O cinema produzido na Amazônia brasileira amplia sua presença no circuito internacional. O curta-metragem "Amazônia Xamã", dirigido pelo empresário e cineasta amapaense Rodrigo Pedroza, acaba de conquistar o prêmio de Melhor Filme de Ficção Científica no Indo New York International Filmfare Awards (INIFA).
Com o novo reconhecimento, a produção chega à marca de 59 prêmios internacionais. A trajetória da obra também ganha um novo capítulo com seu convite para o Palm Springs Film Awards, nos Estados Unidos.
O projeto consta na categoria de curta-metragem, que prevê uma oportunidade de qualificação para o Oscar ao filme vencedor. Conforme o regulamento da competição, o ganhador de Melhor Curta terá direito a uma exibição comercial custeada pelo evento durante sete dias consecutivos em um cinema de Nova York, etapa que poderá permitir a busca pela elegibilidade à premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Lançado em dezembro de 2025, em Macapá (AP), "Amazônia Xamã" apresenta uma narrativa de ficção científica ambientada em um futuro distópico, no qual robôs garimpeiros e máquinas madeireiras assumem a exploração da floresta, substituindo a ação humana na devastação dos recursos naturais.
Em meio a esse cenário, a figura do cacique Raoni representa a resistência dos povos originários e a defesa dos territórios, da cultura e dos conhecimentos ancestrais. A obra estabelece um contraste entre o avanço tecnológico e os saberes tradicionais, propondo uma reflexão sobre a repetição de ciclos históricos de exploração e colonialismo.
Ao transportar conflitos que atravessam a história da Amazônia para um cenário futurista, o filme questiona até que ponto a tecnologia pode reproduzir antigas estruturas de poder e quais caminhos ainda podem ser construídos para preservar a floresta e seus povos. Produzido no Amapá, o curta também se destaca pela participação de artistas locais, com elenco formado majoritariamente por profissionais do estado.
A proposta de levar uma narrativa amazônica ao cinema internacional é parte central do projeto, que busca apresentar a região para além das representações tradicionais sobre a floresta, dando protagonismo às suas histórias, identidades e questões sociais. Crédito: Divulgação/Amazônia Xamã
PressWorks Para Pedroza, a realização do filme está diretamente ligada à necessidade de ampliar o espaço das narrativas produzidas na região.
"Amazônia Xamã nasceu de uma necessidade de falar sobre a Amazônia a partir de um lugar de pertencimento", afirma o cineasta. Ao longo de sua circulação, a produção já recebeu reconhecimentos em festivais realizados em países como Estados Unidos, Inglaterra, França, Itália, México, Grécia e Índia.
Entre as premiações anteriores estão Melhor Filme e Melhor Direção no Nature Without Borders International Film Festival, nos Estados Unidos, e Melhor Filme no festival AIMAFF, em Atenas, na Grécia, além de reconhecimentos nas categorias de ficção científica e direção. Com 59 prêmios internacionais, "Amazônia Xamã" segue ampliando a visibilidade do audiovisual amapaense e levando ao circuito internacional uma história que conecta ficção científica, identidade amazônica, memória e resistência dos povos originários.
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