‘Amem os seus filhos, estejam presentes’, diz pai de menino que morreu em acidente no Rio; criança foi sepultada ao lado da mãe
O humorista Vinicius Antunes, pai de Francisco Farias Antunes, de 10 anos, disse que a dor da perda do filho só não é ainda maior porque teve a chance de viver intensamente cada momento ao lado do menino. O pai contou que esteve presente desde o nascimento, quando pegou o filho no colo pela primeira vez, até o momento da despedida no sepultamento.
Emanuelle Martins Guedes de Farias e o filho, Francisco, morreram após um acidente enquanto andavam de bicicleta elétrica na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Eles foram atingidos por um ônibus. Os corpos foram velados e enterrados no Cemitério da Penitência nesta quarta-feira. Familiares e amigos prestaram as últimas homenagens.
Após o velório e o sepultamento da criança, Vinicius fez um apelo para que outras famílias valorizem o tempo juntos. Destacou a importância de demonstrar amor, participar da rotina dos filhos e construir uma relação próxima no dia a dia.
“Eu fiz tudo com meu filho. Se esse momento não é a tristeza mais absurda, é porque eu sei que vivi intensamente. Não existe nenhuma lacuna no nosso relacionamento. Eu estive ao lado dele. Foram essas mãos aqui que estiveram com o Chico assim que ele nasceu. Eu o peguei no colo naquele momento e fui eu também quem o levou até a sepultura. Então, pais, amem seus filhos. Tudo que eu queria agora era mais um segundo para estar com o meu filho. Eu faria tudo por isso. Amem seus filhos, digam que amam, estejam com eles, participem da vida dos seus filhos. A gente precisa amar nossos filhos. E filhos, amem seus pais. É a coisa mais gostosa que tem. Eu fui muito, muito feliz nesses dez anos. Muito feliz. Não consigo mensurar a minha felicidade, e é por isso que agora vem essa tristeza”, contou.
Velório de mãe e filho que morreram atropelados em bicicleta elétrica no Rio de Janeiro
Pedro Bohnenberger/CBN
Ele relembrou momentos simples da convivência com Francisco, como assistir a séries juntos, ouvir histórias e brincar. Contou que o menino era alegre, extrovertido e gostava de esportes.
“O Chico era maravilhoso, ele estudava no Pedro II, amava o Pedro II, gostava de ver séries comigo, ouvir histórias. Gostava de brincar, jogar futebol, adorava o Vasco e jogava no Botafogo. Chico foi uma criança incrível. Muito amada e que me amou muito. Dizem que tudo que é bom dura pouco. De fato, durou muito pouco. E eu queria que durasse muito, muito mais”, disse.
A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro investiga o caso e apura as circunstâncias do acidente. As imagens são consideradas fundamentais e apontam contradições na versão apresentada pelo motorista.
O motorista alegou que um carro teria fechado a bicicleta, provocando a queda, e que o atropelamento teria sido inevitável. No entanto, imagens de câmeras de segurança mostram outra dinâmica: mãe e filho seguiam pela pista da esquerda, sem veículos à frente, quando o ônibus se aproxima por trás em velocidade maior. Segundos depois, os dois aparecem já caídos na via.
A tragédia reacendeu o debate sobre o uso de bicicletas elétricas nas ruas da cidade.
