Aliado histórico, Dirceu faz discurso na linha do que será a campanha de Lula
Em festa de aniversário de 80 anos em Brasília, o ex-ministro e pré-candidato a deputado federal por São Paulo José Dirceu, fez um discurso que pode ser considerado o fio condutor do que o presidente Lula vai levar para a campanha. A principal trilha será colocar o senador Flávio Bolsonaro num lugar de desconstrução de políticas públicas e direitos sociais e “entrega” do país a Donald Trump.
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Dirceu afirmou que o herdeiro do clã bolsonarista quer se parecer com o presidente argentino, Javier Milei, que se aliou incondicionalmente a Trump e que fez uma desestruturação de políticas e direitos como a recente reforma trabalhista. Para o ex-ministro da Casa Civil no primeiro mandato de Lula, Flávio vai copiar a "receita" de Milei.
"Nesse momento, o Brasil se vê de novo ameaçado. A volta do bolsonarismo chama-se Flávio Bolsonaro, a mídia começa a mandar a Flávio esquecer de Bolsonaro, mas ele é golpista como pai, tem a mesma origem que o seu pai. E o pior, entrega-se a Trump, à guerra, entrega o país à potência estrangeira para explorar seus minerais", afirmou.
Dirceu ainda disse que a campanha não será "Lulinha paz e amor", e que a soberania nacional estará no centro do debate.
Recente pesquisa Genial Quaest mostra que piorou a imagem que os brasileiros têm dos Estados Unidos -- no contexto de guerra contra o Irã. Com isso, 33% dos que se consideram independentes votariam em candidato alternativo a Flávio.
No bastidor, as conversas giravam em torno da definição sobre quem será o vice de Haddad na corrida ao governo de São Paulo. Um líder na Câmara afirmou com convicção que será Márcio França (PSB), ministro do Empreendedorismo. Outro líder disse que será difícil compor França e Simone Tebet, que deve migrar para o PSB e concorrer ao Senado. Já a ministra Gleisi Hoffmann respondeu à CBN que é muito cedo e que as articulações estão em andamento. Na mesma linha, respondeu o presidente do PT, Edinho Silva.
Amizade e campanha
Apesar do racha na bancada aliada do governo na Câmara dos Deputados, líderes mais próximos ao presidente Lula estiveram na festa. Caso de Antonio Brito, líder do PSD na Câmara, além do cacique do MDB, senador Renan Calheiros. Do PP, estiveram na festa o deputado Lula da Fonte e o pai, Eduardo da Fonte, que vai concorrer ao Senado. O deputado Elmar Nascimento, segundo vice-presidente da Mesa da Câmara, e influente quadro do União Brasil na Casa.
O vice-presidente Geraldo Alckmin esteve no evento assim como os ministros José Múcio, da Defesa; Esther Dweck, da Gestão e Inovação; Camilo Santana, da Educação; Wolney Queiroz, da Previdência; além de Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais. Do mundo jurídico, advogados famosos compareceram, incluindo Marco Aurélio Carvalho, presidente do Prerrogativas e da banca de defesa de Lulinha, filho mais velho do presidente.
Além de música brasileira, de Alceu Valença a Falcão, teve jingle de campanha - a letra “eu e você, você e eu estamos do lado do Zé Dirceu”. A celebração foi num restaurante de comida nordestina, em buffet a quilo, com comanda individual.
