Alpinista morre após cair de 600 metros em vulcão no Chile durante comemoração de aniversário

Alpinista morre após cair de 600 metros em vulcão no Chile durante comemoração de aniversário

 

Fonte: Bandeira



As comemorações do aniversário de 42 anos da alpinista Ingrid Daniela Vera Figueroa terminaram em tragédia no domingo (17), após ela cair de cerca de 600 metros durante uma escalada no vulcão Llaima, no Parque Nacional Conguillío, no sul do Chile. A montanhista participava da expedição ao lado de amigos quando sofreu o acidente em uma área íngreme da montanha, considerada uma das mais desafiadoras do país.

Segundo relatos de pessoas que estavam no grupo, Ingrid tirava fotografias durante a subida quando deixou cair o piolet, ferramenta utilizada em escaladas no gelo e na neve, perdeu o equilíbrio e despencou em um barranco. Amigos acionaram imediatamente os serviços de emergência, mas o resgate foi prejudicado pelas condições climáticas adversas, com ventos fortes impedindo a aproximação de helicópteros.

Poucas horas antes da escalada, Ingrid havia publicado uma mensagem nas redes sociais relatando os preparativos para a subida ao vulcão, que possui mais de 3 mil metros de altitude e é um dos mais ativos do Chile.

— São três da manhã e estamos terminando de arrumar nossas mochilas para subir o Llaima. Espero que Deus me acompanhe neste dia maravilhoso, em que completo 42 anos e estou muito feliz — escreveu ela. Em seguida, acrescentou: — Sim, tenho algumas dúvidas sobre o que vai acontecer.

Resgate foi concluído apenas no dia seguinte

A morte da alpinista foi confirmada ainda na noite de domingo, mas o corpo só pôde ser retirado da montanha na manhã de segunda-feira, após uma operação conjunta envolvendo policiais, bombeiros, voluntários e agentes da National Forest Corporation (Conaf).

O diretor regional da Conaf, Héctor Tillería, afirmou que o grupo não havia realizado o registro prévio obrigatório junto às autoridades do parque, procedimento exigido para monitoramento e segurança dos visitantes. Ele alertou ainda para as temperaturas abaixo de zero registradas na região e para os riscos das trilhas de alta montanha nesta época do ano.

Ingrid morava em Villarrica, era mãe de dois filhos e integrava o conselho escolar da Escola Alexander Graham Bell. Em nota, representantes da instituição a descreveram como uma mulher “responsável, gentil e dedicada”. A comunidade local prestou condolências ao marido, aos filhos e aos amigos da vítima.

O acidente reacendeu o debate sobre os perigos das escaladas em vulcões turísticos. Há um ano, um turista argentino desapareceu por horas ao tentar subir o mesmo vulcão em condições extremas antes de ser resgatado. O caso também lembra a morte da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, que caiu de cerca de 600 metros durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, em junho do ano passado. A jovem, moradora de Niterói, ficou presa na encosta por quase quatro dias até que equipes de resgate localizassem seu corpo com auxílio de drones térmicos, em meio ao mau tempo e ao terreno de difícil acesso.