Ameaças de bomba em voos na Europa voltaram a mobilizar forças de segurança e operadores da aviação comercial nesta sexta-feira (6), configurando a terceira ofensiva coordenada de alarmes falsos no continente no intervalo de quatro dias. As mensagens eletrônicas forçaram o desvio de rotas internacionais, vistorias em terminais e manobras preventivas com caças militares, sem registro de explosivos encontrados a bordo das aeronaves.
Autoridades diplomáticas europeias passaram a classificar os episódios repetidos como atos deliberados de perturbação da infraestrutura pública continental. Diante da sequência de comunicações anônimas iniciada em 3 de novembro de 2026 e intensificada nas horas seguintes, governos da região tratam o fenômeno como tentativa organizada de desestabilização psicológica.
As ocorrências desta sexta-feira mobilizaram terminais da Europa Central, do Leste e do Mediterrâneo. Na República Tcheca, a polícia registrou alertas direcionados a quatro chegadas e cinco partidas programadas no aeroporto de Praga, onde os protocolos antiterrorismo foram acionados sem cancelamento imediato de viagens.
🚨 ALERTAS DE BOMBA PROVOCAM DESVIOS E POUSOS DE AVIÕES NA EUROPANesta quinta-feira (5), ameaças de bomba levaram aviões a mudar de rota ou fazer pousos não programados em diferentes países europeus. Um voo da Aer Lingus que saiu de Dublin com destino a Roma foi desviado para… pic.twitter.com/H2VbgvJDcn
Pouco depois das averiguações iniciais no terminal tcheco, uma aeronave da Wizz Air que seguia em direção a Roma precisou alterar o trajeto e pousar em Veneza, onde equipes em solo isolaram o avião para a inspeção de bagagens e cabine. Situação semelhante ocorreu em Lisboa após o pouso de um voo da Ryanair procedente da capital italiana, momento em que viaturas policiais cercaram a pista para checagens adicionais.
Na Dinamarca, forças policiais abriram inquérito para apurar intimidações contra a circulação aérea no aeroporto de Copenhague. A administração local manteve os pousos e decolagens sob vigilância após constatar a ausência de riscos imediatos para funcionários e passageiros.
Na França, o gabinete do primeiro-ministro confirmou que quatro alertas distintos tiveram como alvo aeronaves sobrevoando o espaço aéreo do país, todas direcionadas para pousos sem incidentes. A repetição do método de intimidação acentuou as suspeitas de uma estratégia ampla de sabotagem direcionada contra países que prestam apoio à defesa da Ucrânia.
Em declaração pública, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, apontou que a semelhança entre as ocorrências descarta a possibilidade de mero acaso. “A hipótese mais razoável é que estamos diante de uma tentativa de agressão híbrida e de uma forma de guerra psicológica”, afirmou o chanceler espanhol, enfatizando a necessidade de preparação institucional para novas ofensivas desse porte.
A análise coincide com a avaliação de gabinetes de inteligência, que acompanham ações de baixo custo financeiro voltadas a gerar custos logísticos e pânico social no continente. Investigações conduzidas em terminais de Roma e Milão detectaram e-mails enviados a companhias aéreas em nome de uma organização denominada Male State, criada na Rússia em 2016 e banida pelo Judiciário daquele país.
O responsável pela fundação original da entidade negou a existência atual da sigla e qualquer envolvimento com o disparo dos comunicados de crise. Polícias de ao menos quatro países continuam o cruzamento de endereços digitais e registros de conexão para rastrear a origem das mensagens enviadas aos controladores e companhias aéreas.
As autoridades da aviação civil na Europa mantêm canais diretos de alerta entre bases militares e operadores privados para responder a novos desvios enquanto prosseguem as diligências criminais.
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