Além de Raúl Castro: EUA miram queda de herdeiros do regime comunista de Cuba; Falta de oposição é obstáculo

 

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Os relatos da mídia americana sobre uma iniciativa do governo Donald Trump para indiciar Raúl Castro, ex-presidente de Cuba e líder revolucionário, representam o mais novo indício de que a Casa Branca e o Departamento de Estado dos EUA estabeleceram como objetivo a destituição da liderança do regime da ilha comunista. Fontes ouvidas em anonimato pela Bloomberg afirmam que além de Raúl, outros alvos estariam na mira de Washington — mas que uma mudança de governo esbarra na falta de oposição viável na ilha.

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Fontes ouvidas pela rede americana CBS e pela agência de notícias Reuters afirmaram que o caso contra Raúl, atualmente com 94 anos, teria como fundamento a queda de um avião há 30 anos, da organização Irmãos ao Resgate — fundada por militantes exilados cubanos anti-Castro na Flórida. O Departamento de Justiça dos EUA não respondeu a um pedido de comentários da AFP sobre o suposto caso contra o líder revolucionário.

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O indiciamento adicionaria uma nova camada de tensões na relação entre EUA e Cuba, e certamente acenderia um sinal de alerta em Havana. A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças militares americanas foi justificada por Washington, em janeiro, como parte de uma operação policial, embasada em um mandado de prisão aberto na justiça americana por suposta participação no tráfico internacional de drogas.

Os alvos de Trump e do secretário de Estado Marco Rubio — político conservador de origem cubana que cresceu em popularidade na Flórida por seu discurso anti-Castro e anti-comunista — vão além das lideranças atual e histórica do regime. Fontes ouvidas pela Bloomberg afirmam que o presidente Miguel Díaz-Canel e famílias do círculo íntimo da liderança do processo revolucionário de 1959 também estariam na mira, por exercer poder dentro do regime.

O desejo do governo americano seria depor toda a estrutura que sustenta o governo comunista, incluindo as famílias da cúpula do regime, que ainda controlam instituições de fato. Contudo, as próprias autoridades americanas foram obrigadas a manter negociações com herdeiros de Raúl Castro, incluindo o filho Alejandro Castro Espín e o neto Raúl Guillermo Rodríguez Castro.

Ao contrário da Venezuela, onde autoridades americanas apontaram que a Casa Branca avaliou a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, como uma interlocutora possível para estabilizar o país e colaborar com os interesses americanos, Cuba não teria uma alternativa viável. Os herdeiros de Raúl teriam sido os responsáveis por mediar dois dos principais contatos entre Washington e Havana nas últimas décadas.

Alejandro Castro participou, segundo fontes americanas, de negociações secretas que resultaram em uma abertura com os EUA durante o governo de Barack Obama. Sob liderança de Rubio, a diplomacia americana recorreu ao neto de Raúl Castro para abrir um processo de diálogo: no mês passado, uma delegação do Departamento de Estado viajou a Havana para conversas com o Ministério das Relações Exteriores de Cuba e com Rodríguez Castro. Foi a primeira visita desse tipo dos EUA desde o governo Obama. (Com AFP e Bloomberg)