Ala do PSD avalia que Caiado se posicionou como plano B da direita e vê chance de Flávio murchar na campanha
Parte da cúpula do PSD diz que o pré-candidato a presidente da sigla, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, adota uma estratégia necessária ao se posicionar à direita e fazer acenos ao bolsonarismo, como na promessa de uma anistia ampla ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O entendimento desse grupo é que Caiado pode se beneficiar ao seguir esse caminho, já que essa ala do partido vê a possibilidade de o pré-candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL), se inviabilizar ao longo da campanha eleitoral.
Dentro desse cenário, a previsão é que Caiado já esteja posicionado como uma espécie de “plano B” dos eleitores da direita.
Mesmo entre integrantes do partido distantes da direita e mais próximos do centro, ainda que não concordem e critiquem os gestos feitos ao bolsonarismo, há aqueles que dizem entender o movimento do governador de Goiás.
— Depende dos passos que vierem a seguir. É o que tem que fazer para herdar estes eleitores caso o Flávio não resista à sua própria história, mas não significa que eu concorde — diz o ex-ministro Andrea Matarazzo, que faz parte do grupo de conselheiros próximos do presidente do PSD, Gilberto Kassab, e que influenciou na escolha do candidato presidencial.
Flávio hoje disputa a liderança das pesquisas de intenção de voto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas seus adversários apostam que problemas envolvendo seu nome, como as suspeitas de rachadinhas quando era deputado estadual, ainda que as investigações tenham sido encerradas sem responsabilização do senador, possam afetar sua imagem.
Também há uma aposta que uma disputa interna por influência dentro do bolsonarismo possa prejudicar a campanha do PL.
O perfil mais combativo e mais bem posicionado de Caiado em relação ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que era a outra alternativa presidencial do PSD, também pesou para a definição de quem irá representar o PSD nas urnas.
—“Pacificação” e “contemporização” a cada crise é que nos levou à tragédia que estamos vivendo. Dois sujeitos condenados (Lula e Jair Bolsonaro), um por tentativa de golpe de estado e outro por corrupção, definem a eleição de 2026 — disse Matarazzo.
Em seu primeiro discurso como pré-candidato à Presidência, Caiado fez questão de criticar a polarização, mas, ao mesmo tempo, fez um aceno claro ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
— O Brasil não suporta mais viver uma situação que tem sido constante nos últimos anos. A polarização não é um traço da política nacional. Ela é sustentada por um projeto político, por aqueles que realmente se beneficiam dela. Pode ser desativada? Sim, pode. Por alguém que não é parte dela. É o que pretendo fazer chegando à Presidência — declarou.
— Meu objetivo é pacificar o Brasil ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente, dando mostras que a partir dali vou cuidar das pessoas — também disse.
O pré-candidato do PSD a governador de Santa Catarina, João Rodrigues, elogiou o discurso de Caiado e reforçou a estratégia da sigla em tentar apresentar ele como uma opção para os eleitores de direita.
— Acima de tudo o Caiado é uma direita raiz, é o primeiro dos moicanos, é o governador mais bem avaliado do Brasil, acho que agora encontramos o caminho de ter uma pré-candidatura com consistência, conhecimento, clareza e equilíbrio. Com equilíbrio mesmo sendo posicionado à direita.
Mesmo assim, a própria situação em Santa Catarina indica as dificuldades que Caiado vai ter. João Rodrigues vai enfrentar o governador Jorginho Mello (PL) nas urnas, mas disse que mesmo assim dará palanque para Flávio Bolsonaro no estado, o que significa que o pré-candidato do PL terá dois candidatos a governador o apoiando, enquanto Caiado terá que dividir o apoio de um.
Em outros locais a situação é pior e Caiado não vai ter palanque em quase nenhum estado do Nordeste, já que lá a maioria do PSD apoia Lula. Um dos poucos acenos de aliança que ele tem na região é, inclusive, de um adversário do PSD, o pré-candidato a governador da Bahia pelo União Brasil, ACM Neto.
