Alta de 5,27% no preço do ovo em 2026 impacta empreendedores do setor alimentício de Belém
O preço do ovo de galinha voltou a subir na Grande Belém no início de 2026. Utilizado como ingrediente essencial em diversas receitas, o alimento tem impactado diretamente o custo de produção de negócios do setor alimentício, especialmente confeitarias. Dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mostram que o produto registrou variação acumulada de 5,27% no ano até fevereiro, com aumento mensal de cerca de 7%. Apesar da alta recente, no acumulado de 12 meses houve queda de 14,57% no valor do alimento.
A gastrônoma Vânia Bordalo, especialista em patisserie e responsável por uma produção artesanal de doces, afirma que o encarecimento do produto já tem reflexos diretos no dia a dia da confeitaria.
“Na verdade, a gente percebeu uma variação de cerca de 25% no preço dos ovos. Isso causa um impacto muito grande na nossa produção, porque praticamente todas as nossas receitas levam esse ingrediente”, afirma.
Segundo ela, itens como bolos, pudins, creme de confeiteiro e diversas sobremesas utilizam ovos na preparação. Mesmo assim, a confeitaria ainda não repassou o aumento ao consumidor.
“Nós ainda não aplicamos reajuste nos nossos produtos. Estamos conseguindo manter os preços por enquanto, mas é claro que em algum momento haverá esse reajuste”, explica.
De acordo com a gastrônoma, a estratégia tem sido equilibrar custos e manter a qualidade das receitas. Ela afirma que não substitui ingredientes por versões mais baratas para evitar perda de padrão nos produtos.
“A gente continua fiel às marcas que usa, tanto de ovos quanto de chocolate ou outros ingredientes. Se a qualidade cair, a gente perde clientela”, diz.
Outro ponto observado pela confeiteira é que, além dos ovos, outros insumos da confeitaria também têm apresentado aumento, como leite condensado e chocolate, o que pressiona ainda mais os custos de produção.
Tamanho do ovo influencia rendimento
Na produção de doces, o tamanho do ovo também faz diferença no rendimento das receitas. Por isso, segundo Bordalo, optar pelo produto mais barato nem sempre compensa.
“Às vezes a pessoa encontra ovos mais baratos, mas eles são menores. Se uma receita pede cinco ovos grandes, por exemplo, eu posso precisar de oito ovos pequenos para chegar ao mesmo resultado”, explica.
De acordo com ela, a confeitaria utiliza ovos extra grandes, justamente para garantir padronização nas receitas. Em dias de maior produção, o consumo pode ultrapassar 200 ovos, o que representa um custo diário entre R$ 200 e R$ 300, dependendo do preço de compra.
“Semana passada eu pagava cerca de R$ 32 na bandeja com 30 ovos. Agora já chegou a R$ 40”, relata.
Preço também pesa para consumidores
Nos supermercados da capital paraense, o consumidor encontra diferentes preços e tamanhos de embalagens. Na segunda semana de março, por exemplo, uma cartela com 20 ovos vermelhos extra chegava a R$ 22,69, enquanto a mesma quantidade de ovos brancos jumbo custava R$ 21,64. Já embalagens menores, como seis ovos brancos extra, eram vendidas por R$ 6,44.
A alta recente também tem sido percebida pelos consumidores. A servidora pública Keila Vale conta que notou o aumento nas últimas compras.
“Pago hoje R$ 24 por uma bandeja com 30 ovos. Antes pagava R$ 21”, relata.
Consumo aumenta em períodos específicos
Segundo o economista Mário Ribeiro, fatores sazonais ajudam a explicar o aumento da procura pelo alimento nesta época do ano. Entre eles estão a retomada das aulas, o retorno da rotina das famílias e o período da Quaresma, quando muitas pessoas substituem a carne por ovos.
“O preço vai ser formado pela oferta e demanda. No caso do ovo, ele é uma commodity primária e perecível, ou seja, não pode ficar muito tempo estocado. Por isso, a produção costuma acompanhar a demanda do mercado”, explica.
De acordo com o economista, como a Quaresma e a volta às aulas são eventos previsíveis, produtores e comerciantes geralmente se preparam para atender o aumento de consumo.
“Os empresários já sabem que nessa época do ano haverá mais consumo por causa da Quaresma e da Páscoa, quando há mais encontros familiares. Então eles ajustam a produção para atender a demanda. O normal é que haja um pequeno aumento, mas nada muito expressivo”, afirma.
Perspectivas para os próximos meses
Para os próximos meses, o comportamento do preço do ovo dependerá de fatores econômicos mais amplos. Segundo o economista Mário Ribeiro, custos de produção, energia e transporte podem influenciar diretamente o valor final do produto.
“Os fatores mais difíceis de prever são os que não dependem das famílias, mas das decisões econômicas e do cenário internacional. Se houver aumento no preço do petróleo, por exemplo, isso pode elevar custos de energia e logística, pressionando a inflação”, avalia.
Ainda assim, ele acredita que, após o período de maior consumo ligado à Quaresma, a tendência é de maior equilíbrio no mercado, desde que não ocorram problemas na produção ou mudanças bruscas nos custos.
Preços nos supermercados
Entre as opções encontradas em grandes redes de supermercados em Belém, na segunda semana de março, estão
Ovo branco extra Avine (6 unidades) — R$ 6,44
Ovo branco (20 unidades) — R$ 19,89
Ovo branco grande gaiola Avine (10 unidades) — R$ 10,64
Ovo branco grande (12 unidades) — R$ 12,25
Ovo branco jumbo Avine (10 unidades) — R$ 11,25
Ovo branco jumbo (20 unidades) — R$ 21,64
Ovo de codorna Avine (30 unidades) — R$ 9,96
Ovo caipira Avine (10 unidades) — R$ 12,65
Ovo vermelho extra (20 unidades) — R$ 22,69
