Altitude, clima ameno e mercado ‘premium’: por que as frutas vermelhas ganham espaço na Chapada Diamantina
Conhecida pela produção de cafés especiais, hortaliças e flores, a Chapada Diamantina, no interior da Bahia, tem chamado a atenção como um território de experimentação agrícola, como no cultivo de frutas vermelhas. A produção é pequena, mas avança aos poucos, impulsionada pelo clima favorável, adaptação do manejo de clima temperado às condições locais e mercado de frutas premium em expansão.
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O produtor Javier Marciel, que cultiva 113 hectares de mirtilo na região serrana do Rio, decidiu investir numa fazenda de 150 hectares totalmente dedicada ao cultivo da fruta, na cidade de Piatã, na Chapada Diamantina.
Ele conta que o plantio será de clones das variedades de mirtilo que já usa no Rio e que não precisam de muito frio. O produtor buscou orientação sobre variedades da planta e clima na Embrapa Clima Temperado e viajou ao Peru, país que é o maior exportador de mirtilos do mundo, para conhecer técnicas de manejo.
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De 2010 pra cá, os peruanos descobriram que era possível cultivar mirtilos na desértica costa do país e aprimoraram as técnicas agrícolas.
— A Chapada tem condições favoráveis de solo e clima. O desafio é o acesso à água. Por isso, faremos as instalações aos poucos, por um manejo responsável dos recursos hídricos. A região possui água subterrânea de boa qualidade e nosso acesso progressivo está regulamentado — diz Maciel.
Javier Maciel cultiva 113 hectares de mirtilo na região serrana do Rio
Arquivo pessoal
O preparo da terra começou há dois anos. Hoje, 20 hectares já foram plantados. A expectativa é que os 150 hectares estejam em produção em 5 anos.
Levantamentos técnicos agrícolas da Seagri-BA (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia) indicam que a Chapada Diamantina produz de 200 a 400 toneladas anuais de morango, concentradas nos municípios de Mucugê, Ibicoara e Morro do Chapéu.
Amora-preta e framboesa aparecem em projetos menores, muitas vezes associados à produção de alimentos artesanais, como geleias, com pouco menos de cem toneladas ao ano. O mirtilo foi a última fruta a integrar o time, mas já figura no radar de produtores tecnificados, devido ao alto valor de mercado, segundo a Seagri.
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O agrônomo da Seagri, Paulo Sérgio Ramos, conta que uma das estratégias avaliadas é o fornecimento de estruturas coletivas e unidades-piloto que permitam aos pequenos produtores acessarem tecnologias novas — como o cultivo de morango suspenso.
Em Ibicoara, a agricultora Isabel Fernandes da Costa apostou na amora-preta como alternativa às hortaliças:
— Parte da produção enviamos para indústria e parte fica aqui, para produzirmos geleia artesanal, que vendemos para turistas ou alguns comércios.
