Akon conta porque parou de falar sobre 'Akon City', cidade futurista idealizada no Senegal
A cidade futurista idealizada por Akon ficou no passado, ao menos é o que confirmou o próprio cantor durante sua participação num podcast. A "Akon City" foi anunciada em 2018 com promessas de inovação urbana e tecnológica e seria erguida no Senegal. O artista afirmou que foi estratégico parar de promover o empreendimento, avaliado em de US$ 6 bilhões, pois o projeto se tornava, cada vez mais, alvo de ataques e de campanhas de desinformação, à medida em que ganhava visibilidade.
Caso Epstein: ex-príncipe Andrew devolve imóvel histórico arrendado da Coroa; entenda
Suspensão temporária por conta de ataques: Primeiro voo da Emirates vindo de Dubai desde suspensão por conflito no Golfo chega nesta quarta ao Brasil
Akon participou do podcast de Kid L, num episódio publicado no canal do YouTube em 24 de fevereiro, com cerca de 53 minutos de duração, em que falou sobre diferentes temas. O cantor foi perguntado de forma direta pelo apresentador sobre como o projeto está se desenvolvendo.
— Parei de o promover porque percebi que quanto mais eu o promovia, mais popular ele ficava, e começou a se tornar um alvo — disse. — A África é um daqueles lugares onde o sistema foi projetado para reprimir o desenvolvimento por causa de todos os recursos disponíveis e de como eles poderiam explorá-los. Projetos como este só precisam inspirar confiança nas pessoas.
O assunto sobre a cidade foi aos poucos desaparecendo das entrevistas concedidas por Akon. Em julho do ano passado, o governo senegalês confirmou o abandono do local e a suspensão do projeto, que previa arranha-céus e criptomoeda própria, que seria batizada de Akoin.
Registrado por câmera: Dupla armada com facão e serra elétrica rouba joalheria em plena luz do dia na Inglaterra
No podcast Akon explicou que preferiu adotar o silêncio quanto ao empreendimento quando passou a perceber um aumento na quantidade de "fake news" sobre o projeto e na atividade de bots nas redes sociais.
— Eu meio que já tinha percebido para onde isso estava indo, então pensei: "OK, vou diminuir o ritmo da divulgação e deixar o projeto seguir seu curso" — disse o cantor, e prosseguiu. — Percebi que quanto mais as pessoas sabiam o que eu estava fazendo, mais sabotagens aconteciam. Comecei a ver muitas notícias falsas e bots online.
(Veja o trecho do podcast sobre o assunto no vídeo abaixo.)
Akon disse que manchetes como "a cidade não vai acontecer" e "terras estão sendo tomadas" estavam ficando "maiores e mais profundas". Esse cenário chegou num ponto em que ele não conseguiu mais se defender das acusações, contou.
O podcaster ainda fez uma intervenção falando sobre o crescimento de páginas e portais que acabam por criar ou propagar notícias falsas e a repercussão que acabam gerando.
Com investimentos estimados em US$ 6 bilhões, a Akon City previa hospitais, escolas, centros comerciais, sistema de resíduos, uma usina solar e uma rede de transporte urbano de ponta, tudo alimentado por energia limpa. O modelo econômico seria baseado na Akoin, criptomoeda desenvolvida por Akon. O projeto chegou a ser comparado à fictícia Wakanda, do universo Pantera Negra da Marvel, devido à estética arrojada e ao ideal pan-africanista.
No entanto, passados cinco anos da cerimônia de lançamento, o terreno de 800 hectares em Mbodiène, a cerca de 100 km de Dacar, seguia praticamente intocado. Não havia ruas, redes elétricas ou moradias construídas. A Akoin enfrentou dificuldades para se manter financeiramente viável.
