Aliados marcam posição por candidatura de Marina ao Senado e tentam isolar PSB de França

Aliados marcam posição por candidatura de Marina ao Senado e tentam isolar PSB de França

 

Fonte: Bandeira



Dirigentes de PSOL e Rede intensificaram as conversas no campo da esquerda em São Paulo para emplacar a candidatura de Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente, ao Senado. O esforço tem sido por montar uma frente de partidos pela indicação, que já ganhou o apoio do PDT.

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O PSB, contudo, segue articulando pela segunda vaga na disputa sob o argumento de que Márcio França, ex-governador do estado e ministro do Empreendedorismo, ajuda a abrir portas no interior do estado e teria mais chances de conquistar um eleitorado mais de centro.

No dia 19 de maio, o presidente Lula (PT) cumpriu duas agendas na capital paulista acompanhado de Marina e de Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento, nome mais consolidado no pleito ao Senado neste momento. O movimento gerou especulações sobre a chapa ter sido encaminhada e por uma suposta preferência do petista.

— Não chegamos a um acordo ainda. Prosseguem as conversas — afirmou o deputado estadual Emídio de Souza (PT), um dos coordenadores da campanha de Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo partido de Lula.

A movimentação por Marina tem sido organizada por Juliano Medeiros, que dirige a federação em nível nacional e deve disputar uma cadeira de deputado federal pelo PSOL, e Giovanni Mockus, líder da Rede no estado e integrante da ala da ex-ministra dentro do partido. Eles procuraram, recentemente, PV e PCdoB, siglas federadas com o PT que ainda não estão contempladas na chapa, além do PDT, para expandir o apelo.

Em meio a essas conversas, no dia 16, Marina posou para fotos ao lado do presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e vice-presidente do PDT no estado, Antônio Neto. “Tenho certeza que vamos encontrar a melhor composição possível para derrotar a extrema direita no Senado com candidaturas progressistas. Reafirmei que Marina Silva tem todas as credenciais para essa disputa”, escreveu o dirigente, mais tarde, nas redes sociais.

Segundo apurou o GLOBO, existe a expectativa, dentro do partido comandado por Carlos Lupi, de ficar com a vice de Haddad (a pecuarista Teresa Vendramini e o ex-prefeito de Araraquara Marcelo Barbieri seriam as apostas de momento) ou a primeira suplência de Marina (posição considerada estratégica, dado que ela teria chances de compor novamente a equipe de Lula caso o presidente seja reeleito).

Medeiros alega que a Federação PSOL-Rede não tem a intenção de causar atritos internos, ponto solicitado pelo próprio Haddad, e que esse seria apenas um “processo de escuta”, sem acordos firmados até o momento, por exemplo, nas suplências. Cada candidato ao Senado concorre com dois nomes reservas.

— A avaliação geral dos partidos é que Marina seria uma candidata competitiva e traria mais pluralidade na chapa — relata, por outro lado.

Nesta semana, Medeiros e Mockus devem tratar do assunto com o deputado estadual Caio França (PSB), presidente regional da sigla e filho do ex-ministro cotado ao Senado. A ideia é colocar abertamente os argumentos pelas candidaturas, o que passa, no caso de França, pelo histórico político do ex-governador e por aquilo que agrega eleitoralmente.

— A gente defende o nome do Márcio França e da Simone Tebet, respeitando as demais forças desse campo político, por entender que são candidatos que conseguem atrair um novo eleitor para Haddad e Lula — afirmou o deputado.

Márcio França não retornou os contatos da reportagem, mas pessoas próximas argumentaram que ele esteve reunido com Haddad no mesmo dia em que Lula acenou a Marina. Do lado da campanha da ex-ministra da Rede, por sua vez, existe a leitura de que o presidente da República fez um "gesto político forte" em favor da composição com Tebet.

Integrantes do PSOL costumam lembrar ainda que o deputado federal Guilherme Boulos, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, abriu mão de concorrer nas próximas eleições para ser um dos principais responsáveis pelo diálogo com entidades da sociedade civil e pela mobilização de rua da campanha de Lula em outubro. Seu destino mais provável era o Senado.

Na quinta-feira (21), Haddad demonstrou certa contrariedade com a falta de consenso no grupo, mas disse confiar em uma resolução amistosa.

— Queria que já estivesse resolvido — confessou em visita ao campus da Unifesp em Osasco, a convite do centro acadêmico da Faculdade de Ciências Econômicas. — É importante vermos também o desenrolar dos debates sobre os nomes no campo que a gente representa, porque isso tudo acaba amadurecendo uma solução mais natural.

Ao menos desde o fim do mês passado, Haddad tem conversado com o trio sobre os rumos eleitorais. O petista tem como meta definir a chapa estadual entre o final de maio e o começo de junho, antes da apresentação do plano de governo, prevista para o mês seguinte.

A deputada federal Tabata Amaral (PSB), uma das principais articuladoras da candidatura de Simone Tebet no estado, também pressionou publicamente o PT após evento do Grupo Esfera, em Guarujá (SP), na semana passada. Ela disse que a indefinição da chapa prejudica o planejamento da campanha, sobretudo em um cenário em que os principais adversários já estão colocados.

— O mais importante é que a gente entenda que temos uma eleição difícil e não podemos correr o risco da política perder o tempo do que acontece na rua — declarou Tabata.