Além da taxa de rolha zero: espumante, entradas e marshmallow para assar na fogueira estão entre as cortesias de restaurantes da Zona Sudoeste

 

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Uma plaquinha de madeira com o nome da reserva escrito à mão, uma entradinha de cortesia, sobremesa de presente para o aniversariante e até oferta de marshmallow para assar na fogueira. Em meio à disputa por clientes e à busca por proporcionar melhores experiências, bares e restaurantes da Zona Sudoeste apostam em promoções e agrados para fidelizar seu público que vão muito além da gratuidade da taxa de rolha.

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Abrir mão da tarifa, cobrada em muitos estabelecimentos como forma de compensar o que deixam de faturar quando o cliente decide levar seu próprio vinho de casa, é o mimo mais comum e ganhou visibilidade após a repercussão do caso com o cantor Ed Motta, que se envolveu em uma confusão em um restaurante da Zona Sul justamente por este motivo. Mas, em alguns locais, a cortesia é combinada a outros mimos.

Na Casa da Pizza 1910, em Vargem Grande, a política de rolha zero virou parte da identidade e é válida todos os domingos. Cercada de verde, a pizzaria localizada no número 919 da Estrada Mucuíba costuma registrar temperaturas mais amenas em todas as épocas do ano, o que a levou a oferecer um kit com marshmallows servidos em espetos individuais, sucesso imediato. Os clientes podem assá-los em uma fogueira montada no espaço externo do restaurante.

— Dos mais jovens aos mais velhos, os clientes adoram se levantar da mesa para assar marshmallow e registrar o momento. É muito legal ver esse movimento acontecer — compartilha a proprietária, Marcia Guhle.

Pão italiano com azeite e molho sete ervas, cortesia do Abbraccio

Divulgação/Abbraccio

Segundo ela, a ideia foi inspirada numa experiência de acampamento que viveu. Quando estava desenvolvendo o projeto da pizzaria, olhou para um espaço externo e pensou: “Por que não?”. Além disso, ela também oferece mantas aos clientes para enfrentar o friozinho.

A bióloga Kariny de Araujo conheceu a casa em família e se surpreendeu com a experiência.

— Levamos uma garrafa de vinho e pensei que teria que pagar taxa, mas não foi preciso e ainda fui surpreendida com um marshmallow que poderia ser feito na fogueira. Incrível — relata.

Ao fazer reserva para celebrar uma ocasião especial, clientes podem ainda encontrar a mesa decorada com corações ou uma plaquinha de madeira personalizada com seus nomes. Tudo feito artesanalmente pela dona.

— Eu mesma lixo a madeira, desenho, envernizo e escrevo com giz molhado. Tem gente que acredita ser pintado permanentemente — conta Marcia Guhle, bem-humorada.

No restaurante e pousada Don Pascual, na Estrada do Sacarrão 867, no mesmo bairro, a estratégia muda de acordo com o movimento da semana. De segunda a quinta-feira, a taxa de rolha é zero, enquanto de sexta-feira a domingo tem valor de R$ 60. Menos para os hóspedes, que sempre têm direito à cortesia.

De acordo com a empresária Sandra Milani, a ideia é equilibrar acolhimento e sustentabilidade do negócio.

— A cortesia é uma forma de valorizar quem escolhe viver a experiência completa com a gente, unindo gastronomia, hospedagem e hospitalidade. Durante a semana, oferecemos uma experiência mais descontraída. Já nos dias de maior movimento, a cobrança ajuda a manter toda a estrutura e o padrão de qualidade do serviço — explica.

Na Estrada dos Bandeirantes 23.303, em Vargem Pequena, a Fregata Pizzeria também adota a política de não cobrar taxa de rolha. No local, a prática vale para todos os dias da semana. A empresária Julia Appelt explica entender que a experiência no restaurante não deve se restringir ao que é servido à mesa.

— Optamos por não cobrar taxa porque acreditamos que a experiência à mesa vai além do prato. Mais importante do que cobrar uma taxa é criar memórias que façam as pessoas quererem voltar. É uma forma simpática de receber nossos clientes — acredita.

Ela observa que a possibilidade de levar o próprio vinho ajuda a tornar o momento mais personalizado.

— Às vezes o cliente tem um rótulo especial que não temos na carta da casa. Queremos que ele se sinta à vontade para estar conosco — completa.

