Alceu Valença estreia turnê comemorativa por seus 80 anos e avisa: 'Quero seguir por aqui até os meus 134'
Alceu Valença vai completar 80 primaveras. São 80 giros ao redor do sol, em pleno inverno brasileiro. O aniversário do cantor e compositor é só em 1º de julho, mas a festa já começa nesse sábado (14), com a estreia da turnê comemorativa “Alceu Valença 80 girassóis”, a partir das 19h, na Farmasi Arena, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. Depois, o show repleto de sucessos segue por nove capitais brasileiras e voa até a Europa, no segundo semestre. Com a alegria de um menino, o pernambucano radicado no Rio há mais de 50 anos falou sobre passado, presente e futuro em entrevista exclusiva ao EXTRA.
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Você costuma comemorar seus aniversários?
Eu não sou festeiro assim. Não tem brinde nem bolo, meu negócio é passar o aniversário no palco. Isso é vitamina A, de alegria, pra mim. Vou comemorar com essa turnê no Rio, em São Paulo, Recife, Belém, Florianópolis... No dia 1º de julho mesmo, nem sei onde vou estar. Minha mulher (Yanê Montenegro, com quem é casado há 28 anos) é que decide.
Como bom canceriano, você tem um “coração bobo”?
“Coração bobo, coração bola, coração balão, coração São João”... O meu sempre foi, senão eu não teria feito essa música.
Alceu Valença estreia a turnê '80 girassóis', celebrando seus 80 anos
Rodrigo Mazuco/Divulgação/Peck Produções
Qual é o significado de chegar aos 80 anos?
Não gosto de contar o tempo. Estou dando 80 giros, mas quero dar 800.
Como tem cuidado da saúde?
Sou um caminhador. Todo dia, saio de casa e ando no mínimo dez mil passos. Tenho um contador no celular. Hoje (terça-feira) não pude caminhar por causa da chuva. E faço pilates de segunda a sexta-feira quando estou no Rio, com uma professora ótima, a Alana. Escreve o nome dela aí!
E sua alimentação?
É muito regrada. Minha mãe, Adelma, dizia: “Não viva para comer, coma para viver”. Eu sempre a obedeci.
Alceu Valença e sua mãe, Adelma
Reprodução/Redes sociais
Você tem músicas intituladas “Cabelos longos” e “Cabelo no pente”. Por que mantém o seu comprido há décadas?
Não sou vaidoso, sou desleixado (risos). A calvície apareceu, mas o chapéu me ajuda (a disfarçar). Comecei a usar chapéus antes mesmo dos sertanejos, ainda garoto.
Sua energia ainda é de garoto...
Quando eu jogava basquetebol na seleção juvenil pernambucana, meu apelido era Veloz HP. Era o nome de um óleo da época. Sempre fui muito rápido, elétrico. Por isso sinto uma tristeza, uma agonia quando está chovendo. Quero sair de casa o tempo todo, não paro.
Nas suas caminhadas pelo Leblon, onde mora, os fãs o abordam?
Ah, sim. Muitas mulheres contam que deram à luz ao som de “Anunciação”. Crianças vêm cantando “La belle de jour”... É bonito demais! Adoro crianças!
Em sentido horário: Alceu Valença com os filhos Clara Lua, Ceceu, Rafael e Juliano; e o pai do cantor, Décio
Reprodução de Instagram
Seu público é dos 8 aos 80...
Acho que até menos! Dos 4 anos em diante, sem limite.
Você tem netos?
Não... Tenho quatro filhos adultos, três deles casados. Mas ainda não quiseram ter os seus.
A “solidão que é fera e devora”, composição sua de sucesso, se faz presente?
De vez em quando. Mas eu adoro estar cercado de gente, bater papo. Fiz “Solidão” depois de um show no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Voltei sozinho pro hotel, peguei a chave na portaria, subi até o sétimo andar, abri a porta... E sabe quem estava dentro do quarto? Dona Insônia. Às 4h da manhã, fui até a janela, vi a rua deserta e a lua solitária. Peguei uma caneta e compus a música. Hoje em dia, minha mulher viaja comigo.
Alceu Valença com a esposa, Yanê, com quem é casado há 28 anos
Reprodução de Instagram
Seu perfil no Instagram tem quase 1,5 milhão de seguidores. Você interage com eles?
Muito pouco... Eu leio, se precisar escrever uma coisa mais pessoal, escrevo. Mas fazer postagens, não. Tenho quem cuide. Houve uma época em que inventei um negócio chamado “Cantando no banheiro”. Eu levava o celular pra lá, onde o eco fica bonito, e cantava algumas músicas. Foi um sucesso. Quem sabe eu faço de novo?
Sua flor preferida é o girassol?
É! Quando eu estava na Holanda gravando o disco “Mágico” (lançado em 1984), me deparava com campos lotados de girassóis, a coisa mais linda! Gosto de rosa amarela também, por causa do poema de Carlos Pena Filho, que virou música: “Você tem quase tudo dela. O mesmo perfume. A mesma cor. A mesma rosa amarela. Só não tem o meu amor”. Bate fundo em mim.
Nessa sua longa e florida trajetória, houve muitos espinhos?
Na década de 80, especialmente. Uma gravadora queria que eu cantasse outras músicas para poder fazer sucesso, as que eles mandassem. E eu não cantei. Disse: “Só canto o que eu quiser. Ninguém manda em mim, o artista sou eu”. Manter a minha independência foi fundamental. Por isso só tive empresários amigos. Há um tempo, é minha esposa quem cuida da minha carreira. E muito bem! Ela organiza minha agenda, meus figurinos, tudo. E eu vou dando o meu aval.
Alceu Valença estreia a turnê '80 girassóis', celebrando seus 80 anos
Rodrigo Mazuco/Divulgação/Peck Produções
Falamos de flores em vida, neste momento festivo. Mas, com o avançar dos anos, a ideia da morte o assombra?
Não, eu não estou nem aí. De vez em quando, isso pinta na minha cabeça, mas não tem a ver com a idade. Estou muito distante da minha passagem. Minha família é longeva pra caramba! Papai Décio foi até os 86; mamãe Adelma, 104; vovô Orestes, 98; vovô Adalberto, 96... Penso em seguir por aqui até os meus 134 anos. Aí, quando eu chegar aos 130, vou querer mais um tempinho.
Ainda tem sonhos a realizar?
Eu realizo meus sonhos todos os dias. Sábado (amanhã), vou realizar mais um, estreando essa turnê no Rio de Janeiro. Depois, giro pelo Brasil e, no segundo semestre, chego à Europa. Não é um sonho? Mas e tu? Tu vens?
Diante de um convite desses...
Pois eu já escuto os teus sinais!
'Alceu Valença 80 girassóis'
Onde: Farmasi Arena (Av. Embaixador Abelardo Bueno 3.401, Barra).
Quando: Sáb, a partir das 19h (show às 21h).
Quanto: De R$ 110 (2º lote, arquibancada nível 3) a R$ 240 (2º lote, área premium Banco do Brasil), com 1kg de alimento.
Classificação: 18 anos.
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