Alemanha e Japão vão liberar reservas estratégicas de petróleo. OCDE estuda ação conjunta recorde

 

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A Agência Internacional de Energia (AIE) está discutindo uma liberação de reservas emergenciais de petróleo que seria a maior de sua história, com uma decisão possivelmente sendo tomada ainda nesta quarta-feira, segundo uma fonte.

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A AIE sugeriu uma liberação na faixa de cerca de 300 milhões a 400 milhões de barris, disse a fonte, que pediu anonimato. A agência, sediada em Paris, coordena liberações de estoques entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A medida em consideração superaria os 182 milhões de barris que os membros da AIE colocaram no mercado em 2022 após a Rússia invadir a Ucrânia. A Agência Internacional de Energia não deu comentários oficiais até a publicação da matéria.

Os governos buscam conter um pico nos preços da energia provocado pela guerra no Oriente Médio. O petróleo disparou para quase US$ 120 por barril em Londres na segunda-feira, enquanto os fluxos através do crucial Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, permaneceram praticamente interrompidos. Desde então, porém, os contratos futuros recuaram de forma significativa — em parte devido às expectativas de que os governos recorreriam às suas reservas de petróleo.

Nesta quarta-feira, o preço do petróleo chegou a cair, mas já estão sendo negociados em alta. Por volta das 7h50, o Brent, referência internacional, era negociado a US$ 90,60 por barril, com alta de 3,19%, enquanto o tipo Texas (WTI) subia 3,59%, a US$ 86,45.

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A liberação dos estoques foi discutida em uma reunião dos líderes do Grupo dos Sete (G-7) nesta quarta-feira, conforme informou mais cedo o ministro das Finanças da França, Roland Lescure. Os países do G-7 afirmaram apoiar, em princípio, “medidas proativas”, incluindo a liberação de reservas estratégicas, mas ainda não forneceram detalhes sobre a escala de uma possível intervenção.

Alemanha e Japão vão liberar reservas

A Alemanha anunciou esta manhã que adotará medidas para limitar os aumentos de preços nos postos de gasolina e responderá positivamente ao pedido da Agência Internacional de Energia para liberar reservas de petróleo.

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Falando após a reunião de gabinete nesta quarta-feira, a ministra da Economia alemã, Katherina Reiche, confirmou que a AIE havia solicitado a seus membros a liberação de reservas equivalentes a 400 milhões de barris de petróleo, ou 54 milhões de toneladas, e acrescentou:

— Cumpriremos esse pedido e daremos nossa contribuição.

O governo do chanceler Friedrich Merz também “decidiu limitar a frequência das mudanças de preços nos postos de combustíveis”. Estes “só poderão aumentar os preços do combustível uma vez por dia. Reduções de preços, por outro lado, serão permitidas a qualquer momento”, disse Katherina Reiche.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, por sua vez, afirmou que o país tomará a iniciativa e liberará petróleo das reservas nacionais já na próxima semana. Segundo ela, o Japão decidiu recorrer ao estoque nacional sem esperar que a Agência Internacional de Energia tome uma decisão formal sobre uma liberação coordenada entre os países-membros.

A liberação planejada, que segundo Takaichi pode ocorrer já na segunda-feira, retirará o equivalente a 15 dias das reservas mantidas pelo setor privado e um mês do estoque estatal. Mais de 90% do petróleo bruto do Japão é importado do Oriente Médio, com a maior parte passando pelo Estreito de Ormuz.

As reservas nacionais japonesas, mantidas tanto pelo governo quanto pelo setor privado, somam o equivalente a 254 dias de demanda por petróleo bruto e derivados.

A AIE afirmou que seus 32 membros mantêm mais de 1,2 bilhão de barris em estoques públicos de emergência, incluindo a maior reserva de proteção, a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos. Há ainda 600 milhões de barris adicionais em estoques da indústria mantidos sob obrigação governamental.

Cortes já afetam 6% da produção global

Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque estão entre os produtores que aprofundam os cortes no fornecimento de petróleo, reduzindo cerca de 6% da produção global, enquanto a perda do trânsito pelo Estreito de Ormuz faz com que os tanques de armazenamento da região se encham.

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Os Emirados Árabes Unidos também interromperam as operações em sua maior refinaria, Ruwais Refinery, na terça-feira, como precaução após um ataque de drone na área.

Alguns operadores e analistas duvidam que os governos consumidores conseguirão recorrer aos estoques com rapidez suficiente para preencher a enorme lacuna de oferta.

Mesmo que a taxa máxima de retirada da Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA seja combinada com fluxos de outros membros da AIE, isso poderia cobrir apenas uma parte dos 11 milhões a 16 milhões de barris por dia de oferta do Golfo Pérsico que a Citigroup Inc. estima estar sendo perdida diariamente.

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A capacidade máxima de retirada da reserva estratégica dos EUA é de 4,4 milhões de barris por dia, segundo o site do Departamento de Energia dos EUA, e leva 13 dias para que o petróleo da reserva chegue ao mercado aberto após uma decisão presidencial.

A AIE já ajudou a implementar cinco intervenções desse tipo: na preparação para a Guerra do Golfo de 1991, após os furacões Rita e Katrina em 2005, após o início da guerra civil na Líbia em 2011 e duas vezes em 2022 em resposta às interrupções relacionadas à guerra na Ucrânia.

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