Ainda é possível aprender com as crianças

 

Fonte:


– “O que você quer agradecer, hoje?”, perguntou a mãe à sua filha.


→ “A tudo no mundo”, respondeu a menininha com a  vozinha que não indicava apenas uma sonolência, mas  a verdadeira pureza da sua internação.


Era por volta das 19h daquela sábado, 09/05, véspera do dia das mães,na cidade de São Paulo, a maior cidade da América Latina em desenvolvimento socioeconômico e populacional. 


A criança, de 6 anos, acabara de rezar o “Pai-Nosso” com a mãe. E como é de costume – antes de dormir – a mãe pergunta à filha sobre o agradecimento especial do dia.


Naquele mesmo dia, quase na mesma hora, o  destaque do noticiário internacional  foi a fragilidade dos esforços para  um cessar-fogo  no Oriente Médio, onde o conflito, segundo o site Max Planck Society, já causou mais de 100.000 mortes de seres humanos, desde outubro de 2023.


Embora aquele dócil coração infantil tenha  expressado apenas a frase “A tudo no mundo”, não é difícil imaginar que sua gratidão era “por tudo de bom nu mundo”, porque no imaginário das crianças o mundo não é apenas uma ilha da fantasia, é um grande lar onde moram todas as crianças simbolizam com mais naturalidade a beleza inefável da criação.


Se vistos apenas como dois eventos isolados, o noticiário internacional, certamente chama mais atenção pelas consequências  imprevisíveis do conflito   aos povos diretamente envolvidos.  Porém, tudo o que acontece sob os Céus tem um sentido e consequências, de acordo  com  os pensamentos, palavras, escolhas e ações.


Quero tomar a frase daquela criança do nosso tempo pós-moderno – frase que a considero uma profunda oração – para resgatar  um dos momentos mais emblemáticos do ministério de Jesus como legado à humanidade. 


– "Deixai vir a mim as crianças, porque delas é o Reino dos Céus", mensagem relatada  simultaneamente pelos trÊs evangelistas canônicos:  Mateus (19:14), Marcos (10:14) e Lucas (18:16), Naquele tempo, na cultura social e judaica  greco-romana, as crianças ocupavam o degrau mais baixo da estrutura social: não tinham direitos e eram  tidas como seres "incompletos", porque  não contribuem para a sociedade.


A frase foi dita durante o ministério final na região da Judeia, quando Jesus estava a caminho de Jerusalém para a sua última Páscoa. 


Se bem refletido, Jesus inverteu a lógica social do sistema ao priorizar o  acolhimento às crianças, no momento em que os próprios discípulos – reproduzindo o estigma social em face delas – impediram-nas de se aproximar Dele.


Em oposição aos desvios de conduta ético-moral dos líderes religiosos e governantes da época,   a mensagem foi sutil: todos deveriam ser como as crianças (ou seja,  dóceis, puras e  humildes) se realmente quisessem aderir aos ensinamentos do Mestre dos mestres.


Foi  um legado à humanidade. A partir de então a criança passou  a ser o modelo padrão para a elevação espiritual  como condição para entrar no Reino de Deus. É uma extraordinária filosofia  para toda a vida, porque, se bem internalizada,  pode-se identificar que no coração da criança modelo padrão, não há espaço para maldades.


A  frase oração  daquela criança  – “A tudo [de bom] no mundo” –  também oferece  essa interpretação:  sou feliz neste mundo, porque o “Pai-Nosso” nos dá “pão-nosso de cada dia".  


Na essência, a frase oração resumiu a gratidão pela vida e por tudo o que, no mundo, concorre à sobrevivência e à evolução da  humanidade, a qual está condicionada à gratidão ao Criador Onipotente e Onisciente. 


Em tempo: A pensata é inspirada no diálogo de uma mãe com sua filhina, enquanto o mundo adulto  se autodestrói em corrupção dos valores éticos, em conflitos e em guerras.


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