Além do desconforto: entenda como as altas temperaturas afetam os pets no verão
O verão costuma ser associado a mais disposição, passeios prolongados e atividades ao ar livre. Para cães e gatos, no entanto, a elevação das temperaturas impõe desafios silenciosos e contínuos ao organismo. Diferentemente dos humanos, os animais têm mecanismos limitados para regular a própria temperatura corporal, o que faz com que o calor funcione como um fator de estresse constante.
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A exposição frequente a ambientes quentes, pisos superaquecidos e mudanças na rotina pode desencadear desde quadros leves de desidratação até situações graves, como hipertermia e falência orgânica.
De acordo com especialistas, os riscos não se restringem a ondas de calor intenso. A repetição diária dessas condições já é suficiente para comprometer a saúde dos pets. "O verão exige uma leitura mais atenta do comportamento do animal. Pequenas alterações podem ser sinais de que algo não está bem", explica a veterinária Julia Joselevitch, do Nouvet Centro Veterinário 24h.
Entre as emergências mais graves do período está a insolação, que ocorre quando o corpo do animal perde a capacidade de dissipar o calor acumulado. O aumento perigoso da temperatura corporal pode acontecer mesmo sem exposição direta ao sol. Ambientes abafados, passeios em horários inadequados e esforço físico excessivo estão entre os principais gatilhos.
"A insolação não começa de forma dramática. Muitas vezes, o tutor percebe apenas um cansaço fora do normal ou uma respiração mais intensa. Quando outros sintomas aparecem, o quadro já pode estar avançado", alerta Julia Joselevitch.
Raças braquicefálicas, como buldogues e pugs, além de gatos persas, filhotes, animais idosos e aqueles com doenças cardíacas ou respiratórias formam o grupo mais suscetível a esse tipo de complicação.
Outro risco comum no verão está nas superfícies aquecidas. Asfalto e calçadas podem atingir temperaturas muito acima da registrada no ar, causando queimaduras nas almofadas plantares em poucos minutos. Essas lesões são dolorosas, dificultam a locomoção e, se não tratadas, podem evoluir para infecções.
Uma forma simples de prevenção é o chamado teste da mão: se o tutor não consegue manter a palma apoiada no chão por alguns segundos, o local não é seguro para o passeio. "Queimaduras nas patas são atendimentos recorrentes no verão e totalmente evitáveis com ajuste de horário e escolha do trajeto", destaca a veterinária.
Parasitas se multiplicam no calor
As altas temperaturas associadas à umidade também favorecem a proliferação de pulgas e carrapatos. No verão, esses parasitas se reproduzem com mais rapidez, aumentando o risco de infestações, doenças transmitidas e reações alérgicas intensas.
"Muitos tutores só se preocupam quando veem o parasita, mas a prevenção precisa ser contínua. No verão, o ambiente também vira um reservatório importante", orienta Julia. O uso regular de antiparasitários, aliado à higienização de caminhas, estofados e áreas externas, é fundamental para reduzir esse risco.
Conforto térmico também é prevenção
Oferecer sombra, água fresca e boa ventilação vai além do conforto: trata-se de uma medida de saúde. Ambientes quentes favorecem a desidratação e afetam o bem-estar geral, especialmente no caso dos gatos, que tendem a ingerir menos água espontaneamente.
"O tutor precisa pensar no microclima da casa. Um espaço fresco para descanso, mais de um ponto de água e uma rotina adaptada ao calor fazem muita diferença", afirma a especialista.
Sinais que exigem atenção imediata
Alguns sintomas indicam que o animal pode estar sofrendo com o calor e precisam de avaliação veterinária quanto antes:
Respiração intensa ou ofegante persistente
Fraqueza, desorientação ou dificuldade para se manter em pé
Salivação excessiva
Vômitos ou diarreia
Dor ou dificuldade para caminhar
"Na dúvida, procure atendimento veterinário. No verão, o tempo de resposta é determinante para o desfecho do caso", reforça Julia.
