No segundo turno das eleições 2026, netse domingo (25), a Justiça Eleitoral determinou que a Prefeitura do São Paulo mantenha 100% da frota de ônibus municipais em operação, e em Salvador, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou o restabelecimento imediato da frota integral do transporte público.
Em outras cidades do país, incluindo capitais, a população tem apontado dificuldades de acesso a transportes, em especial os ônibus. São apontados problemas como longas demoras, coletivos que não param para embarque e desembarque, falta de veículos e até cobrança de passagem.
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A gratuidade está prevista no artigo 23 da Resolução nº 23.751/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que regulamenta a oferta de transporte coletivo urbano municipal e intermunicipal, inclusive metropolitano, nos dias de votação. A norma, baseada em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), determina que o serviço tenha frequência compatível com a dos dias úteis.
A obrigação não significa, porém, que todas as viagens rodoviárias entre cidades ou todos os serviços executivos e de longa distância sejam gratuitos. Assim, prefeituras e governos estaduais devem garantir esse direito para facilitar o deslocamento e assegurar o exercício da cidadania.
O serviço deve atender o eleitorado de forma indistinta, sem propaganda eleitoral ou partidária. Na região Nordeste, nas redes sociais há relatos de eleitores com dificuldades de deslocamento, até mesmo nas capitais.
Nas ruas, pessoas têm gravado e fotografado casos de irregularidade, em especial de ônibus. Em Maceió, Alagoas, as pessoas contam que ônibus não param para embarque e desembarque e vans estão cobrando o valor da passagem.
No Pará, eleitores que estão na capital Belém enfrentam dificuldades para viajar para o interior e votar. "Há relatos de falta de vans para vários destinos e de veículos que não entram no terminal para embarcar passageiros", segundo uma publicação no X.
Ainda no Pará, até mesmo o transporte por barcas apresenta problemas já nesta manhã, segundo os eleitores. Entre os trechos atingidos está a rota Belém e Marajó.
Em Recife, num dos vídeos que circulam, mostra uma mulher tentando embarcar num ônibus. Ela aguarda na roleta e pede, mais de uma vez, para que a catraca seja liberada.
Outro passageiro pergunta se não haverá a liberação do embarque. A mulher insiste.
O motorista segue dirigindo. Não é possível ouvir na gravação o que ele diz.
As imagens param antes do desfecho, e não é possível saber se a passageira conseguiu acesso. A pessoa que compartilhou as imagens escreve na publicação que foi obrigado a pular a catraca, mas que outros optaram por descer sem conseguirem acesso aos bancos.
O deputado estadual do Piauí Fábio Novo (PT) também foi às redes denunciar que havia um ônibus por linha para atender a população, além do início de uma circulação tardia, a partir das 8h30, quando o período de votação é iniciado às 8h e encerrando às 17h. Segundo o parlamentar, o impacto é enorme para Teresina, que teria circulando cerca de 100 coletivos, quando deveria ter mais que o dobro.
Em São Luis, no Maranhão, a longa demora por ônibus tem marcado o deslocamento dos eleitores. Na publicação da prefeitura de São Luis anunciando a gratuidade da passagem neste domingo, uma pessoa comentou que os coletivos estariam sendo retirado das ruas.
"As frotas estão reduzidas e várias linhas indo pra garagem", escreveu. E no estado do Rio de Janeiro, em São Gonçalo, há relatos também de falta de ônibus em linhas que circulam em direção à Região dos Lagos.
Alguns moradores ficaram até quatro horas esperando na manhã deste domingo, antes de irem de transporte por aplicativo. O vereador Isaac Ricalde (PCdoB) também denunciou o longo intervalo de espera dos passageiros de ônibus no município.
Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, ao menos outros dois municípios têm relatos de dificuldade da população de embarcar em ônibus, sendo eles Nova Iguaçu e São João de Meriti. Os relatos também incluem São Paulo, como na capital.
Um eleitor disse à reportagem que a demora de ônibus da linha 9002, de cerca de 20 minutos, dificultou o acesso, pois o veículo já estava lotado, sem lugar para levar a todos os que aguardavam no Terminal Cachoeirinha, na Zona Norte. Outras linhas demoravam até 30 minutos, ainda na manhã deste domingo.
Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, segundo relatos há dificuldades em pegar ônibus neste domingo, aparentemente por mudanças nas paradas.
O Globo