Alta do petróleo: EUA estendem permissão para navios estrangeiros até agosto para conter preços
A gestão do presidente Donald Trump prorrogou por mais 90 dias uma regra que facilita o transporte de petróleo, combustíveis e fertilizantes dentro dos Estados Unidos. A medida é mais uma tentativa da Casa Branca para conter interrupções no abastecimento ligadas à guerra com o Irã.
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A decisão acrescenta cerca de três meses à isenção existente, que expiraria em 17 de maio, permitindo que embarcações de bandeira estrangeira transportem commodities entre portos americanos até meados de agosto.
Em condições normais, a Lei Jones exige que esse tipo de transporte seja feito apenas por navios americanos — construídos, registrados e operados no país. A exceção de Trump suspende temporariamente essas exigências para carvão, petróleo bruto, derivados refinados, gás natural, líquidos de gás natural, fertilizantes e outros derivados de energia.
'Previsibilidade para a economia americana'
A isenção inicial abrangia cerca de 659 produtos específicos identificados pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, e a lista não foi reduzida com a extensão.
“Essa prorrogação oferece previsibilidade e estabilidade para as economias dos EUA e global”, disse Taylor Rogers, porta-voz da Casa Branca. “O governo Trump adotou diversas medidas para mitigar disrupções de curto prazo nos mercados de energia, e essa extensão ajudará a garantir o fornecimento de produtos energéticos vitais, materiais industriais e insumos agrícolas.”
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A isenção, emitida em março, já foi utilizada por navios que transportam uma variedade de produtos, incluindo diesel renovável, petróleo bruto, amônia, etanol e gasolina. As cargas cobertas foram distribuídas por diferentes regiões dos EUA, com entregas na Califórnia, Flórida, Pensilvânia e Carolina do Sul, entre outros estados, segundo relatórios enviados ao governo americano.
Segundo um funcionário da Casa Branca, a decisão de estender a medida três semanas antes do vencimento busca dar tempo suficiente para que o setor marítimo garanta a disponibilidade de embarcações necessárias para manter o fluxo desses produtos.
Guerra no Irã
O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz durante a guerra retirou cerca de 13 milhões de barris diários de petróleo bruto e derivados do mercado global. Isso elevou os preços do petróleo e dos combustíveis e levou compradores a buscar rapidamente novas fontes de suprimento.
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O prazo adicional deve ajudar imediatamente refinarias americanas que dependem de transporte marítimo a garantir cargas de petróleo, inclusive para entregas programadas para julho.
A isenção inicial foi concedida a pedido do Departamento de Defesa dos EUA. Pelas mudanças feitas pelo Congresso há cinco anos para reforçar a Lei Jones, pedidos do departamento só podem ser atendidos quando o governo conclui que não há embarcações qualificadas suficientes para atender às necessidades de defesa nacional e que a medida é essencial para evitar impactos imediatos e adversos em operações militares.
A ação é uma entre várias adotadas por Trump para conter a alta dos preços dos combustíveis e enfrentar preocupações com a oferta, em meio à guerra entre EUA e Israel contra o Irã, que desencadeou uma crise energética global. O governo também flexibilizou temporariamente algumas especificações domésticas de combustíveis e sanções sobre parte do petróleo russo transportado por via marítima.
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Trump e outros altos funcionários dos EUA afirmam que os preços do petróleo e da gasolina devem cair após o fim do conflito com o Irã. Ainda assim, a alta atual representa um risco político para o presidente, a poucos meses das eleições legislativas de novembro, que definirão o controle do Congresso e, consequentemente, boa parte de sua agenda.
Setor se divide sobre a medida
Defensores da medida, incluindo representantes da indústria de petróleo, pressionaram pela extensão, afirmando que a flexibilização facilitou o acesso a combustíveis e permitiu respostas rápidas a mudanças no mercado.
Já apoiadores da Lei Jones alertam há anos que exceções desse tipo enfraquecem o objetivo da legislação de proteger a construção naval e o poder marítimo dos EUA. Segundo Aaron Smith, a prorrogação prejudica o setor ao sinalizar que navios americanos podem ser deixados de lado, afastando investimentos de longo prazo.
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“Estender essa isenção sacrifica a indústria marítima americana e a base da nossa Marinha em benefício de traders de petróleo e transportadores estrangeiros”, afirmou Smith.
Autoridades do governo Trump disseram, sem dar mais detalhes, que a medida não terá impacto sobre a construção naval americana.
