Além do E.T. de Varginha: relembre alguns dos principais casos envolvendo óvnis no Brasil
Muito antes de o ET de Varginha entrar para o imaginário popular brasileiro, relatos de objetos voadores não identificados já frequentavam páginas de jornais do país, e ainda hoje fascinam ufólogos e curiosos no Brasil e no mundo. Do litoral do Pará ao espaço aéreo do Sudeste, pilotos de aeronaves e populações de áreas rurais afirmam ter visto fenômenos que nunca receberam explicação conclusiva.
Vazamento na Foz do Amazonas: Presidente do Ibama diz que risco para o meio ambiente é baixo
STF: Assessor de Nunes Marques é exonerado após prisão por descumprimento de medida protetiva da ex-esposa
A nova série documental “O Mistério de Varginha”, que a TV Globo começou a exibir nesta terça-feira (6), reacende o debate sobre o caso mineiro e ajuda a contextualizar outros episódios emblemáticos da ufologia brasileira, muitos deles registrados pela Aeronáutica e hoje reunidos no Arquivo Nacional. Relembre algumas das principais histórias envolvendo óvnis no Brasil. Dirigida por Ricardo Calil e Paulo Gonçalves, “O Mistério de Varginha” é exibido após “O Auto da Compadecida 2” e também ficará disponível no Globoplay.
Memorial do E.T. de Varginha: arquitetura de disco voador para divulgar episódio ainda mal contado
Secretaria de Turismo de Varginha
Operação Prato
Entre o fim dos anos 1970 e o início da década seguinte, moradores de Colares, no interior do Pará, viveram um dos episódios mais inquietantes da história ufológica brasileira. Luzes estranhas cortavam o céu à noite e, segundo relatos, atacavam pessoas com feixes luminosos capazes de provocar queimaduras, paralisia momentânea e até uma suposta retirada de sangue: fenômeno que ficou conhecido como “chupa-chupa”.
O medo tomou conta da população e levou à intervenção da Força Aérea Brasileira (FAB), que deu início à chamada Operação Prato. Militares foram enviados à região para investigar os avistamentos, ouvir testemunhas e produzir relatórios fotográficos e escritos. Apesar da mobilização oficial, o caso terminou sem uma conclusão pública definitiva.
Décadas depois, documentos da operação vieram à tona e alimentaram novas teorias. Relatos de moradores como o da dona de casa América Trindade, que descreveu sensações de dormência e frio durante um suposto ataque, seguem entre os mais citados por pesquisadores e curiosos.
O episódio ganhou nova atenção em 2024 com o podcast “Operação Prato”, produção da Globo dirigida por Ivan Mizanzuk. Ao longo de dez episódios, a série revisitou os depoimentos, os bastidores da investigação militar e a mitologia criada em torno do caso, reforçando o status de Colares como um dos principais polos da ufologia no país.
Ozires Silva, um dos criadores da Embraer, avistou um óvni em 1986, na chamada Noite Oficial dos Óvnis
Michel Filho/Agência O GLOBO
Noite Oficial dos Óvnis
Na noite de 19 de maio de 1986, o espaço aéreo brasileiro se tornou palco do que é considerado o maior evento ufológico já registrado no país, e um dos mais documentados do mundo. Ao menos 21 objetos não identificados foram avistados simultaneamente em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.
Os fenômenos não se limitaram a observações a olho nu. Radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) detectaram os alvos, e caças da FAB chegaram a ser acionados para tentar interceptá-los, sem sucesso. Áudios de pilotos, hoje disponíveis no Arquivo Nacional, registram a perplexidade diante do que viam. Entre as testemunhas estava o engenheiro Ozires Silva, fundador da Embraer, que pilotava seu próprio avião naquela noite.
“Vi um corpo bastante alongado, talvez da cor de uma lâmpada fluorescente. Circulei várias vezes com o meu avião, olhando para baixo e, sinceramente, não sei dizer o que era”, contava o piloto no livro Ozires Silva: um líder da inovação.
No dia seguinte, o episódio dominou o noticiário e levou o então ministro da Aeronáutica a conceder uma coletiva de imprensa para admitir que não havia explicação para o ocorrido. Quase quatro décadas depois, a “Noite Oficial dos Óvnis” segue como um dos grandes mistérios da aviação brasileira.
Na cabine do Boeing, o comandante Gerson Maciel de Brito mostra o desenho que fez durante o voo
Silvio Correa / Agência O Globo
Voo 169 da Vasp
Em fevereiro de 1982, passageiros e tripulantes do voo 169 da Vasp viveram uma experiência que ganharia as páginas de O GLOBO, na época. Durante a rota entre Fortaleza e Rio de Janeiro, o Boeing 727 foi acompanhado por cerca de uma hora e vinte minutos por um objeto luminoso não identificado.
O comandante Gerson Maciel Britto, piloto experiente, registrou oficialmente o episódio em relatório entregue à companhia aérea. Segundo o documento, o objeto emitia luzes intensas em cores variadas, branco, azul, amarelo, laranja e vermelho, e acompanhava o avião na mesma velocidade e altitude.
O fenômeno não foi visto apenas pela Vasp. Tripulações da Aerolíneas Argentinas e da Transbrasil também relataram a presença do objeto, que chegou a ser detectado pelo radar do Cindacta, a cerca de oito milhas da aeronave brasileira quando sobrevoava Belo Horizonte.
Entre os passageiros, o espanto virou fascínio. Alguns descreveram o objeto como uma “estrela estranha e bonita”, grande o suficiente para iluminar a asa do avião. Nenhuma hipótese convencional, como a possibilidade de ser um balão ou outra aeronave, conseguiu convencer plenamente quem presenciou o episódio.
Galerias Relacionadas
Acervo do Arquivo Nacional
A ausência de respostas definitivas não impediu que os relatos se acumulassem. O Arquivo Nacional reúne hoje centenas de documentos sobre avistamentos de óvnis no Brasil, muitos deles encaminhados pela própria Aeronáutica. Entre 1952 e 2019, ao menos 811 ocorrências foram registradas oficialmente.
Somente em 2024, foram catalogados 26 novos relatos, incluindo casos descritos como “contato imediato a olho nu” por pilotos. Há registros de objetos maiores que aeronaves comerciais, movimentos em zigue-zague, mudanças bruscas de velocidade e luzes que não aparecem nos radares convencionais.
Os documentos mostram que, embora exista um formulário padrão para o registro dessas ocorrências, não há no Brasil um órgão dedicado à investigação sistemática de fenômenos aéreos não identificados, como ocorre atualmente nos Estados Unidos. Após o registro, os relatos são arquivados e disponibilizados para consulta pública.
O Caso ET de Varginha
