tentar obter um visto para retornar ao Irã. Desta vez, de forma definitiva: dois meses depois, surgiu a sua oportunidade quando o seu visto foi aprovado, e ela voou só de ida para o Dubai (Emirados Árabes Unidos) e depois para o Teerã.
Monica não é vista é público desde 2019.
