Alimentos incompatíveis: combinações que podem causar dor de estômago e diminuir a absorção de nutrientes
Um prato pode ser composto por diversos alimentos orgânicos ou "saudáveis", mas se essa combinação for incompatível, sintomas de desconforto logo aparecerão. Azia, dor de estômago, fadiga, indigestão e dor abdominal são alguns dos sinais de alerta mais comuns que o corpo envia. Outra consequência que muitas vezes surge "nos bastidores" é a má assimilação de nutrientes e compostos dos alimentos ingeridos. A arte da compatibilidade alimentar está longe de ser simples.
Carnaval: vai beber e usa canetas emagrecedoras? Médicos alertam para os riscos dessa combinação explosiva
Agonorexia: conheça o novo termo para descrever um efeito colateral das canetas emagrecedoras
Apesar de seu conhecimento limitado atualmente, a teoria por trás da combinação adequada de alimentos não é nova: ela surgiu no século XX durante o movimento de higiene. Seu criador foi o físico William Howard Hay, embora tenha sido o médico e naturopata Herbert M. Shelton quem a popularizou com a publicação de seu livro "Combinação de Alimentos Simplificada".
Como ele explica em sua obra, quando as funções digestivas são retardadas ou temporariamente suspensas por combinações alimentares inadequadas, a conversão destes em nutrientes vitais (aminoácidos, vitaminas, minerais) não ocorre e toxinas são produzidas, sobrecarregando os órgãos de eliminação e o ambiente intercelular, dando origem a sintomas indesejáveis.
Uma teoria muito semelhante se repete no Ayurveda, onde se discute o Viruddha Ahara (alimentos incompatíveis), como explica María Alejandra Avcharian, terapeuta ayurvédica formada na Índia, palestrante internacional e criadora do Ayurveda Moderno.
— Não se trata simplesmente de ‘isto não combina com aquilo’, mas sim de uma análise muito mais profunda de como as qualidades dos alimentos interagem dentro do corpo — afirma.
Nessa tradição oriental, cada alimento possui uma energia, uma temperatura, um efeito digestivo e também um impacto mental.
— Quando combinamos elementos que exigem processos opostos, o sistema fica sobrecarregado, o fogo digestivo enfraquece e o ama é gerado , que é o resíduo que o corpo não consegue transformar completamente — acrescenta Avcharian.
A compatibilidade alimentar não incentiva comportamentos proibitivos, temerosos ou obsessivos em relação à alimentação, segundo Matías Marchetti, nutricionista e autor de livros sobre vida saudável. Para ele, é essencial compreender que a constante interação dos alimentos no intestino torna impossível evitar a perda de uma certa porcentagem da absorção de nutrientes.
— Às vezes, essas porcentagens são até mínimas — aponta.
A Ayurveda, por exemplo, não incentiva a alimentação por medo, mas sim com consciência, explica Avcharian. Profissionais de saúde de diversas áreas compartilham dessa opinião e, assim como ela, Marchetti e uma vasta gama de evidências acadêmicas, reconhecem certas interações alimentares que podem ser prejudiciais à digestão.
1. Dois tipos de proteína concentrada em uma única refeição
Esses são alimentos pesados e, portanto, difíceis de digerir. Em seu livro, Shelton explica que a acidez gástrica, o tipo, o momento e a intensidade da secreção de diferentes proteínas não são uniformes. Portanto, é lógico que o corpo tenha dificuldade em digerir várias proteínas ao mesmo tempo.
“Não combine nozes com queijo, nem nenhum dos seguintes alimentos com proteína concentrada: nozes, abacate , soja, queijo, ovos, carne”, sugere o autor no livro.
Ele acrescenta ainda que os brotos de alfafa, considerados um vegetal verde, são um ótimo acompanhamento para proteínas concentradas.
2. Álcool com alimentos ricos em gordura
Segundo Marchetti, por um lado, o álcool aumenta a permeabilidade intestinal — a capacidade seletiva da parede intestinal de permitir a passagem de nutrientes e bloquear toxinas, bactérias e vírus — ; enquanto a gordura retarda o esvaziamento gástrico — o processo pelo qual o estômago libera seu conteúdo no intestino delgado — o que pode causar desconforto digestivo.
“Não se trata de uma interação nutricional crítica, mas sim de uma interação digestiva”, afirma ele.
3. Alimentos frios com alimentos quentes
Hábitos como beber bebidas geladas enquanto se come uma refeição quente ou terminar com uma sobremesa muito fria imediatamente após algo acabado de sair do forno podem ser prejudiciais.
Avcharian explica que a recomendação decorre do fato de que ambos os tipos de alimentos têm tempos e processos de digestão diferentes.
— Quando alimentos com temperaturas diferentes são misturados, a digestão fica mais lenta e pode levar à fermentação, gases, inchaço ou acúmulo de ama (toxinas alimentares) — sugere.
4. Fontes de taninos, cálcio e fitatos em alimentos ricos em ferro
A Organização Mundial da Saúde relata que a absorção de ferro — especialmente o ferro não heme (de fontes vegetais) — pode ser drasticamente reduzida por certos compostos encontrados em alimentos e bebidas.
Entre os principais inibidores, a instituição menciona os fitatos (presentes em cereais, grãos, farinhas integrais, farelo, nozes e leguminosas), os taninos (infusões como chá, café, mate, cacau) e o cálcio (presente no leite e em produtos lácteos como iogurte e queijos).
5. Frutas são melhores quando consumidas sozinhas
Geralmente são acompanhados de iogurte, granola ou nozes; ou seguidos por infusões como café ou chá da manhã; no entanto, a medicina ayurvédica considera que, devido à rapidez com que são digeridos, devem ser consumidos sem acompanhamento.
— Se misturarmos com refeições mais pesadas, a digestão fica mais lenta e elas podem causar fermentação e inchaço — aponta Avcharian.
A recomendação clássica, acrescenta ela, é consumi-las sozinhos ou um pouco antes das refeições.
