Além das canetas: Pílula sete vezes mais barata que Mounjaro tem novos estudos divulgados
A pílula Orforglipron é um medicamento que vem sendo avaliado ao longo do mundo. Da mesma fabricante do Mounjaro, a farmacêutica Eli Lilly, ela tem foi criada ser usada após o emagrecimento resultante da caneta emagrecedora, para que o paciente consiga manter o novo peso e evitar o famoso efeito sanfona, quando ele volta a engordar. Na última quarta-feira (13), a revista científica Nature Medicine publicou novos estudos sobre o medicamento, com resultados promissores.
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Financiado pela Eli Lilly, o objetivo do estudo foi avaliar a eficácia e a segurança do Orforglipron em comparação com o placebo na manutenção da redução do peso corporal após 72 semanas de tratamento. Segundo a empresa, o medicamento deve custar cerca de US$ 149 (ou R$ 720) mensais para a dose mais baixa. O valor é bem inferior ao que o paciente costuma gastar com o Mounjaro, que pode chegar a US$ 1 mil (R$ 4,8 mil) para um mês de injeções.
O estudo mostra que, administrado por via oral uma vez ao dia, o medicamento apresentou eficácia na perda de peso, melhorias nos fatores de risco cardiometabólicos e segurança geralmente semelhante a dos agonistas do receptor de GLP-1 injetáveis, presentes no Mounjaro e no Ozempic. São esses que reduzem indiretamente os níveis de glicose no sangue, diminuindo o esvaziamento gástrico. Portanto, diminuindo o apetite.
Obesidade vem crescendo no Brasil e no mundo
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No entanto, o artigo avaliou que "a manutenção desses benefícios à saúde requer administração contínua, o que pode ser um desafio". Ou seja, o paciente pode voltar a ter índices de insulina mais altos no sangue, depois de parar o tratamento com o Orforglipron.
"O reganho de peso após a interrupção das intervenções para perda de peso, independentemente da modalidade de perda de peso, foi demonstrado, ressaltando a necessidade de terapia contínua para minimizar as alterações no peso corporal e manter as melhorias nos parâmetros cardiometabólicos após a redução de peso, com o objetivo final de preservar os benefícios para a saúde geral", avalia a publicação.
O estudo trabalhou com um grupo placebo, aquele que não recebe a medicação avaliada, para aferir a eficácia do tratamento comparado aos que usaram o Orforglipron. O estudo chamado de Attain-Maintain selecionou 400 participantes e recrutou 376 deles entre 13 de setembro de 2024 e 21 de novembro de 2025, em 29 centros nos Estados Unidos. As doses administradas foram de 0,8 mg a 17,2 mg.
Essas doses foram as mesmas aprovadas, no início de abril, pela FDA, agência reguladora que é a equivalente à Anvisa para os Estados Unidos. Há ainda a expectativa de que ela também seja aprovada no Reino Unidos nas próximas semanas. Na América do Norte, ele está sendo comercializado com o nome de Foundayo. Segundo a agência de notícias Reuters, os testes clínicos feitos pela FDA mostraram que pacientes com obesidade perderam, em média, 12% a 15% do peso corporal. Ainda não há previsão de chegada do medicamento e da sua aprovação no Brasil.
Os eventos adversos mais comuns encontrados pelo estudo não são preocupantes, como efeitos gastrointestinais, em sua maioria de intensidade leve a moderada. A publicação ressalta, no entanto, que não houve um grupo que continuasse usando as canetas emagrecedoras para ser comparado ao que passou para a pílula e que o estudo teve duração curta, de 2 meses, e que o ideal seria testá-los por um ano.
Apesar disso, a Nature afirma:
"Esses dados demonstram o potencial do Orforglipron como uma opção globalmente escalável para minimizar as alterações de peso após a terapia injetável".
