A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno abriu uma discussão entre aliados sobre erros na condução da campanha, especialmente em Minas Gerais, São Paulo e no Nordeste, regiões consideradas decisivas para o resultado da eleição.
A avaliação é que o senador não conseguiu transformar a mobilização de governadores, parlamentares e influenciadores no crescimento esperado nas urnas. Ao mesmo tempo, integrantes de seu entorno defendem que Flávio trabalhe para manter a direita unida e evitar que o resultado provoque uma dispersão das forças de oposição.
Uma das principais frustrações está em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. Flávio havia terminado o primeiro turno à frente de Lula, mas acabou superado pelo petista na votação de domingo.
A virada colocou em evidência as dificuldades da campanha para consolidar a vantagem inicial, mesmo com o apoio de lideranças locais, como o senador Cleitinho (Republicanos) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Flávio também ficou abaixo das expectativas.
Embora tenha vencido no estado, o senador viu Lula reduzir a diferença entre os dois candidatos em relação ao primeiro turno. O desempenho frustrou a expectativa de ampliar a vantagem sobre o petista em um dos principais redutos eleitorais da direita, onde Flávio contou com o empenho do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB).
Outro foco de avaliação é o Nordeste, região em que a campanha apostou em uma ofensiva digital e na participação de influenciadores para tentar reduzir a vantagem de Lula. A estratégia incluiu vídeos protagonizados por Nikolas Ferreira e uma intensificação das agendas do candidato na reta final.
O resultado, porém, foi insuficiente, e Flávio conquistou cerca de 400 mil votos em relação ao seu desempenho no primeiro turno, enquanto Lula teve quase três milhões de votos a mais. As discussões também alcançam a condução da reta final da campanha.
Integrantes do entorno de Flávio chegaram ao domingo confiantes em uma vitória, em meio a avaliações favoráveis de levantamentos internos. A equipe organizou uma comemoração em Brasília, apesar de alertas de aliados sobre o risco de antecipar o resultado.
Durante a apuração, o ambiente de confiança deu lugar à apreensão, especialmente depois que Lula ultrapassou o senador na contagem dos votos. A avaliação dos erros ocorre em um momento de preocupação com os efeitos políticos da derrota.
Aliados argumentam que, apesar de não ter conseguido vencer Lula, Flávio recebeu uma votação expressiva e conquistou mais votos do que o pai, Jair Bolsonaro, na eleição presidencial de 2022. Para esse grupo, o resultado ainda lhe garante condições de exercer um papel de liderança na oposição, desde que consiga preservar as alianças construídas durante a disputa.
O entendimento é que o senador precisará manter a interlocução com governadores, parlamentares e dirigentes de partidos que aderiram à sua candidatura, entre eles PP, União Brasil, Republicanos e Novo. A preocupação é evitar que a derrota provoque um afastamento dessas lideranças e abra espaço para disputas internas pelo comando da direita.
No Congresso, o PL terá uma bancada de 121 deputados e 28 senadores a partir de 2027, considerada uma das principais bases de sustentação da oposição ao novo mandato de Lula. Flávio não reconheceu o resultado das urnas e disse que pediria a anulação, mas uma parcela de aliados admite que a estratégia é inócua.
Ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral não veem espaço para qualquer mudança em um resultado reconhecido por todos os chefes de Poderes.
O Globo