Alceu Valença lembra sua estreia como cineasta, há uma década, com 'A luneta do tempo': 'Homem-Aranha lascou meu filme'

 

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Em seus mais de 50 anos de trajetória artística, Alceu Valença ganhou notoriedade por sua vasta produção musical. Contudo, o pernambucano nascido em São Bento do Una, no agreste do estado nordestino, também deixou sua marca no cinema: nem todo mundo sabe ou viu, mas há dez anos ele lançava "A luneta do tempo", filme que assinou como roteirista e diretor. No próximo domingo (15), um dia depois de estrear no Rio sua turnê nacional de "80 girassóis" — show com que celebra seus 80 anos, a serem completados em 1º de julho —, Alceu estará atento à transmissão da cerimônia do Oscar, que pode premiar "O agente secreto", de seu conterrâneo Kleber Mendonça Filho, com quatro estatuetas.

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— Estarei torcendo para que ele ganhe. É um filme muito bonito, bem realizado e editado. Os atores dão um show! — avalia em conversa com o EXTRA: — Eu conheço o Kleber, mas sem grande aproximação. Ele estava hospedado na casa de um amigo nosso em comum no dia em que eu fui lá, saindo para Cannes. Dali em diante o filme ganhou muito destaque. É muito bom uma produção brasileira ter essa visibilidade e acabar com o domínio do Homem-Aranha.

Irandhir Santos e Hermilla Guedes são Lampião e Maria Bonita em "A luneta do tempo"

Divulgação

Alceu cita o super-herói dos quadrinhos como representante dos blockbusters da indústria cinematográfica americana. Ele conta que em 2016, quando seu longa-metragem ficou pronto, não teve grande receptividade nas salas de cinema brasileiras por conta do lançamento concomitante de "Capitão América: Guerra Civil" (filme em que Tom Holland apareceu pela primeira vez como Homem-Aranha).

— Homem-Aranha lascou meu filme! Não tinha lugar pra gente, só pra eles, tomaram todas as salas de cinema do Brasil. Eu só consegui duas salas no Rio de Janeiro e uma no Recife para exibir "A luneta do tempo". Tenho vontade de relançar esse meu filme, inclusive no exterior. Para tudo que é canto onde ele vai, todo mundo gosta, mas pouca gente viu. Foram anos trabalhando nele. Dirigi, editei, foi a maior viagem, sem igual. Fui três vezes ao interior de Pernambuco com uma equipe maravilhosa. Tenho muita saudade desse tempo — lembra.

Cena do filme "A luneta do tempo", de Alceu Valença

Divulgação

Faroeste musical, "A luneta do tempo" começou a ser rodado em 2014. Na história, Lampião (Irandhir Santos), sempre acompanhado por sua amada Maria Bonita (Hermila Guedes), lidera seu bando pelo sertão de Pernambuco, enfrentando a polícia local. Seu principal antagonista é Antero Tenente (Hélder Vasconcelos), que foi abandonado preso e de cabeça pra baixo pelo bando de Lampião. Esta disputa permanece com o passar dos anos, quando o filho de Antero torna-se adulto e não aceita qualquer provocação à imagem do pai ou a simples menção a algo que lembre Lampião e seus cangaceiros.

— O filme fala sobre o tempo. É uma coisa filosófica, da arte popular, inspirada nos cordéis, no cangaço. Fala do tempo e até do medo da morte. Ou da outra vida. Meu Lampião não quer morrer jamais. Então, para agradá-lo, eu botei ele no purgatório, para não estar nem no inferno nem no céu — detalha Alceu, que no longa interpreta o Velho Quiabo e também compôs a trilha sonora.

Capa da trilha sonora de "A luneta do tempo", filme de Alceu Valença lançado em 2016

Reprodução

Antes, o artista havia trabalhado como ator em 1985 no filme "A Patriamada" de Tizuka Yamasaki, e fez a trilha sonora de "A noite do Espantalho", lançado em 1974, dirigido por Sérgio Ricardo.

— Nunca sonhei com Oscar. Não quero parecer pretensioso ou chato, só quero fazer a minha arte e quero que ela seja vista. Mas acho ótima essa abertura atual para o cinema brasileiro. Admiro muito os cineastas de Pernambuco, especialmente. O Claudio Assis é genial, o Lírio Ferreira é maravilhoso. O Kleber Mendonça Filho também. Tenho uma honra muito grande de estar nesse grupo com eles — afirma.

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