Alta do petróleo por causa da Guerra no Irã preocupa governo, que teme impacto na inflação em ano eleitoral
A instabilidade no preço internacional do petróleo, efeito colateral da guerra no Oriente Médio, tem preocupado o governo Lula, que monitora a alta da commodity energética e teme fortes subidas, que pressionariam a inflação no Brasil em ano eleitoral.
Gasolina, diesel e querosene de aviação: combustíveis sobem à medida que a guerra no Irã estrangula o fornecimento
Saiba mais: Defasagem do preço do diesel chega a 85% e da gasolina a 49%, com disparada do petróleo
Nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou a recente escalada dos preços do barril de petróleo e a guerra. Durante a visita oficial do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, ao Brasil, Lula disse que conflitos armados no Oriente Médio “produzem efeitos sobre as cadeias de energia e alimentos”, o que pune os mais vulneráveis.
— O preço do petróleo está subindo muito e deve subir em todos os países do mundo — afirmou Lula em seu discurso.
De fato, a cotação do barril brent chegou aos US$ 120 na noite do último domingo (ante US$ 72,48 em 27 de fevereiro, véspera do início da guerra) e tem oscilado em meio ao conflito armado desencadeado em 28 de fevereiro com a operação militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, país que é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Nesta segunda-feira, o barril iniciou o dia cotado em US$ 108,25 e fechou o dia em US$ 90,33.
Em resposta aos ataques militares dos EUA e de Israel, o regime iraniano tem bloqueado o transporte no Estreito de Ormuz, considerado estratégico para o escoamento de commodities e bens na região. Pelo local, passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo. Com o bloqueio, a produção do Iraque, outro grande exportador de petróleo, já caiu 70%, de 4,3 milhões de barris diários para 1,3 milhão, segundo agências internacionais.
No Brasil, a Petrobras não repassa toda a volatilidade do preço internacional ao consumidor, mas há entre aliados do governo o receio de que, ante uma eventual subida consistente nos preços do petróleo, a estatal precise reajustar os preços, o que pressionaria a inflação no país. Tudo vai depender da evolução do conflito nas próximas semanas, afirma um aliado de Lula.
Como O GLOBO noticiou, levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), considerando a abertura do mercado de segunda-feira em relação ao fechamento de sexta-feira, mostra defasagem de 85% nos preços do diesel e de 49% nos da gasolina praticados pela Petrobras, em comparação com os praticados no mercado internacional.
