'Ai daqueles que submetem religiões a objetivos militares', diz Papa Leão XIV durante encontro em Camarões

 

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Na cidade de Bamenda, a Catedral de São José recebeu nesta quinta-feira o Encontro pela Paz, que reuniu chefes tradicionais, representantes da Igreja protestante, membros islâmicos e a comunidade católica, entre consagrados e leigos. Durante o evento, o Papa Leão XIV fez um duro apelo contra a violência e condenou o uso da religião para justificar conflitos.

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Relatos de moradores, entre eles uma religiosa sequestrada e uma família de deslocados internos, inspiraram o Pontífice a discursar sobre a região, descrita por ele como uma terra “atormentada”, “ensanguentada” e “ultrajada”.

— Ai daqueles que submetem as religiões e o próprio nome de Deus aos seus objetivos militares, econômicos e políticos, arrastando o que é sagrado para o que há de mais sujo e tenebroso — afirmou. Veja vídeo do discurso:

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Em seguida, o Papa criticou os impactos da guerra e a falta de investimentos em reconstrução social. Segundo ele, trata-se de “um mundo ao contrário”, que “é destruído por poucos dominadores e é mantido de pé por uma miríade de irmãos e irmãs solidários”.

— Os senhores da guerra fingem não saber que basta um instante para destruir, mas muitas vezes não basta uma vida inteira para reconstruir. Fingem não ver que são necessários milhares de milhões de dólares para matar e devastar, mas não se encontram os recursos necessários para curar, educar e reerguer.

Papa fala das guerras

O Papa Leão XIV tem proferido, nesta semana, discursos em tom firme contra as guerras. Durante o evento, afirmou que o mundo está “sendo devastado por um punhado de tiranos”. O tom incomumente duro do Pontífice ocorre em meio à escalada de críticas públicas trocadas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A fala do Papa foi proferida após Trump intensificar ataques contra o líder da Igreja Católica, motivados por posicionamentos reiterados do Vaticano sobre a guerra no Irã. Sem citar diretamente o presidente americano, Leão XIV também criticou governantes que recorrem à linguagem religiosa para justificar conflitos armados e defendeu uma “mudança decisiva de rumo” na condução da política internacional.

Troca de críticas públicas

Em resposta, Trump classificou o Pontífice como “uma pessoa muito liberal” e afirmou que ele seria “fraco no combate ao crime” e “péssimo para a política externa”. As declarações foram dadas a jornalistas enquanto o presidente desembarcava do Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews.

O republicano também sugeriu que a eleição de Leão XIV ao papado teria sido influenciada por sua nacionalidade americana.

— Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano — disse. — Não acho que ele esteja fazendo um bom trabalho. Acho que ele gosta de crimes.

O presidente também criticou posições que atribui ao Papa, afirmando não apoiar “um Papa que diz que é aceitável ter uma arma nuclear” ou que considere o crime tolerável.

— Não sou fã do Papa Leão — declarou.

As declarações ampliam um embate raro entre a Casa Branca e o Vaticano, em um momento de tensão internacional.