Alemanha e Otan pedem fortalecimento da Defesa europeia em meio à retirada de tropas americanas
A Alemanha e a Otan (aliança militar ocidental) pediram neste sábado o fortalecimento da autonomia de Defesa da Europa após os Estados Unidos anunciarem a iminente retirada de 5.000 soldados alocados na Alemanha. O número representa cerca de 15% dos 35.000 soldados americanos no país europeu. A medida, anunciada na sexta-feira pelo Pentágono, significa mais um revés para as relações transatlânticas, que se deterioraram severamente desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca e se agravaram diante da negativa europeia em apoiar o esforço de guerra americano no Irã.
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"Era esperado que as tropas americanas se retirassem da Europa, inclusive da Alemanha", comentou o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, em um comunicado divulgado à AFP por seu gabinete. "Nós, europeus, temos que assumir maior responsabilidade por nossa segurança".
Na quinta-feira, Trump afirmou considerar também reduzir tropas americanas na Itália e Espanha. Segundo o porta-voz do Pentágono, a retirada deve ser concluída "nos próximos seis a doze meses". A medida foi tomada após o chanceler alemão, Friedrich Merz, dizer na segunda-feira que a liderança iraniana estava “humilhando” os EUA e que não via uma estratégia americana para sair do conflito.
— Ele acha que está tudo bem o Irã adquirir armas nucleares. Ele nem sabe do que está falando — respondeu Trump na terça-feira.
Citado pelo jornal britânico Guardian sob condição de anonimato, um alto funcionário do Pentágono disse que a retórica recente da Alemanha foi “inapropriada”:
— O presidente está reagindo corretamente a essas declarações contraproducentes — disse ao jornal britânico.
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,,", comentou o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, em um comunicado divulgado à AFP por seu gabinete. — Nós, europeus, temos que assumir maior responsabilidade por nossa segurança.
Distanciamento com a Europa
A Otan declarou no sábado que está "trabalhando com os Estados Unidos para entender os detalhes de sua decisão em relação à retirada militar na Alemanha", escreveu a porta-voz, Allison Hart, em uma publicação nas redes sociais. "Este ajuste ressalta a necessidade de a Europa continuar investindo mais em Defesa e assumir uma parcela maior de responsabilidade por nossa segurança compartilhada".
Desde o início de seu segundo mandato, o governo Trump tem se mostrado hostil aos seus aliados europeus tradicionais, a quem critica por não investir o suficiente em sua própria segurança. A reaproximação de Washington com Moscou em meio à guerra na Ucrânia e as ameaças de Trump de anexar a Groenlândia da Dinamarca, um aliado da Otan, levaram diversas capitais europeias a defenderem maior autonomia da região.
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Nesse sentido, Hart destacou como um "passo adiante" o compromisso assumido no ano passado pelos membros europeus da Aliança — com exceção da Espanha — de investir 5% de seus respectivos PIBs em Defesa, conforme exigido por Trump.
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Alemanha, um ator-chave para os EUA
Pistorius argumentou, em todo caso, que a presença americana na Alemanha é "do interesse" de ambos os lados, uma vez que essas tropas servem para a "dissuasão coletiva" contra a ameaça percebida da Rússia. O ministro alemão também enfatizou que os Estados Unidos utilizam suas bases militares na Alemanha para defender "seus interesses de política de segurança na África e no Oriente Médio", incluindo o Irã.
De forma semelhante, e em consonância com a exigência do governo Trump de que a Europa invista mais em sua própria Defesa, o ministro observou que a Alemanha está fortalecendo suas forças armadas após décadas de subfinanciamento. Berlim tem o objetivo declarado de confrontar a Rússia e reduzir sua dependência militar dos Estados Unidos, diante de um Trump que questiona o compromisso de seu país com a segurança europeia.
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Em 2020, durante seu primeiro mandato, o republicano ameaçou reduzir o número de tropas americanas na Alemanha para 25.000, argumentando que o país gastava muito pouco com Defesa. Seu sucessor democrata, Joe Biden, não implementou esse plano de redução.
Entre as numerosas bases americanas na Alemanha, Ramstein é de particular importância para os deslocamentos e operações dos EUA no Oriente Médio. Os Estados Unidos também armazenam armas nucleares em Büchel, no oeste do país. Já Stuttgart abriga o Comando dos EUA para a Europa e África, enquanto Grafenwöhr, na região da Baviera, abriga um vasto campo de treinamento, e Landstuhl possui um importante centro médico do Exército dos EUA.
