Alerta de novo golpe: saiba o que fazer se você receber um produto que não comprou
A armadilha está na hora de escanear o código: a vítima é levada a páginas falsas, onde acaba fornecendo dados pessoais ou bancários aos golpistas.
Segundo o advogado Carlos Neto, especialista em Direito do Consumidor e golpes virtuais, esse tipo de crime se aproveita da confiança do consumidor e da pressa do dia a dia.
"A principal orientação que eu dou é desconfiar sempre de encomendas que você não reconhece. E, principalmente, nunca escanear QR Codes ou clicar em links que venham em embalagens ou mensagens de WhatsApp, contatos inesperados. Empresas sérias não pedem confirmação de dados sensíveis nem pagamento de taxas fora dos canais oficiais. Sempre desconfie. Se houver roubo de dados, que é o famoso vazamento de dados, é fundamental registrar um boletim de ocorrência na delegacia de polícia, comunicar à empresa e aos bancos. Do ponto de vista jurídico, o consumidor pode buscar reparação pelos prejuízos sofridos e responsabilizar as empresas por eventuais falhas de segurança sempre com um advogado especializado."
O advogado orienta também que o consumidor fique com a encomenda, mesmo que não tenha pedido. Mas não acesse o QR Code.
Chama atenção o fato de a encomenda chegar com o nome completo e o endereço da pessoa. A pedagoga Fernanda Passos recebeu uma encomenda falsa da Amazon. Desconfiada por já ter visto alertas nas redes sociais, ela não escaneou o QR Code que vinha na embalagem.
"Eu recebi uma caixa de coisas que eu não tinha pedido. Veio livro de criança, um creme, algumas outras coisas assim. E aí, quando eu abri a caixa, eu vi que nada daquilo eu tinha pedido. Olhei no meu aplicativo da Amazon também, não tinha nenhum pedido correspondente, só que vinha tudo no meu nome, tudo direitinho. Aí, como eu já sabia que eles estavam aplicando esse golpe, eu não escaneei e fiquei com as coisas. Dei os livros infantis para o meu sobrinho, enfim."
O conteúdo das encomendas é variado: pode ser um livro, carregadores e até roupas. O diretor de inteligência do Instituto de Defesa Cibernética, Augusto Barros, orienta que, ao receber uma encomenda que não foi solicitada, o consumidor não escaneie QR Codes, não clique em links e procure diretamente os canais oficiais da empresa que supostamente enviou o produto.
"O objetivo desse tipo de golpe é bem simples. Roubar dinheiro, roubar informações pessoais, particularmente dados bancários, e por vezes até instalar um malware no dispositivo da vítima. Para se proteger, eu sempre recomendo que a primeira coisa é sempre desconfiar, não confiar em qualquer QR Code. Principalmente se você observar que estão danificados, você precisa sempre conferir o endereço do site antes de informar dados, ou mesmo dados do recebedor daquele pagamento, antes de pagar alguma coisa."
Em nota, a Amazon informou que não solicita taxas, pagamentos extras ou informações pessoais fora do site oficial e orienta que, em caso de dúvida, o cliente acesse diretamente sua conta na plataforma.
Nossa equipe também procurou Shein, Mercado Livre e Shopee, mas não obteve retorno.
