Aline Campos realiza lifting facial aos 38; especialistas explicam idade ideal para a cirurgia

 

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A ex-BBB26 Aline Campos usou as redes sociais para mostrar uma prévia do resultado de seu novo procedimento estético: o lifting facial. Aos 38 anos, a atriz chamou atenção do público ao longo dos anos pelas mudanças no rosto — e também por ter optado por uma cirurgia geralmente associada ao rejuvenescimento em idades mais avançadas. Afinal, existe um momento ideal para fazer lifting facial?

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Para o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a idade, isoladamente, não é o principal fator de indicação.

"A maior indicação para um procedimento estético, cirúrgico ou não, nunca é a idade, mas a necessidade. Isso ocorre porque o envelhecimento é individual e multifatorial, incluindo as bases genéticas. Mas em geral as pessoas realmente passam a ter indicação de lifting facial a partir dos 40 a 45 anos. Isto varia para cada um, e a indicação é baseada sobretudo na flacidez de pele e tecidos do rosto, perda dos contornos e da definição, e alterações de volume de certas áreas”, explica o médico.

Ele acrescenta que, entre pacientes mais jovens, a motivação pode ir além de “voltar no tempo”:

“Para muitos pacientes, principalmente os mais jovens, o objetivo de um lifting facial não é recuperar um rosto antigo, mas projetar um rosto mais bonito. Além de simplesmente reposicionar tecidos, o lifting facial pode ser associado a algumas técnicas para afinar características, criar simetria onde falta e suavizar as transições (do queixo para o maxilar, por exemplo) para melhorar a proporção e a forma”, acrescenta o médico.

Pacientes mais jovens no consultório

Nos últimos anos, cirurgiões têm observado uma mudança no perfil de quem busca o procedimento. A médica Heloise Manfrim, cirurgiã plástica e membro titular da SBCP, explica que o avanço das técnicas contribuiu para essa transformação.

A ex-"BBB 26" Aline Campos

Divulgação

“Antes do advento das técnicas mais modernas como lifting endoscópico e deep plane, o descolamento de pele era amplo e, além de poder promover mais fibrose, havia a percepção de que provocava um envelhecimento mais rápido, provavelmente por conta do descolamento e de alguma hipóxia (quando um tecido recebe pouco oxigênio) que acontecia na própria pele. E isso dificultava procedimentos posteriores. Hoje, com deep plane, isso não acontece. A pele continua viável, bonita, porque no descolamento, fazemos a tração vetorial lateral superior de forma bem completa e profunda. Então, a pele não é descolada”, explica a médica.

“Por isso que, quanto antes a pessoa faz a cirurgia, melhores os resultados, porque a pele já é mais jovem, ela já é uma pele com mais colágeno, fica mais bonita e a falta do descolamento não traz todas essas consequências que, algumas vezes, eram questionadas pelos pacientes”, acrescenta.

Paolo Rubez reforça que a evolução técnica impactou diretamente na decisão dos pacientes:

“Com a evolução das técnicas nos últimos anos e com resultados melhores e mais naturais, podemos afirmar sim que os pacientes têm optado por fazer um lifting facial mais jovens. Principalmente quando já tentaram outros tipos de tratamento menos invasivos e não obtiveram o resultado desejado”, diz.

Segundo a médica Beatriz Lassance, também membro da SBCP, há vantagens biológicas na realização do procedimento em idades mais precoces.

“Pacientes mais jovens cicatrizam mais rapidamente e os liftings faciais duram em média de 10 a 15 anos”, constata.

O médico Wellerson Mattioli, cirurgião plástico e diretor da Clínica Moderna Sculpt, membro titular da SBCP, observa aumento na procura por cirurgias faciais com foco em naturalidade.

“Há um aumento na procura da cirurgia plástica da face, já que a técnica opta por trazer resultados mais harmoniosos, realçando a beleza do paciente”, explica.

O que mudou nas técnicas

Os especialistas destacam que a principal transformação está na abordagem das camadas profundas da face.

“O lifting facial no passado era feito sobretudo com a tração na pele do rosto, retirando seu excesso. Isso provocava resultados artificiais, muito ‘esticados’, e com cicatrizes de qualidade ruim pois tinham exatamente muita tensão. Hoje, o lifting é feito com o tratamento das estruturas mais profundas do rosto, como a musculatura. Isso permite um tratamento mais completo do envelhecimento de todas as camadas. Além disto, a tensão não é exercida na pele e sim nas estruturas profundas, fazendo com que as cicatrizes fiquem com qualidades melhores”, explica Paolo Rubez.

