Ameaça de desistência e aproximação com aliados de rival: corrida ao Senado leva tensão para Campos e Lyra em Pernambuco - QTU Questões do Universo

Ameaça de desistência e aproximação com aliados de rival: corrida ao Senado leva tensão para Campos e Lyra em Pernambuco

Fonte: Bandeira da fonte

A corrida pelo Senado em Pernambuco é motivo de tensão tanto na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD) quanto na de João Campos (PSB).
Com o crescimento da candidata à reeleição nas pesquisas, a busca por aproximação a aliados do grupo político rival, o temor de um escanteio durante a campanha e ações para aumentar ou frear a nacionalização da disputa movimentam os dois lados da disputa estadual.

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Candidato à reeleição e membro da chapa de Campos, o senador Humberto Costa (PT) investe no diálogo com aliados da governadora.
Nas redes sociais, o petista publicou um vídeo, na semana passada, ao lado da deputada estadual Socorro Pimentel (PSD), líder do governo Lyra na Assembleia Legislativa (Alepe).

A consolidação do apoio de prefeitos aliados de Lyra é outra estratégia da campanha de Costa — um trabalho de atração de lideranças municipais construído pelo petista ao longo do atual mandato.
A candidatura do petista tem, por exemplo, o aval de Rodrigo Pinheiro (PSD), prefeito de Caruaru, berço político da governadora.

A chapa de Campos também é composta por Marília Arraes (PDT), prima do ex-prefeito do Recife.
A pedetista vem atuando nos bastidores para “não dar espaço para passarem a perna” em sua candidatura ao Senado caso Campos não demonstre reação nas pesquisas.

Parte do principal clã político de Pernambuco, o filho do ex-governador Eduardo Campos e a neta de Miguel Arraes haviam rompido na eleição à prefeitura da capital em 2020, quando disputaram entre si.
Seis anos depois, os primos integram a mesma chapa, em um movimento de reaproximação política, mas não pessoal.

Um cenário no qual Marília é eleita e Campos não poderia modificar a relação de forças política dentro da família, o que motiva o temor da candidata ao Senado de ter a postulação desprestigiada internamente.
Ela avalia, entretanto, que a capilaridade com lideranças do interior pesa a seu favor, considerando que a base política do primo está concentrada na capital.

Interlocutores de Campos negam a existência de atrito com os demais membros da chapa.

Ameaça de desistência e atrito em federação
Do lado de Lyra, a definição da chapa ao Senado foi concluída de última hora.
O motivo foi o conflito pela escolha do nome que representaria a federação União-Progressistas.
Enquanto o PP defendia o deputado Eduardo da Fonte, o União Brasil pressionou para que o escolhido fosse o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho.

Coelho era o preferido da governadora para a vaga, mas acabou preterido pela federação, que optou por Eduardo da Fonte.
O ex-prefeito chegou a negociar um espaço na chapa de Campos.
Depois disso, o União Brasil selou o apoio à governadora.

A chapa é formada também pelo deputado Túlio Gadelha (PSD), em um aceno ao lulismo no estado.
O parlamentar, que filiou-se ao partido da governadora para a disputa, teve a postulação oficializada apenas um dia após indicar que poderia desistir da corrida pelo Senado.
Gadelha nega que tenha ameaçado deixar a disputa.

Interlocutores do Palácio do Campo das Princesas afirmam, sob reserva, que Gadelha indicou na que deixaria a disputa após o ex-secretário de Mobilidade André Teixeira ter recusado a suplência.
A participação de Teixeira era tratada como um pressuposto pelo deputado para se lançar ao Senado.

O posicionamento surpreendeu a governadora.
A situação foi pacificada no mesmo dia, quando Gadelha se reuniu com Lyra e disse que manteria a candidatura ao Senado.
A estratégia visa consolidar a capilaridade política do deputado para uma candidatura à prefeitura do Recife em 2028.

Outro ponto sensível para Lyra é a associação com o deputado bolsonarista Mendonça Filho (PL).
O candidato ao Senado tem comparecido a eventos de campanha da governadora e utilizou, na semana passada, uma camisa com a estampa “Raquel Lyra Futebol Clube”.

Essa vinculação vem sendo explorada pela campanha adversária, que apresenta Mendonça Filho como uma espécie de terceiro candidato ao Senado da rival.
A estratégia de associar a atual ocupante do Palácio do Campo das Princesas ao bolsonarismo visa nacionalizar a campanha.

Campos e Lyra disputam o voto de eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que alcançou 66,9% dos votos no estado no segundo turno de 2022.
O petista apoia o ex-prefeito do Recife e gravou materiais de campanha, mas não deve ir ao estado durante a campanha.

Interlocutores da governadora afirmam que a participação de Mendonça Filho em agendas não tem o aval de Lyra.
Eles ressaltam que o bolsonarista não vem subindo com ela nos palanques.