Alvos de investigações dos EUA usavam codinome

Alvos de investigações dos EUA usavam codinome 'Iphone' para falar sobre envio de drogas e 'bomba' para celulares irrastreáveis, diz PF

Fonte: Bandeira



A Polícia Federal interceptou uma série de mensagens trocadas entre uma suposta quadrilha de doleiros e traficantes que atuavam em pelo menos oito cidades norte-americanas: Houston, Chicago, Denver, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles.

Nos diálogos, os alvos utilizam o codinome "Iphone" para se referir ao envio de remessas de droga, "bomba" e "gelado" para tratar de celulares não rastreáveis e as cores "branca", "verde" e "azul" para indicar quais modalidades de investimento deveriam ser realizadas com o dinheiro ilícito.


O grupo foi alvo na sexta-feira de mandados de prisão e busca e apreensão na Operação Exchange, que investiga uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas por meio de criptomoedas.

Entre eles, está Victor Henrique de Oliveira Shimada e Ygor Fokin Saviolli, apontados como "coordenadores logísticos e financeiros do grupo".


Shimada foi sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ele consta como forafido da Justiça após ser alvo de um mandado de prisão expedido pela Justiça Federal de São Paulo.

Já Saviolli chegou a ser detido no aeroporto de Fort Lauderdale, nos EUA, em outubro de 2023 — a apreensão do celular dele na ocasião levou ao avanço das investigações.


Em uma mensagem interceptada pelas autoridades, Saviolli diz a um interlocutor para devolver "6 Iphones", que, segundo a PF, corresponderia a uma carga de haxixe exibida em fotos.


"Ele devolve os 2.5 eu devolvo os 6 iPhones", escreveu ele.

Em outro diálogo, ele fala supostamente sobre o envio de dinheiro após participar de uma reunião na Colômbia.


"Fiz outra reunião hoje mais cedo na Colômbia, aqui o cara falou se prepara, hein, tem 2m só em Houston pra tirar, Chicago tem mais 5, irmão, você é louco, vai ter que se preparar".


Segundo a PF, as mensagens fazem referências a milhões oriundos do tráfico internacional e transferidos por meio de criptoativos.

Os integrantes também usavam "termos cifrados", como as cores "branca", "verde" e "azul" para definir diferentes modalidades de investimento.


Segundo a PF, uma planilha compartilhada por Shimada especifica datas, cidades norte-americanas, provedores, valores solicitados, valores contados e taxas de câmbio.


Ao anunciar as sanções contra brasileiros na última quarta, o governo americano descreveu Shimada como responsável por um esquema que lavou mais de US$ 30 milhões (o equivalente a R$ 155 milhões, na cotação atual) provenientes de atividades criminosas realizadas em diversas cidades americanas.

Em outras mensagens, uma interlocutora diz ao alvo da PF que está usando uma linha de celular "bomba", Segundo as investigações, essa definição é usada para designar aparelhos sem vínculo com um usuário real — ou seja, o que dificulta o rastreamento feito por investigadores.


A defesa de Shimada afirmou, em nota que "ainda não dispõe de acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentaram as medidas adotadas" e que, por isso, "qualquer manifestação sobre os fatos ou sobre o objeto da investigação seria precipitada".

Na nota, o advogado afirma que fará a análise técnica do caso e adotará medidas judiciais cabíveis "tão logo tenha acesso aos autos e às informações oficiais".