Ainda sem balanço de 2025,  presidente do BRB diz que corrida por liquidez se acentua

Ainda sem balanço de 2025, presidente do BRB diz que corrida por liquidez se acentua

Fonte: Bandeira



Ainda sem publicar o balanço de 2025, o presidente do Banco de Brasília, Nelson de Souza, falou hoje (9) que a corrida por liquidez na instituição financeira cada vez se acentua mais, indicando que há retiradas de recursos do BRB em função da falta de transparência e da não divulgação dos números e do balanço do banco.

Nelson de Souza, no entanto, não se comprometeu com uma data para divulgar os números do BRB, envolvido na crise do Banco Master. O balanço de 2025, que deveria ter sido apresentado até março, segue pendente. O presidente afirmou que os dados serão divulgados após a conclusão de uma auditoria independente.

Nelson de Souza está participando nesta terça (9) de uma audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, e disse ainda que o rombo causado pelos negócios com o Master é de R$ 8,8 bilhões. Segundo o presidente, o banco identificou que essa transação com o Master soma no total cerca de R$ 30 bilhões, mas por volta de de R$ 22 bilhões ficaram dentro do próprio BRB.

Foram identificados R$ 2 bilhões como não tendo nenhum tipo de lastro desses negócios com o banco de Daniel Vocaro, mas que a provisão final do banco foi estimada em R$ 8,8 bilhões.

Nelson de Souza fez ainda um apelo para que a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprove hoje o acordo que foi homologado pelo Supremo entre a União e o governo local para permitir a captação no mercado de R$ 6,6 bilhões. E disse que há uma corrida por liquidez que se acentua.

"A divulgação ocorrerá tão logo sejam concluídos os procedimentos de auditoria independente, validação contábil e tramitação regulatória exigido pelas normas aplicáveis. Estejam certos, a quem mais interessa divulgar o balanço é o próprio BRB, tendo em vista a corrida de liquidez que cada vez se acentua, tendo em vista a não divulgação desses balanços."

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o senador Renan Calheiros, questionou Nelson de Souza sobre o valor de mercado do BRB e criticou o acordo que foi homologado com o aval do Supremo Tribunal Federal.

"Como um banco que vale no mercado R$ 3 a 4 bilhões, está fazendo um empréstimo homologado pelo Supremo Tribunal Federal de R$ 6,7 bilhões, dando o fundo de participação do Distrito Federal como garantia? Eu não entendo como é que o Supremo aprova um plano sem que o BRB publique o balanço de 2025."

Nelson de Souza disse que, além do empréstimo de cerca de R$ 6,6 bilhões de reais junto a bancos do sistema financeiro para resolver esse rombo do BRB, a instituição financeira local espera levantar mais R$ 2,2 bilhões com a securitização da dívida do governo do Distrito Federal.