247 – Roger Stone, um dos mais antigos e influentes aliados políticos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um ataque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em suas redes sociais, comparando-o ao presidente venezuelano Nicolás Maduro. A manifestação ocorre em meio à repercussão internacional da fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, após sua derrota na eleição presidencial e a determinação judicial de apreensão de seus passaportes.
“Eu indico Lula como o próximo Maduro”, escreveu Stone, em suas redes. A declaração reproduz acusações contra Lula, cujas condenações na Operação Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A referência a Maduro ganha significado político diante da situação de Flávio Bolsonaro, que deixou o Brasil após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega de seus passaportes à Polícia Federal. Segundo a Folha de S.Paulo, a medida foi solicitada pela PF com base em um risco concreto de fuga, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.
A saída de Flávio para os Estados Unidos foi confirmada à Reuters por um aliado do parlamentar e por uma fonte do governo americano. Segundo a agência, o Departamento de Estado decidiu conceder vistos ao senador e à sua família.
O bolsonarismo apresenta o episódio como uma demonstração de perseguição política, interpretação contestada pelas autoridades brasileiras responsáveis pela investigação. Embora a publicação atribuída a Stone não mencione expressamente Flávio Bolsonaro, a comparação entre Lula e Maduro se insere no ambiente de confronto político provocado pela fuga do senador e pelas críticas de aliados de Trump às instituições brasileiras.
Quem é Roger Stone e qual foi seu papel na ascensão de Trump Roger Stone é um veterano estrategista republicano que atua na política americana desde a década de 1970.
Iniciou sua trajetória nas campanhas de Richard Nixon, participou do movimento conservador que levou Ronald Reagan à Casa Branca e se tornou conhecido pelo uso de estratégias agressivas de comunicação e enfrentamento político. Sua relação com Donald Trump começou há mais de quatro décadas.
Stone foi um dos primeiros conselheiros a incentivar o empresário a considerar uma candidatura presidencial, muito antes de sua vitória em 2016. Em 1988, chegou a organizar uma viagem de Trump a New Hampshire, estado tradicionalmente importante nas primárias presidenciais americanas, para testar sua projeção política.
Stone participou da fase inicial da campanha presidencial de Trump em 2015 e, mesmo depois de deixar formalmente a equipe, continuou promovendo sua candidatura. Sua atuação ajudou a construir a imagem de Trump como um candidato disposto a confrontar o establishment político de Washington.
O estrategista também esteve envolvido nas investigações sobre a interferência russa na eleição americana de 2016. Em 2019, foi condenado por crimes que incluíram mentir ao Congresso, obstruir uma investigação e tentar influenciar uma testemunha.
Trump comutou sua pena em julho de 2020 e concedeu-lhe perdão presidencial em dezembro do mesmo ano. Ofensiva de aliados de Trump contra Lula
O ataque de Stone ocorre em um momento de tensão política após a reeleição de Lula. Outros integrantes do círculo político de Trump também questionaram acontecimentos relacionados à eleição brasileira.
Donald Trump Jr., filho do presidente americano, compartilhou uma publicação do advogado Martin De Luca que também comparava Lula a Maduro, em críticas à decisão judicial que prorrogou o horário de votação em determinadas localidades no segundo turno. As manifestações indicam que setores próximos ao presidente americano estão adotando publicamente a narrativa de perseguição política difundida por integrantes da família Bolsonaro.
Brasil 247