Alerj retoma trabalhos sob tensão: novas operações da PF e regras para sucessão de Castro na pauta

 

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A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) retoma os trabalhos, nesta terça-feira (3), sob a expectativa de novas operações da Polícia Federal e pela projeção de um semestre tomado por articulações para a eleição indireta ao governo do estado. De aliados a adversários do governador Cláudio Castro (PL), a sensação na Casa é de que, a qualquer momento, a PF voltará à Alerj. Enquanto isso, os parlamentares correm para estabelecer as regras de uma inédita disputa indireta pelo Palácio Guanabara.

O receio nos corredores se deve à situação de Rodrigo Bacellar (União Brasil). O presidente afastado da Assembleia teve o celular apreendido ao ser preso pela PF em dezembro, e há expectativa sobre o conteúdo do aparelho. Há receio, ainda, sobre o que será extraído dos aparelhos de Rui Bulhões, ex-chefe de gabinete de Bacellar e homem-forte da política fluminense, alvo de busca e apreensão.

Bacellar foi detido, em 3 de dezembro, suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro — ação que havia levado à prisão o então deputado estadual TH Joias por envolvimento com o Comando Vermelho. Semanas depois, a operação alcançou o judiciário, com a prisão do desembargador Macário Júdice Neto, do TRF-2, e as buscas contra Bulhões.

A disputa pelo mandato-tampão

Em paralelo ao receio de novos desdobramentos policiais, a Alerj vive a situação inédita de regulamentar uma eleição indireta. Com a renúncia de Cláudio Castro prevista para abril, os 70 deputados estaduais terão 30 dias para escolher o novo governador que comandará o Rio de maio a dezembro.

A CBN apurou que uma reunião ainda neste mês entre o senador Flávio Bolsonaro (PL), Castro e o deputado federal Altineu Côrtes definirá a estratégia governista. A dúvida central é: o candidato ao mandato-tampão será o mesmo da eleição geral de outubro? O martelo ainda não foi batido porque o governador e o senador estão fora do país.

O PL está dividido. Uma ala defende que Nicola Miccione, atual chefe da Casa Civil e considerado o "primeiro-ministro" de Castro, dispute o mandato-tampão, deixando Douglas Ruas, secretário de Cidades, para a cabeça de chapa em outubro. O argumento é pragmático: os deputados precisam de alguém com a caneta na mão que conheça a máquina para garantir entregas nas bases eleitorais até o fim do ano.

Outra ala, influenciada por Flávio Bolsonaro, avalia que Douglas Ruas — filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, e aliado de Altineu Cortes — teria mais chances contra o prefeito Eduardo Paes (PSD) se já entrar na disputa de outubro sentado na cadeira de governador, usando a máquina a seu favor desde maio.

O encontro da cúpula do PL também decidirá o futuro do secretário da Polícia Civil, Felipe Curi. Ele é apontado nos bastidores como um nome forte para a composição majoritária — muitos no partido, inclusive, defendem que seja ele o nome para enfrentar Paes nas urnas.