Alckmin admite prorrogar subsídio ao diesel se guerra pressionar preços

 

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O governo federal espera conseguir nesta segunda-feira (30) a adesão dos estados à proposta de subvenção do diesel importado no valor de R$ 1,20, sendo que a renúncia será dividida meio a meio com o governo federal. Com isso, o governo federal entraria com R$ 0,60 e os estados com mais R$ 0,60 pelo período de dois meses. O governo já teria conseguido o apoio de estados aliados, especialmente no Nordeste, mas não teria ainda o aval da maioria dos governadores.

O impacto estimado é de cerca de R$ 3 bilhões, dividido meio a meio entre o governo federal e os estados — ou seja R$ 1,5 bilhão para cada parte ao longo de 60 dias. O governo federal já zerou Pis e Cofins sobre o diesel, com estimativa de queda de R$ 0,32 no preço do litro, com isso o subsídio do governo federal pode chegar a R$ 0,92 por litro na importação do combustível.

O vice-presidente, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo não vai obrigar ninguém, mas que espera um bom entendimento com os estados. Ele também afirmou que, em princípio, as medidas terão validade por 60 dias, mas já adiantou que se for necessário, o governo pode prorrogar o subsídio ao diesel.

"Ele fez um apelo aos estados para não zerarem o imposto, mas adotarem uma subvenção. O estado entraria com R$ 0,60 e o governo federal com mais R$ 0,60. Tudo isso de forma transitória, por 60 dias. A expectativa é que a questão da guerra, que é uma tragédia, se resolva nesse período. Se necessário, pode haver prorrogação, mas a ideia é que seja temporário. Neste momento, o objetivo é evitar o impacto da guerra na vida das pessoas", explicou.

A cotação do petróleo tem sido pressionada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e o Irã no Oriente Médio, aumentando o preço do diesel. Para que a medida do governo de fato chegue até as bombas, é preciso a adesão de estados que mais importam diesel, como São Paulo e Paraná, governados pela oposição ao governo Lula.

Há ainda a possibilidade do valor do subsídio anunciado pelo governo não ser suficiente para segurar os preços por aqui, se houver uma escalada do conflito no Oriente Médio. O governo tentou ainda fazer os estados zerar o ICMS sobre o diesel, mas como não houve adesão, passou a discutir a subvenção, que também enfrenta resistência.