Alopecia androgenética nas mulheres: Maiara compartilha experiência e especialistas falam sobre tratamentos eficazes

 

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A decisão de aparecer sem lace e falar abertamente sobre a própria queda capilar colocou Maiara no centro de um debate que ainda carrega silêncio, culpa e vergonha para muitas mulheres. Em um vídeo publicado nas redes sociais, a cantora relatou como a alopecia androgenética afetou não só seus fios, mas também sua relação com o espelho, a autoestima e a vida social.

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O desabafo, direto e sem filtros, escancarou uma realidade comum — e pouco discutida — fora dos consultórios médicos.

"O meu cabelo foi caindo, foi quebrando com alguns métodos e algumas formas que usei. Eu cheguei num ponto onde eu já não tinha mais cabelo. O bulbo não tinha mais em alguns lugares. Eu não conseguia ligar a luz, não queria olhar no espelho. Não queria ver ninguém", disse a artista, ao mostrar o crescimento atual dos fios. "Eu tenho 38 anos e estou com o meu cabelo dos meus 5 anos. Isso para mim é uma grande vitória", completou.

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Embora frequentemente associada aos homens, a alopecia androgenética também atinge mulheres e, segundo especialistas, costuma ter um impacto emocional ainda mais profundo.

"A alopecia androgenética é uma condição que gera um grande impacto emocional nas mulheres. Existem vários graus da doença e a exposição do couro cabeludo é determinada pela gravidade, mas a mulher raramente fica com a careca lisa e brilhante como a do homem", explica a médica Lilian Brasileiro.

Nas mulheres, os sinais costumam surgir de forma mais sutil e progressiva. "A primeira impressão é que o cabelo perdeu peso, volume e já não cresce mais, até que progressivamente a rarefação chega ao ponto de expor ou esboçar o esbranquiçado do couro cabeludo", afirma a especialista.

Segundo ela, o afinamento costuma se concentrar no topo da cabeça e ao longo da risca central, mas também pode aparecer de forma difusa, sem falhas bem delimitadas. "O ideal é procurar ajuda assim que notar que o cabelo está caindo demais e algumas áreas estão mais vazias", orienta. "No geral, após receber o diagnóstico, o tratamento geralmente é para toda vida e o objetivo é engrossar os cabelos finos, impedir que os fios que ainda estão saudáveis também se afinem e, principalmente, manter os folículos vivos", acrescenta.

A partir do diagnóstico, o tratamento é individualizado e pode combinar diferentes abordagens. "O plano de tratamento pode incluir, por exemplo, estratégias como o uso de medicações tópicas e orais, como o famoso Minoxidil, e suplementação de polivitamínicos e poliminerais, que atuam diretamente no calibre e sustentação do fio, promovendo aumento da densidade geral do cabelo", explica o médico Marcelo Nogueira.

Entre os suplementos utilizados está o Exsynutriment, um silício estabilizado em colágeno marinho. "Exsynutriment é importante para os cabelos, pois um folículo piloso nutrido com silício e embebido em colágeno irá promover um incremento na produção de queratina fortalecendo os fios, evitando a queda e proporcionando mais resistência e elasticidade", afirma a farmacêutica Patrícia França.

Além de medicamentos e suplementação, tecnologias avançadas têm ampliado as possibilidades de tratamento. Um exemplo é a radiofrequência microagulhada Megaderme Duo. "Ele conta com um sistema de microagulhas extremamente finas, que vão agir no nível do bulbo capilar com energia de radiofrequência extremamente baixa para estimular sem atrofiar. Esse que é o grande diferencial", afirma o dermatologista Abdo Salomão Jr.

A técnica também facilita o drug delivery, permitindo a aplicação de ativos diretamente no couro cabeludo. "Essa técnica é versátil e pode beneficiar o tratamento do afinamento capilar senil e por calvície, pode ser usada no tratamento da alopecia areata para injetar ativos e medicações diretamente na raiz do pelo, para melhorar o crescimento e recuperação de quadros pós-queda e pode ser uma estratégia para melhorar o crescimento dos fios", destaca.

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Outra abordagem citada é o uso de exossomos por meio do Exocube, dispositivo que utiliza o próprio sangue do paciente.

"Além de serem grandes aliados em casos de alopecia androgenética e outras forma de queda, estimulando o crescimento de novos fios e melhorando a densidade capilar, os exossomos também contribuem com a saúde do couro cabeludo e promovem hidratação dos fios, tornando-os mais fortes e brilhantes", esclarece a Dra. Lilian Brasileiro. Ela ressalta a segurança do método: "Os exossomos obtidos são autólogos, isto é, derivados das células do paciente. Dessa forma, o risco de reação imune é mínimo e não há chances de infecções e transmissão de doenças. É muito seguro."

Em casos selecionados, o transplante capilar pode ser indicado para mulheres. "Além de homens com alopecia androgenética, mulheres com a condição também se beneficiam do transplante capilar", diz o Dr. Marcelo. Segundo ele, técnicas mais modernas, como o método No Shave, permitem implantar os fios sem raspar o cabelo. "Essa é uma evolução da técnica FUE, em que os fios são extraídos individualmente por meio de micro incisões, garantindo mais naturalidade", aponta. "Geralmente, o paciente recebe alta no mesmo dia e pode retomar gradualmente a rotina em poucos dias", completa.

Há ainda tratamentos voltados à saúde do couro cabeludo, como o Hydrafacial Keravive. "O procedimento também pode contribuir no tratamento de queda capilar, podendo estimular o crescimento dos folículos caso estejam em repouso", enfatiza a Dra. Lilian. Ela observa que os resultados variam conforme o tipo de queda e a resposta individual, mas reforça os benefícios do cuidado local. "Melhorar a saúde do couro cabeludo, com maior aporte nutricional e incremento no processo de microcirculação, pode contribuir no tratamento de variados tipos de queda capilar", conclui.