Aluno de Madureira recoloca Rio em olimpíada internacional de química após seis anos
Entre fórmulas, apostilas e uma rotina intensa de estudos na Tijuca, um estudante vindo de Madureira recolocou o Rio em uma competição internacional de química após seis anos sem representantes do estado. Aos 17 anos, Fausto Rodrigues Santos, do Pensi Tijuca 2, integrou a delegação brasileira na Olimpíada Internacional Mendeleiev de Química, disputada em abril, em Moscou, na Rússia.
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Considerada uma das competições científicas mais exigentes do mundo, a disputa reúne estudantes de dezenas de países em provas teóricas e práticas de alto nível. Para chegar lá, Fausto enfrentou cerca de três anos de preparação e uma longa sequência de etapas eliminatórias até alcançar o top 9 nacional.
— Para chegar a uma internacional de química, normalmente são três anos de preparação. Aqui no Rio, você faz a estadual, depois a nacional e, em seguida, a seletiva internacional. Para chegar em Mendeleev, era preciso ficar por volta do top 120 no nacional e depois no top 10 da seletiva — explica.
No último ano, Fausto terminou como top 1 do Rio de Janeiro e garantiu a vaga na delegação brasileira. Atualmente morando no alojamento da escola, ele mantém uma rotina que chegou a incluir de seis a sete horas diárias de estudo de química, além de aulas práticas em laboratório, resolução de simulados e uso de inteligência artificial para otimizar o aprendizado.
— Não tenho tempo para ler todos os livros. Então, meus estudos passaram a ser muito baseados em correção de questões, simulados e uso de IA para focar nos erros e conteúdos específicos — conta.
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A preparação também contou com apoio do colégio, acompanhamento de professores e estudos com livros de graduação. Para a etapa prática da competição, Fausto começou a fazer aulas de laboratório no Instituto Federal Rio de Janeiro (IFRJ).
— O colégio me deu todo o apoio necessário para eu conseguir avançar da parte estadual para a nacional. Tive acompanhamento de professores, material bem feito e ajuda de muita gente no alojamento — diz.
Fausto participou também da Olimpíada Brasileira de Física e desenvolve projetos voltados à educação. Entre eles, a Soel, iniciativa criada para ajudar estudantes a se destacarem em olimpíadas acadêmicas e no ensino médio; e um sistema de gestão de aprendizado voltado para escolas públicas.
A notícia de que representaria o Brasil veio durante viagem de volta ao Rio, enquanto aguardava o resultado da seletiva internacional.
— O resultado saiu quase 23h30, e eu estava dentro do ônibus. Minha namorada estava dormindo no meu peito e comecei a conferir a tabela pelo número de sigilo. Quando vi que tinha ficado no top 10, foi uma felicidade inigualável. Na hora, mandei mensagem para os coordenadores e para o pessoal do alojamento — relembra.
Fausto destaca que a participação teve um significado especial não só para ele, mas para o estado:
— Faz seis anos que o Rio de Janeiro não enviava ninguém para uma competição internacional de química. Representar o estado foi muito especial para mim e mostrou que os estudantes cariocas também podem voltar a se destacar nesse tipo de competição.
Embora não tenha conquistado medalha individual, Fausto integrou a delegação brasileira que trouxe, ao todo, três medalhas.
Mesmo diante do alto nível da disputa, o jovem diz que nunca deixou a origem limitar suas expectativas:
— Eu vim de Madureira, de um lugar que não tem muitos recursos. E ainda assim consegui chegar na internacional. Meu objetivo sempre foi mostrar que o Rio de Janeiro é capaz de voltar a conquistar espaço nesse cenário.
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