Restaurante Capitanea, na Freguesia, apsota na política de rolha livre

Divulgação

Alguns quilômetros dali, na Freguesia, em Jacarepaguá, o Capitanea também aposta na rolha livre. Como aconteceu na Fregata Pizzeria, o chef Mauro Florêncio conta que a iniciativa surgiu para beneficiar quem deseja consumir rótulos específicos.

— Queremos que o cliente se sinta à vontade. Essa política gera mais acolhimento, principalmente para quem aprecia vinhos especiais e quer compartilhar garrafas marcantes. Também fortalece a fidelização — diz.

Na Barra, o La Spiaggia, restaurante de culinária mediterrânea recém-inaugurado no VillageMall, oferece taxa de rolha zero. O cliente que vai ao Royal Grill, no CasaShopping, para jantar, também não paga se quiser levar o próprio vinho. Já no almoço, apenas a primeira garrafa está dispensada da cobrança.

O Gabbiano cobra R$ 40 pela rolha. Em compensação, todos os que chegam para almoçar ou jantar ganham uma taxa de espumante.

No Jardim Oceânico, foram os clientes que inspiraram o Bangalô, especializado em frutos do mar, a adotar a rolha zero, válida aos domingos, há cerca de um mês. A boa recepção da medida já leva o estabelecimento a estudar a extensão da política para os almoços servidos entre terça e sexta-feira, do meio-dia às 16h.

— Nossos clientes sempre pediram um dia na semana sem cobrança de taxa de rolha. Muitos trazem seus vinhos para celebrar com os amigos e a família, e achamos maravilhoso poder ser o cenário desses brindes especiais — conta Barbara Mendes, sócia do estabelecimento.

Pudim Tim Maia é uma das quatro sobremesas oferecidas ao aniversariante no restaurante Camarada Camarão

Divulgação

Também na Barra, a aposentada Edith Maria Silva conta que foi surpreendida com um outro mimo no Camarada Camarão do Shopping Metropolitano. Ao comemorar seu último aniversário no espaço, recebeu uma sobremesa gratuita após jantar com amigos e familiares. Na casa, o aniversariante pode ganhar pudim, profiteroles, bolo de rolo ou cocada pernambucana, de acordo com a disponibilidade da cozinha.

A prática de oferecer sobremesa ao aniversariante é comum em outros locais da Zona Sudoeste e popularizada pela rede Outback, onde todos os clientes também podem pedir pão australiano como entrada, acompanhado de manteiga, queijo derretido ou calda de chocolate, sem que a cobrança apareça na conta no final. No Abbraccio, do mesmo grupo, a cortesia é o pão artesanal italiano Amici, servido aos clientes quentinho e acompanhado de azeite extravirgem com um mix de sete ervas como entrada.

A rede Mamma Jamma, com unidades em diferentes pontos da região, também aposta em mimos. Quem chega tem direito a uma cestinha com foccacia como entrada. Para as crianças, o agrado é para brincar: massinha de modelar. A taxa de rolha é de R$ 50, mas, se o cliente também consumir um vinho da casa, é cancelada.

No Dom Helio, na Barra, a promoção é o refil de bebidas para quem compra o rodízio de massas, oferecido no almoço, do meio-dia às 16h, ou o de pizzas, servido a partir das 17h: quem compra um refrigerante ou mate pode pedir para encher o copo novamente quantas vezes quiser. O Outback tem promoção semelhante, com o ice tea da casa.

No Rio, a taxa de rolha passou a ter respaldo legal desde janeiro deste ano, quando o então prefeito Eduardo Paes sancionou a Lei n° 9.270/2026, proposta pelo vereador Junior da Lucinha, regulamentando a prática. A legislação estabelece que os bares e restaurantes podem permitir que clientes levem suas próprias garrafas de vinho mediante pagamento da taxa de rolha, mas deixa claro que a cobrança não é obrigatória. Também determina que as regras da casa devem ser informadas de forma clara aos consumidores.

Fernando Blower, presidente executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR) e do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), afirma que a transparência é o principal ponto para evitar conflitos:

— É fundamental que o gestor comunique sua política de forma clara, seja ela isenção total, cobrança de valor simbólico ou concessão da rolha mediante consumo de outros itens.

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