Wellerson Mattioli complementa: “A estética facial de hoje é baseada em equilíbrio: volumes bem distribuídos, contornos suaves e movimentos naturais. Não buscamos ‘mudar’ um rosto, mas sim restaurar sua vitalidade, respeitando a essência do paciente. A beleza está, justamente, na harmonia e na naturalidade — e não na padronização ou nos excessos”, completa o médico.

Beatriz Lassance ressalta ainda que o conhecimento anatômico evoluiu significativamente:

“Por mais incrível que possa parecer, o conhecimento de anatomia mudou muito nos últimos tempos. Temos o conceito hoje de camadas da face, com espaços que devem ser tratados de maneira individualizada cirurgicamente. Reposicionando e tratando essas camadas conseguimos resultados sem tracionar demais nenhum dos tecidos, e não temos assim a ‘cara de plástica’, o ‘repuxado’ visto em técnicas mais antigas. Outro conceito importante é o de volumizar o que foi perdido, sabemos que existem compartimentos de gordura na face que envelhecem e são absorvidos de maneira independente um do outro. Conservação e reposição destes compartimentos são conceitos mais novos. Antes a cirurgia consistia muito mais em retirar e esticar”, completa a médica.

Ela acrescenta:

“Por causa destes resultados mais naturais o conceito de facelift mudou demais, tenho pacientes jovens que foram operados e não contam para ninguém, conferem o mérito a tratamentos cosméticos e dermatológicos. Para mim, este é o melhor elogio”, completa a médica.

O médico Carlos Manfrim, cirurgião plástico membro da SBCP, destaca que as cicatrizes também evoluíram em termos de posicionamento e tamanho.

“Acho que a grande sacada é que a cicatriz precisa estar em uma posição anatômica estratégica para ser praticamente invisível; é isso que traz naturalidade”, diz o médico.

“No caso do lifting endoscópico, por exemplo, em que utilizamos uma câmera endoscópica e instrumentos bem finos, bem delicados, as incisões são feitas bem pequenas, geralmente escondidas no couro cabeludo ou até mesmo atrás da linha do cabelo. E essa técnica vai tratar muito bem testa, sobrancelhas e região malar”, acrescenta Heloise Manfrim.

Procedimentos prévios e cuidados

Entre pacientes mais jovens, é comum que o lifting seja precedido por tratamentos minimamente invasivos.

“Hoje em dia é muito raro um paciente que nunca fez nenhum tipo de tratamento antes de procurar pela cirurgia. As pessoas começam com os injetáveis e tecnologias até antes dos 30 anos. Isto não impede um lifting facial no futuro”, diz Paolo Rubez.

No entanto, a médica Beatriz Lassance alerta para o intervalo adequado entre bioestimuladores e cirurgia:

“Bioestímulo de colágeno pode atrapalhar muito a cirurgia. O estímulo de colágeno é feito por inflamação: uma substância inflamatória como ácido polilático é injetada sob a pele e provoca uma reação semelhante à cicatrização, com produção de colágeno pelos fibroblastos e pode haver fibrose, neste processo, dificultando a dissecção dos tecidos e maior sangramento durante a cirurgia. Recomendo aguardar 6 meses ao menos entre a aplicação e a cirurgia”, comenta.

O uso do ultrassom dermatológico também ganhou relevância no planejamento cirúrgico.

“Ele ganhou um papel importante no mapeamento de produtos no rosto. Houve uma evolução grande nesta área e estas informações podem ajudar o cirurgião antes da cirurgia. Sobretudo quando o paciente não sabe exatamente o que foi injetado no rosto e os locais exatos”, diz Paolo Rubez.

Nem tudo se resolve com lifting

Os médicos destacam que o lifting facial não é indicado para todas as queixas isoladamente. Alterações como papada, pálpebras caídas e bolsas abaixo dos olhos podem exigir procedimentos complementares.

“Hoje em dia existe por exemplo o Deep Neck Lift que trata o volume da papada com apenas uma pequena incisão abaixo do queixo, desde que o paciente não tenha muito excesso de pele. As bolsas abaixo dos olhos são tratadas com a blefaroplastia que é a cirurgia plástica para as pálpebras. É extremamente comum que a blefaroplastia, tanto superior quanto inferior, seja feita junto com o lifting para retirar excesso de pele e bolsas de gordura ao redor dos olhos”, explica Paolo Rubez.

Apesar de duradouro, com resultados que podem variar de 10 a 15 anos, o procedimento não interrompe o processo natural de envelhecimento.