Alta das mortes no trânsito é impulsionada por uso de motocicletas, aponta Atlas da Violência
Um dos destaques da edição de 2026 do Atlas da Violência são os números de mortes no trânsito, que atingiram a marca de 37.150 ocorrências em 2024. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), entidades responsáveis pelo levantamento, as mortes são impulsionadas pelo aumento do uso de motocicletas, que correspondem a 41,6% dos óbitos.
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O número também é superior ao contabilizado em 2023, quando 34.881 pessoas morreram no trânsito. Em 2019, último ano antes da pandemia, os óbitos atingiram o menor número registrado na série histórica do Atlas da Violência: 31.945 mortes. Cinco anos antes, o cenário era bem pior, e 43.780 ocorrências fatais se derem nas ruas e estradas do país.
Os maiores aumentos de mortalidade no trânsito foram registrados em estados do Norte e do Nordeste. Segundo os pesquisadores do Atlas da Violência, o fenômeno tem relação com o crescimento do uso de motocicletas pelas parcelas mais pobre da população na busca de trabalho. Problemas de infraestrutura e gestão de trânsito também ajudam a explicar os números.
Um dos autores do Atlas da Violência, o pesquisador Daniel Cerqueira avalia que os aplicativos de entrega e transporte contribuíram de forma negativa para a retomada do crescimento desses óbitos:
— São vários ingredientes. A motocicleta é um meio que coloca as pessoas em situação muito vulnerável. E são jovens em situação economicamente vulnerável que correm para ganhar um pouco mais.
"Com um valor de 17,5 mortes por 100 mil habitantes em 2024, o país voltou aos níveis de mortalidade de meados da década passada. Este valor é menor que os recordes históricos do passado, superiores a 20 mortes por 100 mil habitantes, mas a preocupação é que esse número está voltando a subir rapidamente", destaca o Atlas da Violência.
