O vice-presidente, Geraldo Alckmin, afirmou, nesta segunda-feira (17), que o aumento da dívida pública é um problema mundial e defendeu uma “cultura de combate ao privilégio e desperdício” como parte do esforço para melhorar os gastos públicos no país. “Esse problema da dívida não é só nosso, isso é um problema mundial. A maioria dos países do mundo, desenvolvidos e outros, tem mais de 100% de dívida”, afirmou Alckmin, durante palestra na 27ª Conferência Anual do Santander, na capital de São Paulo. O vice-presidente reconheceu, porém, que a situação brasileira exige atenção especial porque o país ainda está em desenvolvimento. Para ele, a trajetória da dívida precisa ser enfrentada com medidas que permitam reduzir a pressão sobre as contas públicas e, consequentemente, abrir espaço para investimentos e crescimento. Ao tratar do ajuste fiscal, Alckmin também citou situações extraordinárias que exigem atuação do Estado, como as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, em 2024. A avaliação foi de que episódios de grande gravidade não podem ser ignorados pelo governo, mas que, fora dessas circunstâncias, é necessário compensar eventuais aumentos de despesas com cortes em outras áreas. “Claro que não se pode ignorar os fatos, a gravidade dos fatos e a solidariedade nesses momentos”, afirmou.
Alckmin defendeu ainda uma mudança na forma como o país lida com os gastos públicos. Para ele, o ajuste não deve se limitar ao aumento de receitas, mas também passar pelo combate a privilégios e desperdícios. “Só tem um caminho: é criar uma cultura de combate ao privilégio e desperdício. E aí a sociedade cobra dos Três Poderes”, disse. Nesse sentido, o vice-presidente também voltou a criticar as chamadas pautas-bomba, medidas aprovadas pelo Congresso que, na avaliação do governo, aumentam despesas ou reduzem receitas sem indicar adequadamente como esses custos serão financiados. Para Alckmin, o problema não deve ser encarado como uma disputa entre o Executivo e o Legislativo, mas como uma questão que afeta diretamente a sociedade. “Eu não tenho pauta-bomba contra o governo. Ela é contra o povo. A pauta-bomba não é contra o Executivo, é contra a população”, afirmou. Alckmin também defendeu a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) para conter esse tipo de agenda. A declaração ocorre enquanto o STF deve analisar, em setembro, uma proposta de súmula vinculante apresentada pelo ministro Gilmar Mendes para consolidar a exigência de estimativa de impacto e medidas compensatórias para leis que criem despesas obrigatórias ou impliquem renúncia de receita. Questionado sobre o que o Brasil deveria fazer agora para aproveitar as oportunidades da próxima década, Alckmin defendeu uma agenda de reformas estruturantes. Nesse contexto, ele citou a continuidade da reforma tributária e uma reforma administrativa como medidas necessárias para melhorar o funcionamento do setor público.
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