Alta da cesta de alimentos no Rio de Janeiro em março foi puxada por tomate, batata e feijão. Entenda
O preço da cesta básica no Rio de Janeiro foi de R$ 867,97 em março, alta de 4,96% em relação a fevereiro, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Com o resultado, a capital fluminense passou a ter a segunda cesta mais cara entre as 27 capitais brasileiras, todas com aumento no período. Dos 13 produtos que compõem a cesta no Rio, nove registraram elevação nos preços médios nesse intervalo, com destaque para tomate, batata e feijão preto.
Apesar da alta mensal de 4,42% entre fevereiro e março, o feijão preto acumula aumento de 9,46% no ano no Rio de Janeiro. Segundo o economista do FGV Ibre, Matheus Dias, o movimento é explicado pela maior demanda da indústria e pela oferta limitada, afetada por eventos climáticos.
— Tem havido uma demanda maior da indústria, e isso acaba chegando ao varejo. Além disso, na primeira safra (no início do ano) tivemos uma oferta mais restrita, o que contribuiu para a manutenção dos preços em patamar elevado. Esse cenário foi provocado por condições climáticas, e não por problemas logísticos — explica.
Mesmo com a alta recente, o preço está abaixo do registrado há um ano. De acordo com o Dieese, nos últimos 12 meses houve queda de 19,23%. Ainda assim, segundo Dias, a expectativa é de continuidade no movimento de alta ao longo do ano, diante da previsão de ocorrência do El Niño.
— Há expectativa de entrada em um período de eventos climáticos associados ao El Niño, o que pode dificultar as safras. Pode haver intensificação de secas ou enchentes em algumas regiões do Brasil e do mundo, o que acende um alerta em relação aos preços. Esse movimento de alta tende a se manter ao longo do ano — afirma.
Movimento sazonal
O preço do tomate subiu 30,59% no Rio no último mês, com a alta chega a 123,06% no ano. No acumulado em 12 meses, o aumento é de 13,58%. Segundo o economista, a elevação já era esperada, já que o produto é sensível às altas temperaturas típicas do verão, mas veio acima do previsto.
— É comum que o tomate apresente aumento de preço no início do ano, por ser sensível às variações de temperatura. Por conta disso, acaba tendo desaceleração da safra e redução da oferta. O que não era esperado era um nível tão elevado de restrição — diz.
A batata também apresentou alta expressiva, de 17,91% na comparação mensal. No acumulado do ano, o aumento é de 13,79%, e, em 12 meses, de 16,97%. Assim como o tomate, trata-se de um hortifrúti mais sensível, por ter ciclo de produção mais curto, aponta Dias:
— O arroz, por exemplo, costuma ser plantado no Rio Grande do Sul por volta do último trimestre pra ser colhido no início do ano e, quando você colhe, normalmente já colhe quase todo o volume correspondente ao ano inteiro, o que dá uma maior previsibilidade. Já com os hortifrutis, justamente por terem ciclos mais rápidos, existe essa volatilidade. Isso ajuda a explicar um pouco — exemplifica.
Para os próximos meses, a expectativa é de que, com a transição de estação, haja uma normalização dos preços. No entanto, Dias destaca que esse movimento pode ser limitado pelo aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes, em meio aos impactos da guerra no cenário internacional.
— O aumento dos fertilizantes pode ser repassado ao consumidor final. Todos esses produtos devem ser afetados em alguma medida — conclui.
Confira a variação dos prços dos itens da cesta básica no Rio
Entre fevereiro e março de 2026
Tomate: 30,59%
Batata: 17,91%
Feijão preto: 4,42%
Leite integral: 4,18%,
Banana: 2,30%
Manteiga:1,67%
Pão francês: 1,32%
Carne bovina de primeira: 1,26%
Farinha de trigo: 0,82%
Café em pó: -3,16%
Arroz agulhinha: -2,63%
Açúcar refinado: -0,74%
Òleo de soja: -0,38%
Acumulado do ano
Tomate: 123,06%
Batata: 13,79%
Feijão preto: 9,46%)
Carne bovina de primeira: 5%
Pão francês: 3,87%
Leite integral: 2,91%.
Óleo de soja: -8,13%
Café em pó: -7,94%
Açúcar refinado: -7,34%
Banana: -6,94%
Arroz Agulhinha: -5,13%
Farinha de trigo: -0,41%
Manteiga: -0,14%
Últimos 12 meses
Batata: 16,97%
Tomate: 13,58%
Carne bovina de primeira: 9,16%
Pão francês: 7,83%
Banana: 2,94%
Arroz agulhinha: -29,81%
Feijão preto -19,23%
Açúcar refinado -11,60%
Café em pó: -7,77%
Farinha de trigo: -5,22%
Leite integral: -4,54%
Manteiga: -3,85%
Óleo de soja: -1,14%
