O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) negou ser dono da Transwolff, empresa de ônibus que teria infiltração do crime organizado, e disse que irá se apresentar às autoridades em até 24 horas. Ele é alvo de mandado de prisão no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (17), que mira o controle financeiro e operacional do Primeiro Comando da Capital (PCC) sobre 12 empresas de ônibus com indícios de fraudes sistemáticas em licitações.
Leia mais: Milton Leite é alvo de operação contra infiltração do PCC no sistema de transporte de SP Ao GLOBO, Leite afirmou por telefone que está "viajando" e que foi "surpreendido com o mandado de prisão", que foi recebido por sua advogada. Ele não informou a cidade onde está.
— Nego veementemente qualquer acusação, não sou dono da empresa, só tinha relação porque era próximo lá. Não tenho nada a ver com PCC, nunca encontrei esse pessoal na vida. Não havia sido intimado a depor, e fui surpreendido com o mandado de prisão. Minha advogada esta em São Paulo e recebeu a intimação. Não estou em São Paulo, eu estou viajando mesmo, não vou falar a cidade para não virem me buscar. Eu preciso de 24 horas para organizar a defesa — falou.
A operação desta quinta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) cumpre 16 mandados de prisão e outros 18 de busca e apreensão. A ação também mira a chamada "sintonia dos gravatas", núcleo de advogados suspeito de atuar diretamente nos crimes e na legitimação dos interesses da organização criminosa. De acordo com a apuração, a facção criminosa teria criado um chamado “núcleo político”, destinado a acessar recursos públicos e ampliar seus negócios. Entre as estratégias identificadas estariam o apoio e o financiamento de candidaturas alinhadas aos interesses da organização. Um dos políticos mais influentes da política paulistana, Milton Leite deixou já foi vereador por sete mandatos, e presidiu a Câmara Municipal em quatro oportunidades. No ano passado, após o fim de seu último mandato como vereador, ele decidiu não concorrer mais a cargos eletivos.
Mas isso não significa a saída da vida política, já que ele segue presidindo o diretório municipal do União Brasil em São Paulo e o diretório estadual da da Federação União Progressista (UP), que reúne o partido e o Progressistas (PP). Seu filho Alexandre Leite é deputado federal e é candidato a deputado estadual, enquanto seu outro filho, Milton Leite Filho, tenta se eleger deputado federal.
O Globo