Alexandre Borges fala da volta à TV em nova novela das 21h, da chegada aos 60 anos e do filho com Julia Lemmertz
Assistindo a um documentário sobre Cora Coralina recentemente, Alexandre Borges deparou-se com uma frase marcante da escritora: "Trago comigo todas as idades". É assim que se sente o ator com seus 60 anos recém-completados: mantém a curiosidade, a inquietude e o vigor da juventude ao mesmo tempo que colhe os frutos da experiência com tranquilidade e sabedoria. Ele acredita que tudo isso enriquece seu trabalho como ator, que poderá ser visto mais uma vez a partir de 18 de maio, quando estrear "Quem ama cuida", nova novela das 21h da TV Globo escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto.
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— Estou com 60, mas tem aqui o cara dos 50, dos 40, dos 20, dos 18, dos 15... A cada momento uma idade vem mais à tona. É a beleza de ser humano. Tenho uma chama, uma vontade de viver, conhecer e arriscar. A própria vida traz coisas novas que surpreendem. Vamos ver o que me espera — comemora ele, que interpretará Ulisses: — Vai ser minha primeira novela com o Walcyr, voltando a trabalhar com a Amora (Mautner, diretora artÃstica), de quem gosto muito. Estou muito feliz. É um personagem bem interessante na famÃlia Brandão, irmão do Antonio Fagundes e da Isabel Teixeira (veja foto abaixo), dois grandes atores. Fagundes é sempre uma referência, um farol para a gente. Ele faz o Artrur, um homem que se destaca e consegue sucesso financeiro. A partir daÃ, acaba ajudando o resto da famÃlia. As pessoas à s vezes têm a tendência de se acomodar com isso. Esperam que aquilo que começou como ajuda, para dar um impulso, vire uma pensão. Foi o que aconteceu com esses irmãos.
Ulisses mantém uma empresa de produtos descartáveis. É casado com Fábia (Flávia Alessandra), pai de Carolina (Mah Duarte) e padrasto de Felipe (Pietro Antonelli).
— Ele sempre aposta em algum ramo a ser desenvolvido, mas as coisas acabam não indo para frente. Por isso fica na dependência do irmão. Ulisses é um cara menos ambicioso que a Pilar. Ela que conduz essa atitude de exigência da manutenção do dinheiro do Arthur. Ulisses fica dividido. Ele tem consciência de que o irmão mais velho não tem obrigação alguma de ajudar financeiramente, mas ao mesmo tempo a irmã manipula, diz que Arthur está perdendo a saúde mental. Ela quer comandar a famÃlia e o dinheiro dele — adianta o ator, acrescentando que a famÃlia será impactada depois da morte do ricaço: — O dinheiro de uma hora para outra some. Eles sofrem com isso, porque estão acostumados a um padrão.
No ar na reprise de "Avenida Brasil" como Cadinho, Alexandre fez "Elas por elas" em 2023. Antes, havia participado de "Verão 90" (2019). Entre uma trama e outra, participou do "The masked singer Brasil" e se dedicou ao teatro. Esse hiato entre as novelas teve a ver com os cuidados dispensados à mãe, que tinha Alzheimer e morreu em 2021. O ator decidou-se à rotina dela e só escolhia trabalhos que pudessem oferecer alguma liberdade. Depois, em 2023, veio a morte do pai:
— É uma saudade imensa. Me apeguei muito a uma espiritualidade, a uma gratidão, reconhecendo que meus pais tiveram vidas longas e plenas. Partiram com mais de 80 anos. Agradeci muito a oportunidade de poder estar com minha mãe e passar a pandemia com ela, mostrando que não estava sozinha num momento difÃcil. Ela soube lidar de maneira exemplar, com muita dignidade e amor. O Alzheimer, por mais cruel que seja, faz a pessoa viajar no passado, sentir coisas, perguntar. Como se tivesse, 15, 12 anos, achando que os pais vão chegar a qualquer momento com um lanche. Ao mesmo tempo é poético. Realmente é entender o valor dos pais na vida, por mais conflitos que aconteçam, algo normal para qualquer um. Cabe aos filhos ou netos tomarem a iniciativa de apaziguamento. Não vale a pena ficar se agarrando a bobagens. Você tem que romper com seus pais simbolicamente para cuidar do seu núcleo familiar, da sua profissão, mas esse rompimento pode ser de maneira suave, sem que se perca de vista o amor, porque depois faz muita falta. Isso me trouxe muita sensibilidade e à s vezes a sensação de desamparo, porque é uma coisa profunda. Agora eles estão aqui dentro de mim. O luto se transforma, a tristeza se torna mais serena. Estou vivo, tenho filho, tenho minha profissão... São coisas que estimulam.
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Diante de todo esse processo, Borges afirma que passou a refletir também sobre sua relação com o filho, Miguel, de 26 anos:
— Miguel é a pessoa que vai dar continuidade à minha história, à minha famÃlia. Ver o crescimento de filho se tornando adulto, começando a ter seu próprio núcleo e sua profissão, é um processo de desprendimento. No fundo, a vontade que tenho ainda é de pegar para levar ao futebol e ao cinema, abraçar, beijar, saber de tudo... É um amor incondicional. Você enxerga um moleque de 26 anos, mas no meu coração tem 7. Ao mesmo tempo fico orgulhoso do que ele está fazendo, da liberdade, da aventura de viver com 26 anos. Eu sei, eu vivi. É emocionante. Eu me distanciei dos meus pais para ter minha carreira, minhas namoradas, meu casamento. Agora é a vez dele. Você vai vendo que esses ciclos da vida se repetem, independentemente da tecnologia, da modernidade.
Miguel é fruto do relacionamento do ator com Julia Lemmertz. Os dois foram casados por mais de 20 anos e se separaram em 2015. Atualmente o ator está solteiro. Ele já declarou em entrevistas que gostaria de se casar de novo:
— Casar já entendi que não (vai acontecer). E essa coisa de namoro não adianta procurar muito. Tem que estar meio desprevinido e distraÃdo para ser influenciado pelo cupido. Deixando a coisa acontecer sem pensar. Todo mundo quer ter um amor, se apaixonar, viver uma coisa intensa e bonita. Eu tive muito amor, é muito bom. Hoje tenho mais consciência realmente de que é um momento de cuidar de mim, ter amor-próprio, me enxergar e me entender melhor. É um processo de terapia. Eu nunca tinha feito e estou achando interessante poder falar sobre coisas do meu passado, da minha infância, dos meus pais, do meu filho... Estou experimentando agora usufruir a minha idade e a minha experiência de uma maneira nova.
Isabel Teixeira e Alexandre Borges em "Quem ama cuida"
Manoella Mello/Globo
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