Alta no preço dos combustíveis e alimentos eleva a inflação de março, como reflexo do conflito no Oriente Médio
Os conflitos entre Estados Unidos e Irã, no Oriente Médio, que levaram a altas significativas no preço do petróleo nas últimas semanas, já mostram seus reflexos na inflação do Brasil. O índice subiu 0,88% em março, após alta de 0,70% em fevereiro, puxado por um encarecimento de alimentos e combustíveis.
O número veio acima do esperado por analistas de mercado, que projetavam 0,77%, segundo mediana calculada pela Bloomberg. Os resultados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foram divulgados nesta sexta-feira, pelo IBGE.
Com a alta, o índice acumulado no ano ficou em 1,92%, enquanto o acumulado nos últimos 12 meses subiu para 4,14%, acima dos 3,81% registrados nos 12 meses anteriores. Em março do ano passado, a inflação foi de 0,56%.
Especialistas acreditam que a alta nos alimentos em março já é reflexo dos aumento dos custos o frete, por conta do encarecimento de combustíveis derivados do petróleo com a guerra no Oriente Médio. Juntos, os alimentos e combustíveis responderam por 76% da inflação do mês.
Em alguns subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente o efeito das incertezas no cenário internacional, disse Fernando Gonçalves, gerente do IPCA.
O grupo de transportes foi o principal responsável por puxar a alta no mês, impulsionado pelo preço da gasolina, que subiu 4,59%, com impacto de 0,23 pontos percentuais na inflação do mês. O grupo também foi pressionado pelas altas das passagens aéreas (6,08%) e do diesel (13,90%), que possuem menor impacto, devido aos menores pesos no índice geral.
Já no grupo de alimentação e bebidas, os principais aumento nos preços foram registrados no leite longa vida (11,74%) e no tomate (20,31%). Juntos, esses cinco subitens foram responsáveis por 0,43 pontos percentuais — quase a metade — do IPCA de março.
