Além de Noelia Castillo, outros jovens já mobilizaram a opinião pública mundial ao recorrer a suicídio assistido
Nesta quarta-feira, 26, o mundo prestou atenção em mais um caso de suicídio assistido de uma jovem. A espanhola Noelia Castillo obteve autorização para a eutanásia aos 25 anos, após uma luta na Justiça da Espanha de quase dois anos.
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MAID (Medical Assistance in Dying, ou suicídio medicamente assistido, em portugues) como é conhecido, é uma prática ilegal no Brasil — Antonio Cícero, poeta que escolheu pela forma de suicídio, o fez na Suiça — mas legalizada em diversos países, principalmente na Europa.
É normalmente reservado a idosos, mas há alguns anos jovens que sofrem de doenças severas — tanto mentais, quanto físicas — têm decidido por escolher a prática em países onde é autorizada.
Importante ressaltar uma diferença: legalmente, na eutanásia, o médico administra o medicamento, já no suícidio assistido, o paciente é responsável pela injeção — ou deglutição — da substância.
Outros jovens já se submeteram a essa prática em países da Europa, mobilizando a opinião pública.
Francesa pratica eutanásia no filho tetraplegico
Vincent Humbert ficou tetraplegico após acidente de carro
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Em 2003, o caso de Vincent e Marie Humbert chocou a França, revivendo as discussões sobre a legalidade e a moralidade da escolha — e de permitir — morrer.
Vincent, um jovem bombeiro, tinha 19 anos, em 2000, quando sofreu um grave acidente: seu carro colidiu com um caminhão, o deixando cego, mudo e tetraplégico.
Então, ele começou uma luta pelo direito de se matar, ainda ilegal na França — um projeto de lei foi aprovado em fevereiro deste ano, mas ainda aguarda análise do Senado — tendo mandado uma carta ao então presidente Jacques Chirac.
Ele também escreveu o livro "Eu pedi pelo direito de morrer" (Je vous demande le droit de mourir) junto com o jornalista Frédéric Veille em que oferece reflexões sobre seu sofrimento emocional, físico, mental e existencial.
No dia 25 de setembro de 2003, a mãe de Vincent, Marie Humbert, de 48 anos, aplicou injeções de barbitúricos, resultando numa overdose, que o deixou em estado vegetativo. Segundo investigações, o médico que cuidou dele no hospital de Berck-sur-Mer, Fréderic Chaussoy, teria desligado os aparelhos que o mantinham vivo, além de aplicar mais injeções de barbitúricos e de cloreto de potássio — que provoca uma parada cardíaca.
A Justiça francesa absolveu ambos em 2006, seguindo a decisão do procurador da República de considerar que ambos agiram sob “coação moral”.
“A batalha de Milou continua”
Milou Verhoof recebeu eutanásia aos 17 anos
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Mais recentemente, em 2023, Milou Verhoof, uma adolescente de 17 anos, recebeu a eutanásia na Holanda; a pouca idade da holandesa foi um dos principais temas da discussão.
A história de Milou começa quando ela tinha 11 anos, quando uma doença quase matou seu irmão. Aos 13, ela foi estuprada, caso que a fez cair em casos graves de estresse pós-traumático, depressão e automutilação.
A história da estudante virou um documentário chamado “A luta de Milou Continua”, lançado em outubro do ano passado, dois anos após seu falecimento. Nele, os pais de Verhoof contam sobre a filha e o papel que Menno Oosterhoff, um psiquiatra, teve na decisão de sua filha.
Oosterhoff é um personagem polêmico na Holanda por estar envolvido nos pedidos de eutanásia de diversos jovens. No caso de Milou, a família da adolescente agradece a existência do psiquiatra.
“Graças à abordagem extremamente cuidadosa e cautelosa do Dr. Oosterhoff, nós, como pais, confiamos que sua conclusão — de que Milou realmente não conseguiria continuar e que aqueles dias seriam insuportáveis para ela — era a única correta e confirmava o que nós, como pais, já havíamos observado em nossa filha”, disseram, em um email, ao jornalista Charles Lane.
Família canadense pede por mudanças após filho de 26 anos escolher eutanásia
Kiano Vafaeian sofria de diabetes, perda parcial de visão e depressão
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No fim do ano passado, Kiano Vafaeian, um jovem de 26 anos, recebeu o suicídio medicamente assistido no Canadá, mas sua família, até hoje, não concorda com a decisão.
Vafaeian sofria de diabetes Tipo 1 e perda de visão parcial, além de sofrer com problemas de saúde mental, principalmente depressão. Sua mãe, Margaret Marsilla, diz que as dificuldades enfrentadas pelo filho não eram “suficientes” para que o governo o desse permissão de morrer.
Em um post em uma rede social, ela diz que o MAID “não é assistência médica. É uma falha de ética, responsabilidade e humanidade”.
“Nenhum pai ou mãe deveria ter que enterrar um filho porque um sistema – e um médico – priorizam a morte em detrimento do cuidado, da ajuda ou do amor”, completa.
Ela diz que vai continuar a lutar, não só pelo filho, mas também por outros pais que também têm filhos que sofrem de doenças mentais.
